sábado, 22 de setembro de 2018

PROFUNDA INTERROGAÇÃO






PROFUNDA INTERROGAÇÃO
Mãos marcadas por manchas senis
Sem cansaço, sem amarguras,
A revelar os anos vividos,
Nessa derradeira jornada,
Que chega sorrateira, fatigada, exaurida...

“E isso não é coisa de outro mundo:
é o que dá sentido à vida...”

Na cadência do tempo
Em perfomance de beleza,
“Não sei
se a vida é curta
ou longa demais...”

Marilândia

COSTURANDO POESIA




“Sou discipulada do Jovem Galileu”
Iza Klipel
_________________

E
Meus Sonhos e Visões e Poemas
Numa ressumbra lenta
Sob candidez de aromas
Dão-me ,
Através de cânticos, de rezas,
O Bem, 
Que
Transparente, fúlgido, radiante,
Eleva-se aos espaços, 
Incensos aromáticos desatando...

Outrossim,
Tudo em saudade
Nos meus olhos vaga,
A cantar e a florir
Melancolias de outra eras...

Marilândia

MISTÉRIOS MUDOS




MISTÉRIOS MUDOS

Nos estertores duma agonia lenta,
Vivendo a vida de quem vai sonhando,
Não busco saber o in_evitável...

“Não sei se a vida é curta”,
Tampouco
Se nos astros do céu se cristaliza...

Porém,
Enquanto a adversidade
Não dribla tua vida
“Que seja intensa,
Verdadeira e pura.”


Marilândia

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

MOTE 153





MOTE 153

“Cantares do sem-nome e de partidas”, publicado em 1995 por Massao Ohno, é o último livro de poesia de Hilda Hilst.
_______________



OLHOS DA SAUDADE

Embora
As estrelas te sigam em cortejo ardente
“Que o olhar não se perca nas tulipas”,
Pois aos olhos da saudade,
Ali é pequeno o mundo!

Entretanto,
A imaginação que se perde na orgia
Impõe o seu império ao absurdo
Arrastando-lhe a razão em rebelde turbilhão...

Marilândia




COSTURANDO POESIA





“Continuam a vida nômade no mar...”
Jô Tauil

A seguir in_dolentes, a deslizar...

E.
Por sobre o convés,
Alados viajantes exilados na Terra
Para além dos confins, muito além do horizonte...

Vão sorvendo como um puro e divino licor
Triunfantes sons, os perfumes e as cores,
Sulcando as ondas numa in_dizível voluptuosidade,
Tais quais aos seus apetites ávidos de desejos!

Marilândia

IRONIAS SACROSSANTAS



IRONIAS SACROSSANTAS


Sob a guarda (im) piedosa e muda das Esferas,
Ao mesmo tempo eternamente presa,
E ao mesmo tempo proclamando estrelados rumos,
Engrinaldados de i_mortais loureiros...



Lembrando as religiões,
Lembrando os ritos,
Dentre o celeste pálio majestoso
Em ironias sacrossantas,
Pela primeira vez,
À luz mais pura,
E no mais profundo borbulhar latente,
Nessa diluente espiritualidade,
Certos mistérios desvenda...


Marilândia

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

COSTURANDO POESIA





“Sem dar a causa como perdida...”
Jô Tauil


Asim,
Vai a andar, sem queixumes, estoica,
Dizendo à própria dor
Que sempre a fez alada:
Tenho na alma a fulgir
 Um céu onde germina o furacão...

Ah! 
Que nobre história
Lê-se em seu olhar profundo...

Porém,
Na festa desta Vida algo nela deve arder!

Marilândia