quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Prece ao Ano que Desperta

Prece ao Ano que Desperta Ano novo, vem suave como prece antiga, Traz nos teus dedos luz e dor desfeita; Queima o passado, mas não me castiga, Beija minh’alma de esperança eleita. Abre teus céus sobre a minha fadiga, Dá-me um amanhã de aurora imperfeita; Quero-te assim: promessa que mitiga A solidão que em meu peito se deita. Que cada sonho encontre voz e abrigo, E cada queda floresça em lição; Que eu seja inteira, mesmo em perigo, Vestindo amor na forma de perdão. Ano que nasce, sê meu doce amigo, Guarda meus versos na tua estação; Faze do silêncio um fiel conselheiro, E da saudade, um claro clarão; Se eu sangrar, faze do pranto canteiro, Onde a fé brote em mística canção. Ano novo, sê chama e verdade, E escreve em mim teu nome: eternidade. Marilândia

ANEES DO SINO DO ANO NOVO

Antes do Sino do Ano Novo E o poeta Elísio se foi, sem pedir licença ao relógio. Nem esperou o novo ano, partiu no sopro do último verso. Deixou a xícara ainda morna, e a madrugada sem resposta. As palavras ficaram na mesa, como pássaros sem rumo. Havia um calendário aberto, um janeiro que não o viu. O tempo, surpreso, calou-se, aprendeu luto em silêncio. Elísio levou seus cadernos, mas deixou a alma escrita. Quem lê seus poemas escuta um coração em vigília. Ele sabia da urgência do instante, por isso não adiou a despedida. Foi-se quando a cidade contava fogos que não estouraram. A noite vestiu-se de espanto, e o céu perdeu um sinal. Não houve sinos nem festas, apenas o eco do nome. O poeta atravessou a sombra com a luz do que sentiu. Seu verbo agora é estrela, seu suspiro, constelação. Choveu mansamente nos olhos de quem o amava em segredo. O ano velho fechou os olhos, envergonhado de ficar. E o novo ano nasceu mais pobre, sem Elísio para nomeá-lo. Mas cada verso que ele disse ainda pulsa entre nós. Na ausência, sua presença cresce, feito raiz sob a terra. Elísio não morreu por inteiro: mudou-se para dentro da palavra. E assim seguimos lendo a vida, até reencontrá-lo no silêncio. Marilândia

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

COSTURANDO DIA 30 DE DEZEMBRO

“Enfeitando silêncios com fios dourados…” Jô Tauil ____________________________ Teço nas sombras meu manto de dor, Vou pelos caminhos desabitados Com sede in_finita de um im_possível amor. Trago na alma feridas sem nome, Sonhos que morrem ao romper da manhã, E esta ânsia cruel que me consome De ser toda chama, de ser toda ã. Quero ser vento, quero ser asa, Romper as correntes que me prendem aqui, Deixar que meu pranto se torne brasa E arder no desejo de um nunca vir. Sou a que chora em versos perdidos, A que busca nas trevas um clarão, Enfeitando de ouro os meus gemidos, Bordando silêncios no meu coração. Ah, se eu pudesse nas noites vazias Tecer com estrelas meu manto de luz, Seria rainha de minhas agonias, Seria a Senhora que ao céu me conduz! Marilândia Responder, Responder a todos ou

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

COSTURANDO DIA 29 DEZEMBRO

“Sem enterrar seus projetos de felicidade Jô Tauil ___________________________ Tal sonho inquebrantável, Ergue a alma nos caminhos de esperança, Que mesmo em noite escura, a claridade Há de romper com fogo e confiança. Não deixes que o destino te açoite e vença, Nem que os desejos morram sem lamento, Guarda no peito a chama que te aquece, E segue adiante contra o próprio vento. Se o mundo te ferir com suas garras, E a dor tecer em ti seu manto frio, Levanta-te das cinzas e das chagas, Como quem renasce de um desafio. Teus sonhos são teus rios mais sagrados, Que correm para o mar da eternidade, Não os deixes secar, abandonados, Mas rega-os com paixão e liberdade. Que vivas como quem ama e resiste, Com a bravura de quem nunca desiste, Pois só é vencido quem se rende, E a vida é para quem arde e não se transcende. Marilândia

domingo, 28 de dezembro de 2025

COSTURANDO DIA 28 DEZEMBRO

"Algum louco a inventou..." Jô Tauil __________________________________ Essa dor que arde e canta, como rosa em fogo manso no peito que nunca cansa. Chamou-se amor — e sangrou na boca doce da espera, fez da alma um campo aberto onde a esperança impera. Beijei-lhe o vulto impossível, sombra clara do querer, e em cada sonho que tive morri para renascer. Trago-o preso às minhas veias, febre santa, luz e cruz, um pecado que me salva, um altar que me seduz. Se é loucura, aceito-a inteira, pois só louco sabe amar: quem não delira na vida não aprendeu a sonhar. Marilândia

sábado, 27 de dezembro de 2025

COSTURANDO POESIA 27 DEZEMBRO

“Eu, minha alma febril e uma canção de ninar” Jô Tauil _____________________________ Trago nos olhos o sonho que não ousa adormecer, Sou chama e sou cinza, sou ânsia de voar, Mas prendem-me as correntes deste eterno amanhecer. Canto baixinho ao vento que me vem consolar, E a noite me embala com seu manto de sofrer, Sou toda feita de arder, de ansiar, de delirar, Alma que busca o repouso sem jamais abater. Trago febre nos lábios, sede de eternidade, E o coração dilacerado em cada despertar, Sou tempestade mansa, sou doce crueldade, Sou canto de partida sem ter onde chegar. Minha alma febril queima em silêncio e espera, Como quem ama o abismo e teme o seu clarão, Sou toda contradição, sou outono e primavera, Sou lamento suspirado em forma de canção. E embalo minha dor numa cantiga triste e doce, Que me acalenta a febre, mas não apaga o fogo, Até que o sono eterno um dia me reconheça, E me leve enfim para o meu último repouso. Marilândia

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

COSTURANDO POESIA

“Nuvens meninas brincando de roda e acariciando o ar com dedos leves” Jô Tauil __________________________ Nessa brincadeira celeste, tecem no céu sua dança toda enquanto o vento as embala em relevos breves. Seguem seu bailado sem destino certo, figuras volúveis no azul profundo, como sonhos soltos num mar aberto vagueando errantes pelo vasto mundo Eu as invejo, almas tão livres e puras, que não conhecem as dores terrestres, flutuando além das minhas amarguras, alheias aos males que me tornam agreste. Quisera eu ser nuvem e me perder nos braços vastos da imensidão, sem lágrimas minhas para verter, sem este peso cruel no coração. Mas sou da terra, presa a este chão, enquanto elas dançam sua ronda eterna, nuvens meninas em sua canção, e eu aqui, de alma sempre superna. Marilândia

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

COSTURANDO 25 DEZEMBRO

“Deus te abençoe! Feliz Natal! Jô Tauil ___________________________ Nesta noite santa, Quando o céu se inclina sobre a terra, E nos corações a paz se alevanta Como prece doce que não erra. Trago a alma cheia de saudade, Desse amor que nunca foi completo, Busco no silêncio a claridade Que ilumine o meu peito inquieto. Sei que há estrelas que ninguém alcança, Sonhos que se perdem na distância, Mas guardarei sempre esta esperança De encontrar em ti minha bonança. Sou a que ama com fervor ardente, A que espera quando tudo finda, Que oferece o coração demente À dor que machuca e que é ainda linda. Neste Natal de luz consagrada, Peço às estrelas um só favor: Que sejas tu minha jornada, Meu destino, minha dor, meu amor.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

COSTURANDO DIA 24 DEZEMBRO

"Quando leremos para os cegos o Evangelho do amor? Jô Tauil _____________________________ Quando abriremos aos surdos a canção da madrugada? Quando daremos aos tristes a esperança desejada, E aos que sofrem em silêncio o bálsamo da dor? Quando verteremos lágrimas que não sejam de pranto, Mas de alegria profunda, de ternura verdadeira? Quando seremos irmãos na jornada derradeira, Unidos pelo afeto, esse divino encanto? Quando deixaremos de ser pedra fria e dura, Para sermos como a água que flui e que consola? Quando a nossa alma inteira será uma auréola De luz que resplandece na noite mais escura? Ah, quando aprenderemos a linguagem do perdão, Essa palavra sublime que os anjos nos ensinam? Quando nossas mãos cansadas, que tanto se refinam, Hão de semear no mundo sementes de redenção? Quando leremos nos olhos daqueles que padecem A história de Jesus, tão cheia de candura? Quando faremos da vida uma eterna formosura, E os cegos pelo amor enfim resplandecerão? Marilândia

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

COSTURANDO 22 DEZWMBRO

“Uma sinfonia me trouxe de volta e acordei!” Jô Tauil ____________________________ Os sons divinos romperam o véu da escuridão, E na penumbra dos sonhos que atravessei, Renasceu em mim a dor e a paixão. Acordei com saudades do que não vivi, Com ânsias de quem morre e não pode morrer, E neste corpo que aos céus não brandi Trago a alma inquieta a padecer. Que música cruel me arrancou do nada! Que acorde violento me trouxe à dor de ser! Preferia dormir na noite calada, Do que acordar apenas para sofrer. Mas há nos violinos um chamado urgente, Uma força maior que o meu próprio pranto, E mesmo sangrando, vivo e consciente, Ergo-me das cinzas com meu desencanto. Porque acordar é amar, é sentir, é arder, E eu, que nasci para a chama e o tormento, Aceito esta sinfonia até morrer, Bailando na dor de cada momento. Marilândia

COSTURANDO DIA 23 DE DEZEMBRO

"Vem, Jesus! Glória a Deus! Aleluia!" Jô Tauil _________________________________________________ Que a Tua luz me invada o coração, Como um sol a rasgar noite sombria, Curando em mim a dor e a solidão. Traze nos Teus passos a paz prometida, O pão do amor, o vinho do perdão; Desata os nós secretos desta vida, Faze clara a fé na frágil oração. Se choro, acolhe o pranto que me cai, Se temo, sê meu abrigo e clarão; Em Teu silêncio a esperança se faz pai De cada sonho em flor na redenção. Vem, brisa mansa, ungir meu desalento, Ensina a amar sem medo e condição; Que eu seja casa aberta ao Teu sopro lento, Candeia acesa em santa vigília, então. E quando a cruz pesar no meu caminho, Sustém meus passos, doce proteção; Que eu Te pertença inteira, corpo e vinho, No eterno canto: Amor e Salvação.

domingo, 21 de dezembro de 2025

COSTURANDO POESIA DIA 21 DE DEZEMBRO

"Num percurso além das suas inverdades" Jô Tauil ______________________________________ Caminho só, descalça de certezas, Levo no peito as antigas saudades, E nos olhos, tempestades acesas. Fui flor tardia em jardins alheios, Bebi silêncios, colhi despedidas, Meu riso aprendeu a temer enleios, Entre promessas vãs e mãos perdidas. Amar foi vício e também penitência, Um céu rasgado em noites de vigília, Doce naufrágio, lúcida demência, Que fez do pranto a minha cartilha. Se ainda creio, é por teimosia, Na luz que insiste em me ferir, Pois toda dor guarda poesia, Quando a alma escolhe resistir. Sou verso em brasa, febre contida, Rosa sangrando ao toque do luar, E sigo inteira, mesmo ferida, Fiel ao sonho de sempre amar. Marilândia

sábado, 20 de dezembro de 2025

COSTURANDO DIA 20 DEEMBRO

Quer curar, quer proteger, quer libertar!” Jô Tauil ____________________________ Esta alma que sangra em solidão, Quer beijar as feridas sem cessar E erguer dos escombros a paixão. Quer trazer o bálsamo da aurora Aos lábios secos de tanto sofrer, Quer ser a mão que ampara e que aflora O sonho que teima em renascer. Mas como curar quem se destrói Em fogo lento, em dor que não tem fim? Como proteger quem já se constrói Nas sombras densas que moram num jardim? Quer curar, mas a chaga é mais profunda Que todo o amor que o peito pode dar, É ferida antiga, é dor fecunda Que nasce e morre no mesmo lugar. Quer proteger do mundo e da tormenta Esta alma nua, frágil como flor, Mas quem protege a dor que se alimenta Da própria fonte do seu próprio amor? Marilândia

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

COSTURANDO POESIA

“Termino o poema com a dor de caminhar sozinho!” Jô Tauil _____________________________ E sinto o peso da alma que se arrasta no caminho, Como quem leva nos pulsos as algemas do destino, E busca em vão nos espinhos um consolo cristalino. Ninguém me entende, ninguém, nesta jornada escura, Onde o sol que me ilumina é feito de amargura, E cada passo que dou na terra fria e impura É mais um grito abafado na noite que perdura. Eu sou a sombra perdida de um amor que não existe, A chama que se consome no peito de quem resiste, A rosa que desfolhada no jardim da vida insiste Em florescer mesmo quando a esperança já desiste. Caminho só, tão só, como a lua no infinito, Sangrando versos de dor no meu silêncio maldito, E vou deixando migalhas do meu coração aflito Para os corvos da saudade, que me seguem sem apito. Ah solidão, companheira desta alma tão ferida! Tu és a única verdade nesta farsa da vida, És a sombra que me abraça quando a luz está perdida, És a minha cruz, a minha sorte, a minha dor querida. Marilândia

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

COSTURANDO DIA 18 DEZEMBRO

“Para o paraíso do abraço comovido e nunca esquecido” ______________________________ Onde as almas se encontram no mais puro sentido, Levo a saudade que me queima o peito ardente, E a dor de um amor que ficou e_ternamente. Nesse reino de sonhos onde o tempo não passa, Onde a vida se funde numa só graça, Quero encontrar os braços que me acolheram, E os olhos que em lágrimas por mim se perderam. Ah, que saudade imensa desse abraço terno, Que me aquece a alma no mais frio inverno, Como um farol que brilha na noite escura, Trazendo ao coração a antiga doçura! Para esse paraíso levo as minhas mágoas, Os sonhos desfeitos, as lágrimas de névoas, E a esperança louca de um dia voltar, Aos braços que me fizeram tanto sonhar. Que importa se a vida me fez sofrer tanto? Se guardo na alma esse abraço santo, Que me deu a certeza de ter sido amada, E fez da minha vida algo mais que nada. Marilândia

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

COSTURANDO 17 DEZEMBRO

“Poetizando o mistério dos meus dias” Jô Tauil ____________________________ Teço versos de sombra e de luar, Nas horas mortas, cheias de agonias, Onde a alma se entrega a delirar. Sou feita de silêncios e de mágoas, De sonhos que naufragam sem cessar, Como barcos perdidos entre as águas Que não sabem para onde hão de voltar. Trago no peito um fogo que me queima, Um desejo infinito de partir, E na boca um sabor de tarde extrema, De quem não sabe amar nem se iludir. Vivo de sede, embora seja rio, De fome, sendo pão para os demais, No meu inverno procurando estio, Buscando luz em becos infernais. Ah, se pudesse decifrar o enigma Destes dias de luto e de ansiedade, Talvez achasse sob tamanha estigma A chave de ouro da felicidade. Marilândia

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

COSTURANDO DIA 16 DEZEMBRO

”Sim! Continuo colhendo rosas!” Jô Tauil ____________________________ Rosas de sangue, de dor, de anseio, Nas sendas tortas, nas veredas sombrias, Onde meu sonho se perde e assim, vagueio. Colho-as com dedos trêmulos, febris, Mesmo que os espinhos me rasguem a carne, Mesmo que o pranto me cegue os olhos, E a solidão minha alma des_encarne. São rosas negras do meu des_encanto, Pétalas murchas de ilusões perdidas, Que vou guardando no fundo do peito Como relíquias de vidas sofridas. Mas hei de colhê-las até quando exista Um sopro de vida neste corpo em chamas, Até que a morte, piedosa, me arranque Das mãos cansadas as derradeiras ramas. E quando o fim chegar, sereno e frio, Hei de sorrir com as rosas no seio, Porque soube amar, sofrer e sentir Toda a beleza que há no devaneio. Marilândia Responder, Responder a todos o

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

COSTURANDO DIA 15 DE DEZEMBRO

“Virando a erva serena em que calidamente pisavas” Jô Tauil ____________________________ Senti o mundo inteiro estremecer sob meus pés descalços, Como se a terra guardasse o eco dos teus passos, E cada folha fosse memória das horas que me amavas. Quisera ser o vento que te beija a fronte pura, Ou a sombra tênue que te segue em cada estrada, Mas sou apenas esta alma enamorada, Que sangra de saudade e de ternura. Nos teus olhos vi o mar e toda a sua imensidão, Vi tempestades, calmarias e luar de prata, Vi o destino que nos prende e nos desata, E a doce crueldade da minha solidão. Porque te amei com a fúria das mulheres perdidas, Com o ardor dos que não temem a desgraça, Como quem abraça o fogo e nele se desfaça, Consumindo-se em chamas mal vividas. E agora que pisas longe, noutros caminhos, Fico a virar a erva onde pisaste um dia, Bebendo desta vã melancolia, E colhendo rosas dos meus próprios espinhos. Marilândia

domingo, 14 de dezembro de 2025

COSTURANDO DIA 14 DE DEZEMBRO

"Outono eterno de folhas levitadas" Jô Tauil ________________________________________ Suspensas no ar do meu sofrer tardio, São cartas do tempo, jamais enviadas, Que o vento releu no meu peito vazio. Há sombras de amor nas ruas caladas, Um sol que se cansa de ser desafio, E a dor se perfuma em rosas veladas, Bebendo o silêncio do pranto de anos a fio. Meu coração dobra-se em preces cansadas, Como ave ferida à beira do rio, Sonhando regressos, promessas guardadas, Na carne do sonho que insiste e confio. Se o dia me nega manhãs renovadas, A noite me embala num lume macio, Pois amo — e no amor as perdas são dadas Como ouro que arde num cofre sombrio. Assim sigo, amante de ausências amadas, Vivendo do eterno que chora — e sorrio. Marilândia

sábado, 13 de dezembro de 2025

COSTURANDO 12 DEZEMBRO

“Reminiscências ditosas do que foi bom um dia..." Jô Tauil ________________________________ Voltam na névoa branda de um sonho que passou, E trazem no regresso toda a melancolia Das horas que a ventura em pétalas deixou. Que doce era o luar naquelas noites minhas, Quando teu riso claro enchia o coração! Pisávamos descalços por sendas tão daninhas, Tecendo com estrelas nossa constelação. Mas tudo se evapora como perfume antigo, E resta apenas cinza do fogo que ardia. Procuro-te nas sombras, mas não te encontro, amigo, Somente o eco triste da nossa despedida… Ó tempos de ventura, de beijos, de delírio! Como dói recordar o que jamais voltará! Transformo em verso e canto este sagrado martírio, E choro sobre a página que me há de consolar. Guardo em meu peito exausto estas memórias loucas, Como quem guarda jóias num cofre de ilusão, Enquanto a vida escorre por minhas mãos tão roucas, E murcha como flores ao sol da solidão. Marilândia

COSTURANDO 13 DEZEMBRO

“Regresso a mim profundamente…” Jô Tauil _____________________________ Na sombra do silêncio, Onde a alma se desfaz em solidão, E encontro nos destroços da paixão O amargor de um antigo pressentimento. Regresso a mim, aos braços do tormento, Às horas mortas de desilusão, Ao pranto que guardei no coração Como se fosse eterno o sofrimento. Regresso a mim, à fonte do meu pranto, Ao poço fundo da melancolia, Onde me perco e me encontro,entretanto. Regresso a mim na treva de outro dia, Aos versos que escrevi com desencanto, À dor que em mim nasceu e em mim morreu… Regresso a mim, ao sonho despedaçado, Às cinzas do que foi e já não é, E neste regresso de alma e de fé Encontro-me perdida no passado. Marilândia

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Dueto de Marilândia e Ruth

Dueto de Marilândia e Ruth Nas páginas do vento onde a dor se deita e sonha,//Escrevo com a tinta invisível que só an alma testemunha. Éo sopro de um destino antigo que desfia o coração,// Fazendo da noite um templo, e da saudade, oração. Sou chama que arde em silêncio e cinza que o tempo não vence,// Sou flor que desabrocha no amanhecer e na lua se entristece. Caminho entre mundos suspensos, onde o nome se desfaz,// E cada verso que nasce é um pássaro buscando a própria paz. Ó, concede-me teu silêncio — que nele minha voz floresça;// Empresta-me teus olhos — que neles minha essência apareça. Pois no espelho translúcido da alma encontro o que ainda sou:// Vestígios de sonhos antigos que Deus na palma abrigou. Amor, doce miragem que inquieta, acende e devora,// És brasa que me corrói e luz que me recria a cada aurora. És tormento e promessa, estrela que não alcanço ao tocar,// Mas que guia minha sombra, mesmo sabendo que não há chegar. Sou feita de anseios incertos, de marés que nunca dormem,// Mulher que no peito guarda oceanos que transbordem. E enquanto houver palavra pulsando nesta veia rente,// A alma se abrirá — lucidamente, ardentemente. Mesmo que a dor celebre, mesmo que chova eternamente. Marilândia e Ruth em dueto

COSTURANDO DIA 9 DEZEMBRO

“Vozes serenas, esse cântico vão entoar!” Jô Tauil _____________________________ Em noite profunda onde a alma se debate, Sussurros d’alva que vêm me embalar, Como se o vento em mim seu pranto acalente. São vozes vindas de um tempo esquecido, Ecos de amores que não mais respiro, Trazem consigo o perfume do sustenido, Das horas mortas que em vão suspiro. Cantam de sonhos que nunca vivi, De astros distantes que quis alcançar, De tudo aquilo que em mim entrevi, Como areia fina que o mar vai levar. E nesse canto há tristeza tão pura, Que corta a alma como lâmina fria, Há solidão, há dor, há amargura, Há todo o peso de um longo dia. Mas há também qualquer coisa de eterno, Um fulgor tênue de esperança vã, Como se fosse possível, no inverno, Acreditar que virá a manhã. Vozes serenas, cantai-me baixinho, Embalai minha dor nesse cantar, Fazei-me esquecer que vou tão sozinho Neste caminho que não tem fragmentar. Marilândia

COSTURANDO 10 DE DEZEMBRO

“E o teu coração, que me nega a tua senha…” Jô Tauil ____________________________ Guarda em si mistérios que não ouso desvendar, Como um cofre fechado numa torre estranha, Onde não posso entrar, nem sequer sonhar. Trago comigo a dor de quem ama em vão, A alma despedaçada em cacos de luar, E nas veias o fogo desta estranha paixão, Que me consome inteira sem me deixar gritar. Queria ser a chave que abrisse o teu peito, Penetrar nos segredos que escondes de mim, Mas tu ergues muralhas, suspiros desfeitos, E eu fico do lado de fora, enfim… Talvez seja melhor que me negues entrada, Que guardes para sempre o que não quero ver, Pois toda a verdade é uma espada afiada, Pois há segredos que matam quem os quer saber. Mas mesmo assim te amo, com esta agonia, Este amor que me sangra, este amor que me prende, E o teu coração, na sua tirania, Nega-me a senha… mas a minha alma não se rende. Marilândia

COSTURANDO POESIA

“Reminiscências ditosas do que foi bom um dia” Jô Tauil ________________________________ Voltam na névoa branda de um sonho que passou, E trazem no regresso toda a melancolia Das horas que a ventura em pétalas deixou. Que doce era o luar naquelas noites minhas, Quando teu riso claro enchia o coração! Pisávamos descalços por sendas tão daninhas, Tecendo com estrelas nossa constelação. Mas tudo se evapora como perfume antigo, E resta apenas cinza do fogo que ardia. Procuro-te nas sombras, mas não te encontro, amigo, Somente o eco triste da nossa despedida… Ó tempos de ventura, de beijos, de delírio! Como dói recordar o que jamais voltará! Transformo em verso e canto este sagrado martírio, E choro sobre a página que me há de consolar. Guardo em meu peito exausto estas memórias loucas, Como quem guarda jóias num cofre de ilusão, Enquanto a vida escorre por minhas mãos tão roucas, E murcha como flores ao sol da solidão. Marilândia Responder, Responder a todos ou Encaminhar

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

COSTURANDO DIA 11 DE DEZEMBRO

“E a alma se abre a ti e mais um poema escreve” Jô Tauil _______________________________ Nas páginas do vento onde a dor se inscreve, Com tinta de saudade e sangue de paixão, Rasgando o véu da noite, expondo o coração. Sou chama que consome e cinza que permanece, Flor que ao sol desabrocha e à lua desfalece, Errante entre mundos que não ouso nomear, Buscando em cada verso um modo de voar. Ó, dá-me o teu silêncio para eu poder gritar! Empresta-me teus olhos para eu me contemplar, Que neste espelho d’alma vejo reflexos meus De sonhos que morreram nas benditas mãos de Deus. Amor, quimera doce, tormento que me prende, És tu quem me consome e ao mesmo tempo acende Esta louca esperança de um dia te alcançar, Sabendo que é em vão, mas sem poder parar. Sou toda feita em ânsia, desejo e solidão, Mulher que traz no peito um vulcão de emoção, E enquanto houver palavras e sangue nesta veia, A alma se abrirá,inda que a dor a festejar, Hoje nela chovendo, leia. Marilândia Responder, Responder a todos ou Encaminhar

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

COSTURANDO 8 DEZEMBRO

“Vozes serenas, esse cântico vão entoar!” Jô Tauil _____________________________ Em noite profunda onde a alma se debate, Sussurros d’alva que vêm me embalar, Como se o vento em mim seu pranto acalente. São vozes vindas de um tempo esquecido, Ecos de amores que não mais respiro, Trazem consigo o perfume do sustenido, Das horas mortas que em vão suspiro. Cantam de sonhos que nunca vivi, De astros distantes que quis alcançar, De tudo aquilo que em mim entrevi, Como areia fina que o mar vai levar. E nesse canto há tristeza tão pura, Que corta a alma como lâmina fria, Há solidão, há dor, há amargura, Há todo o peso de um longo dia. Mas há também qualquer coisa de eterno, Um fulgor tênue de esperança vã, Como se fosse possível, no inverno, Acreditar que virá a manhã. Vozes serenas, cantai-me baixinho, Embalai minha dor nesse cantar, Fazei-me esquecer que vou tão sozinho Neste caminho que não tem fragmentar. Marilândia

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

COSTURANDO DIA 7 DEZEMBRO

“Sonho Sonhado,Suspirado, Sussurrado, Sentido, Sepultado” Jô Tauil ____________________________ No fundo d’alma onde a dor habita, Nas sombras densas do meu peito aflito, Jaz esse sonho em pranto já maldito, Que a vida cruel tão cedo me recita… Sonhei-te em ânsias, em desejo infindo, Beijei-te em versos de paixão ardente, Guardei-te em lágrimas, secretamente, Como quem guarda um bem que vai perdendo. Mas o destino, algoz impiedoso, Cavou-te a cova em terra de saudade, E ali jazeste, sonho desditoso, Entre as ruínas da felicidade. Hoje só resta o eco do gemido, A cinza fria do que foi tão belo, E eu, sozinha, abraçada ao esquecido, Choro o meu sonho como eterno degredo. Marilândia

COSTURANDO DEZEMBRO

"Ser tua mãe, que num sorriso me aparece" Jô Tauil _______________________________________ É bênção antiga que em minha alma permanece; é luz de aurora que em meu peito se acende, um colo eterno onde a dor se rende. Trazes em ti a ternura que me reconhece, um afago manso que tudo enriquece, e nos meus sonhos és vento que desce regando a saudade que nunca esmorece. Em teus gestos sinto a poesia que me tece, um fio de vida que jamais desfalece; teu nome é canto suave que não fenece, é flor que desabrocha quando a noite amanhece. Se o mundo é inclemente, teu amor me fortalece, e cada lembrança tua me enobrece; sou pétala frágil que teu carinho aquece, sou mar que no teu olhar se desvanece. Ah, Mãe do meu ser, que tanto me enternece, teu riso é estrela que o céu amanhece; e na alma guardo o perfume que me ofereces, poema eterno que em meu coração floresce. Marilândia

sábado, 6 de dezembro de 2025

COSTURANDO 6 DEZEMBRO

“O teu gosto e teu cheiro permanecem” Jô Tauil ___________________________ Como sombras que nunca me abandonam, Fantasmas doces que me enlouquecem E no silêncio da alma me aprisionam. Trago-te comigo em cada suspiro, Na curva triste dos lábios que senti. És o tormento divino que respiro, A dor sagrada que me prende a ti. Nas noites longas, quando o mundo dorme, Acordo a procurar-te no lençol, E encontro apenas o vazio enorme Onde morreu o nosso eterno sol. Quisera esquecer-te, mas não mendigo, Estás em mim como o mar na areia, Como a tempestade traz consigo A destruição que ao mesmo tempo vagueia. Sofro por ti com volúpia dolorosa, Neste martírio que me faz viver, Sou a tua escrava, tua virtuosa, Condenada a amar-te até morrer. Marilândia

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

COSTURANDO 5 DE DEZEMBRO

“Da felicidade que, a duras penas conquistamos” Jô Tauil _____________________________ Resta o sabor amargo de tantas cicatrizes, E nas mãos feridas que ao céu erguemos Guardamos a memória de antigas diretrizes. Quantas noites de pranto, quantos dias vazios, Até que enfim raiasse a luz do contentamento! Atravessamos desertos, suportamos os frios, Por um instante breve de doce alento. E agora que a tenho, trêmula entre os dedos, Esta alegria frágil que tanto custou, Sinto que se desfaz como antigos segredos, E já temo a dor do que me conquistou. Porque a felicidade que se arranca à vida Com unhas e com sangue, com desespero, Traz sempre a sombra escura de ser perdida, E o coração que a guarda nunca é sincero. Mas ainda assim a quero, mesmo que me fuja, Mesmo que seja efêmera como estrela cadente, Pois na luta feroz onde a alma se empurra, Aprendi que viver é sangrar eternamente. Marilândia

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

COSTURANDO DIA 4 DE DEZEMBRO

“Você é meu ponto de chegada” Jô Tauil _____________________________ O porto onde minha alma quer repousar; Depois de tanto errar por essa estrada, É em ti que encontro o meu lugar. Cruzo desertos, noites de agonia, Bebo o fel das dores mais cruéis; Vago perdida, sem ter companhia, Nos labirintos dos meus próprios véus. Mas és tu o farol na escuridão, A luz distante que me faz seguir; E cada batida do meu coração Sussurra teu nome ao porvir. Não busco mais caminhos ou quimeras, Nem sonhos vãos que o vento há de levar; Chegas tu, e todas as primaveras Desabrocham em mim neste lugar. És o silêncio após toda a tormenta, O lar, o fim, a paz que sempre quero; Em ti minha alma inquieta se contenta— És meu porto, meu destino, minha cicatriz. Marilândia

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

COSTURANDO DIA 3 DEZEMBRO

“Romântica e imortal, calorosa e transbordante de amor!” Jô Tauil _____________________________ Trago n’alma o incêndio de mil sóis ardentes, E nos lábios o grito das almas sofredores, Que buscam no infinito os sonhos persistentes. Sou a febre, o delírio, a chama que consome, O pranto que se esconde sob o riso fingido, Sou aquela que ama sem que nada me dome, E que morre de amor por tudo que há perdido. Nas minhas veias corre um sangue de poesia, Que se transforma em versos de paixão e dor, E cada batimento é uma nova agonia, Um gemido d’angústia, um espasmo de amor. Romântica, pois vivo de quimeras e luar, Imortal, porque o verso me eterniza a vida, Calorosa, qual brasa que não cessa de queimar, Transbordante duma paixão que nunca foi colhida. Sou a louca, a sonhadora, a incompreendida, Que se entrega sem medo ao abismo da paixão, E mesmo despedaçada, mesmo combatida, Sigo amando com toda a força do coração. Que importa se me ferem, se me fazem sangrar? Eu renasço das cinzas como a fênix altiva, Pois enquanto houver um verso para eu criar, Minha alma romântica permanecerá viva. Marilândia

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

COSTURANDO DIA 1 DE DEZEMBRO

“Ainda continuo rabiscando versos de amor” Jô Tauil _________________________ Em noites de luar que sangram solidão, Onde a pena rasga o papel com fervor E cada palavra é feita de paixão. Ainda continuo a escrever sem cessar Nos cadernos gastos da minha dor secreta, Enquanto a alma insiste em delirar Na busca de um sonho que nunca se completa. Escrevo teu nome em versos de saudade, Na tinta do pranto que ninguém enxerga, Buscando na rima alguma claridade Que esta chama ardente em mim não se alberga. Rabisco em vão palavras de desejo, Traçando no verso meu tormento antigo, E em cada linha o teu amor eu vejo, Mesmo sabendo que não estás comigo. Continuo assim, poeta e condenada, Escrevendo ao vento minha sina louca, Pois esta paixão que nunca foi saciada Arde eternamente e nunca se esgota. Marilândia

COSTURANDO DIA 2 DE DEZEMBRO

“E mesmo antes de dares fruto eu já te amava!” Jô Tauil ____________________________ Quando eras só promessa no ventre do tempo, Semente adormecida que minha alma guardava No silêncio profundo do meu pensamento. Amei-te antes do sol, antes da aurora clara, Antes de haver palavras para dizer teu nome, Quando eras só desejo, chama que não se apaga, Fogo secreto e doce que eternamente me consome. Sonhei-te nos caminhos que ainda não trilhara, Nas noites de saudade de um bem que não perdi, Em cada estrela morta que nos céus brilhara, Em cada verso triste que por ti já escrevi. Meu coração sabia, mesmo sem te conhecer, Que havias de chegar trazendo a primavera, Com teu perfume antigo de um impossível viver, Como quem traz consigo toda a luz duma quimera. E se hoje te amo é porque sempre te amei, Desde antes de existires, desde sempre, meu amor, Nos sonhos que teci, nas lágrimas que chorei, Na espera indolente de tão imenso esplendor. Marilândia