terça-feira, 13 de janeiro de 2026

NO PÔR DO TEU CÉU c?resposta de marilândia

NO PÔR-DO-SOL DO TEU CÉU Lindo o Sitio onde vês o pôr-do-sol Não há serra… Não há cume… Apenas dum verde a imensidão Onde o céu se pinta em lume, Numa pintura encantada! Nesse atalho… No empedrado da estrada, Nesse vermelhão de terra, Que mistérios ele encerra, Quando a bota o calca e pisa, Mas logo a suave brisa… Lhe apaga o pó do caminho! Que beleza… Que fascínio… Desse laranja carmim Que enche os olhos e a alma, E nessa formosura calma, Chega a noite de pés, mansa… E o pôr-do-sol chega ao fim! F. Serra Marilândia em resposta aos versos de Francisco Serra No sítio onde vês o pôr-do-sol, não há serra, nem cume que resista; há um verde imenso, solto, absoluto, onde o céu arde em lume de artista e a tarde sangra cores impossíveis. No sítio onde pousas o teu olhar, é meu peito que se abre em vertigem; não há altura que me baste quando o teu silêncio me atinge e me faz céu sem margem. No atalho antigo da estrada, no empedrado ferido de poeira, o vermelhão da terra murmura segredos de outra era, pisados, sofridos, vividos. Eu sigo esse chão com a alma nua, cada pedra — um nome que doeu; mas vem tua brisa, lenta e terna, e apaga em mim o pó que sobrou dos caminhos que não fui. Que beleza! Que fascínio nesse laranja em carmim aceso, que enche os olhos, transborda a tarde e faz do instante surpreso, eterno demais para o tempo! Esse mesmo carmim me invade, é sangue manso no coração; teu pôr-do-sol não é paisagem — é incêndio, é confissão, é o fim de toda negação. E na formosura calma do ocaso chega a noite de pés, mansa como quem não quer ferir a última luz que descansa no colo do horizonte. E eu anoiteço contigo, sem medo, sem resistência; se o sol morre no teu céu, em mim renasce em permanência — amor que não pede aurora. Porque quando o pôr-do-sol se acaba, não termina o que em nós se acendeu: há poentes que são começo, há céus que cabem num beijo — no pôr-do-sol do teu céu. Marilândia Aqui está o dueto em VOZ FEMININA e VOZ MASCULINA, com marcação clara para declamação alternada, mantendo o lirismo florbeliano, a sensualidade contida e o tom crepuscular: NO PÔR-DO-SOL DO TEU CÉU — DUETO VOZ FEMININA No sítio onde vês o pôr-do-sol, não há serra… não há cume… há um verde imenso que me chama, onde o céu se incendeia em lume e a tarde suspira em cor. VOZ MASCULINA No sítio onde pousa o teu olhar, é meu peito que se alarga; não há fronteira que me baste quando a tua luz me embarga e me faz horizonte teu. VOZ FEMININA No atalho gasto da estrada, no empedrado ferido de pó, o vermelhão da terra antiga guarda segredos de nós que o tempo não soube calar. VOZ MASCULINA Eu piso esse chão com cuidado, cada pedra é uma memória; mas vem tua brisa suave e apaga da minha história o peso do que doeu. VOZ FEMININA Que beleza… que fascínio… desse laranja em carmim aceso que enche os olhos, fere a tarde e faz do instante um excesso bom demais para fugir. VOZ MASCULINA Esse carmim corre em mim, feito chama no coração; teu pôr-do-sol não é paisagem, é promessa, é rendição, é silêncio em combustão. VOZ FEMININA E na formosura calma do ocaso chega a noite de pés mansa, como quem beija devagar a última luz que descansa no colo do horizonte. VOZ MASCULINA E eu anoiteço contigo, sem medo, sem resistência; se o sol morre no teu céu, em mim renasce em permanência um amor que não pede manhã. AMBOS (em uníssono) Porque quando o pôr-do-sol se acaba, não termina o que em nós se acendeu: há poentes que são começos, há céus que cabem num beijo — no pôr-do-sol do teu céu.

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