sexta-feira, 31 de julho de 2026

COSTURANDO 30 DE JULHO

Jô Tauil _______________________ És lírio branco em meu jardim secreto; És a canção da eterna permanência Que ecoa em meu silêncio mais completo. Na noite azul bordada de estrelas, Procuro o rastro leve do teu olhar; E encontro, entre as sombras mais singelas, A tua alma a me iluminar. És a saudade em pétalas des_feitas O perfume que ficou pelo caminho; És a chama das horas im_perfeitas Que aquece o meu inverno tão sozinho. Meu coração cansado, peregrino, Guarda teu nome em sagrado relicário E segue, sob o encanto do destino, Amando o im_possível e o necessário. Nem a distância, nem o tempo frio Conseguem apagar tua claridade, Pois és, no meu profundo desvario, A flor eterna da minha saudade. E quando a lua beijar o horizonte, E o último suspiro vier me chamar, Serás a estrela sobre a velha ponte Que ainda me ensina a amar. Marilândia

COSTURANDO 31 DE JULHO

“Que a ibérica fênix renasce das cinzas” Jô Tauil __________ Num voo de ouro sobre o céu da despedida… Traz no peito o fulgor das esperanças findas, E faz da própria morte o berço de outra vida. Assim também re_nasço entre sombras perdidas, Quando a dor me desfolha o sonho mais secreto… Cada lágrima minha, em silêncio vertida, É pérola que o tempo devolve ao meu afeto. Nada se perde, Amor, se a alma ainda suspira, E toda a chama vencida em nova chama expira. O beijo que não veio, a palavra calada, Dormem apenas, não morreram na jornada. Há destinos escritos na luz das madrugadas, Que nem o frio do adeus consegue apagar. São estrelas fiéis, eternamente aladas, Chamando-nos, baixinho, para re_começar… Se fui cinza um instante, hoje sou claridade… Se fui pranto, hoje canto a eterna mocidade. Porque amar é vencer o tempo e seus espinhos… É transformar desertos em floridos caminhos É morrer, quando chega a derradeira hora, É apenas renascer… para amar outra aurora. Marilândia

quarta-feira, 29 de julho de 2026

DESABAFO KAKÁ

"Foi um momento muito difícil (o divórcio) na minha vida, porque foi inesperado. Realmente me pegou de surpresa, e isso mudou tudo. Muda a relação que terei com meus filhos. Eles vão morar longe. Como será isso? Todas essas dúvidas sobre como as coisas serão são a pior parte nessa situação. Mas, aos poucos, as coisas vão acontecendo e se encaixando. Para mim, foi realmente um exercício mental separar as coisas. Eu tinha meu compromisso com o clube. Precisava manter o profissionalismo e cumprir minhas responsabilidades, ao mesmo tempo em que lidava com um problema pessoal. Isso me ajudou a entender muitas coisas e a me tornar mentalmente mais forte. Muitas vezes, eu ia para o treino movido pelo senso de obrigação e compromisso, pois havia dias em que eu não queria estar lá; o que eu queria mesmo era estar com meus filhos. A gente lida com uma série de situações pelas quais precisa passar, mesmo sem querer. Foi uma experiência difícil, mas que me fez amadurecer muito." #kaka

COSTURANDO 29 DE JULHO E MAIS 3 VERSÕES

"Deixemos sobre o mármore o coração" Jô Tauil __________________________________ Qual lírio branco ao pé do esquecimento... Que a pedra embale, em muda compaixão, O doce e longo adeus do sentimento. Amar foi transformar a própria vida Num cálice de lágrimas e estrelas; Foi dar à noite a luz desconhecida E às mãos do sonho a graça de colhê-las. Se a morte vier com seu luar de espuma, Há de encontrar-nos presos num só beijo, Feitos perfume de uma branca bruma. Pois nada vence o fogo do desejo, Quando uma alma na outra se resume E Deus consagra o amor no seu lampejo. Marilândia OUTRA VERSÃO Deixemos sobre o mármore o coração, Como um sacrário aberto ao desalento; Que a pedra guarde, em muda comunhão, As cinzas luminosas do tormento. Despe-me a alma... Não o corpo apenas; Há véus mais nus que a seda e o linho fino. Quero beijar-te as mágoas mais serenas Como quem unge um santo peregrino. Em teus cabelos dorme a noite inteira, Perfumada de mirra e de jasmim; E a Lua, pálida monja derradeira, Reza silenciosamente por mim. Nos teus braços esqueço a própria morte, Que se ajoelha humilde ao nosso ardor; Pois há um destino mais profundo e forte Que o breve império efêmero da dor. Se o mundo nos condena, pouco importa; Nunca entendeu o incêndio de quem ama. Há uma eternidade em cada porta Que se abre ao sopro de uma única chama. Quando o silêncio enfim nos envolver, E o tempo desfizer toda ilusão, Hão de os anjos curvar-se para ler O nosso amor gravado no mármore do coração. Deixemos sobre o mármore o coração, Como um cálice exausto de ternura; Que a pedra beba a última ilusão E faça da saudade uma escultura. Não chores... Cada lágrima perdida É pérola que o sofrimento cria; Quem ama entrega, inteira, a própria vida Ao altar secreto da melancolia. Beija-me ainda, à beira do abandono, Como se o mundo fosse terminar; Há um céu de cinzas sobre o nosso outono, Mas outro céu insiste em nos chamar. Que importa se a esperança se fez breve? Se a noite veste os lírios de negrume? O amor, quando é divino, nunca deve Temer o inverno nem perder perfume. Se a morte vier, que venha docemente, Vestida com teu rosto e teu calor; Pois morrerei sorrindo, serenamente, Se em teus braços repousar o meu amor. E quando o tempo apagar nossa memória, Florirão jasmins sobre a solidão; Porque nenhum destino vence a glória De quem deixou, no mármore, o coração Deixemos sobre o mármore o coração, Como quem depõe um lírio ao esquecimento; Que o frio da pedra guarde a paixão Que já não cabe no peito nem no pensamento. Se o beijo morreu nas dobras da saudade, Ainda perfume há nas rosas do sofrer; Pois quem amou conhece a eternidade Mesmo quando aprende, em silêncio, a morrer. Trazes nos olhos a luz do meu destino, E eu trago nos meus a noite que ficou; Entre nós canta um distante desatino Que nem o tempo, impiedoso, sepultou. Ama-me ainda, embora seja tarde, Embora o outono desfolhe a nossa flor; Há cinzas que ocultam um incêndio que arde Com mais fervor que o primeiro amor. Deixemos sobre o mármore o passado, Como um rosário de lágrimas sem fim; Que Deus recolha este sonho abandonado, E faça nascer outro céu dentro de mim.

terça-feira, 28 de julho de 2026

COSTURANDO 28 DE JULHO

Jô Tauil ________________________ Como um rosário de luar sobre o infinito; Neles repousam os meus sonhos submersos, E o teu nome, em silêncio, é meu rito. Não foste acaso… Foste a antiga promessa Que Deus guardou nas dobras da amplidão; A estrela que, na noite mais espessa, Veio acender o altar do coração. Amei-te antes da aurora dos meus dias, Quando a esperança era um jardim sem flor E o tempo, ajoelhado às fantasias, Consagrou-nos ao mesmo e eterno amor. Se a saudade me cobre de neblina, É para ver-te mais além da dor; Toda distância se transforma em sina Quando se ama com tamanho ardor. Que importa ao mundo o efêmero caminho, Se as almas reconhecem sua origem? És vinho antigo no meu pobre vinho, És a verdade que os meus sonhos exigem. E quando o último crepúsculo descer, Fechando as portas deste breve chão, Hei de encontrar-te num eterno amanhecer, Onde o amor será a única oração. Marilândia

segunda-feira, 27 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 27 JULHO

Jô Tauil _____________________ Como a aurora que desperta o mar profundo; Serás perfume derramado no outono, E o eterno verso que embriaga o mundo. Hei de buscar-te nas estrelas tardias, Onde a saudade faz morada sem fim; Vestirei de luar as noites vazias, Para que regressem teus passos a mim. Se o tempo apagar as flores do caminho, Plantarei rosas na areia do destino; Porque o amor, quando é puro e verdadeiro, Jamais se curva ao rigor do desatino. Mesmo que a vida me negue teu abraço, Guardarei teu nome em meu peito, em segredo; Pois há um altar escondido no cansaço Onde a esperança jamais conhece o medo. E quando enfim repousarem nossas dores, Além da névoa que encobre o infinito, Renasceremos, unidos, entre as flores, Como dois astros no silêncio bendito. Marilândia

domingo, 26 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 26 JULHO

Jô Tauil _______________________ Como se o amor vencesse a própria morte… Seremos a chama acesa e sempre pura, Desafiando o tempo, o acaso e a sorte. Cada verso será um beijo re_nascido, Sobre os lábios da saudade em oração, E o mundo ouvirá, num silêncio comovido, O eterno pulsar do nosso coração. Se as rosas perderem o viço da alvorada, Nossa alma lhes dará novo esplendor, Pois quem ama deixa a vida iluminada Com o in_finito perfume do seu amor. Não haverá distância que nos vença, Nem inverno que nos roube a floração… A esperança será sempre a recompensa Dos que fazem da ternura a sua canção. Quando fecharem nossos olhos para a terra, Abriremos estrelas no azul da amplidão, E em cada página que um leitor descerra, Voltaremos a viver na emoção. Porque os poetas jamais encontram fim: Morrem os corpos… nunca o que escreveram. Floresceremos eternos, enfim, Nos corações de todos que nos leram. Marilândia

QUANDO A ÚLTIMA PORTA SE ABRIR

Quando a Última Porta se Abrir Um dia a gente vai embora. Sem alarde, sem aviso, como a tarde que lentamente se desfaz no horizonte ou como uma folha que o vento desprende do galho sem fazer ruído. E, de repente, compreenderemos que nunca fomos donos de nada. A casa permanecerá de pé. As janelas continuarão acolhendo o sol das manhãs. As flores tornarão a desabrochar na primavera, indiferentes à nossa ausência. As roupas guardarão, por algum tempo, o perfume da nossa existência. Os livros conservarão entre as páginas as marcas dos nossos dedos. A poltrona vazia ainda parecerá esperar por nós. Mas a vida, serena em sua sabedoria, seguirá adiante. Então descobriremos que o verdadeiro patrimônio jamais coube em cofres, gavetas ou escrituras. Nossa maior herança será a ternura que espalhamos, a esperança que reacendemos em alguém, o perdão que oferecemos quando era mais fácil guardar a mágoa, a mão estendida quando o outro acreditava estar sozinho. Não seremos lembrados pelo ouro que acumulamos, mas pelo brilho que deixamos nos olhos de quem encontrou em nós um abrigo. Porque as palavras de amor nunca morrem. Os gestos de bondade não conhecem sepultura. Eles continuam vivendo silenciosamente na memória daqueles que um dia tocaram nosso coração. Talvez alguém, muitos anos depois, pronuncie o nosso nome com um sorriso humilde e diga: "Como era bom tê-lo por perto..." E, nesse instante, teremos vencido o tempo. Pois a morte pode levar a nossa voz, pode silenciar nossos passos e fechar para sempre os nossos olhos. Mas jamais conseguirá apagar a luz de uma alma que fez da própria existência um caminho de amor. Um dia a gente vai embora... Que, quando esse dia chegar, não reste apenas a saudade. Que permaneça a doçura da nossa passagem. E que Deus permita que, onde houver uma lembrança de nós, também floresça um motivo para agradecer.

sábado, 25 de julho de 2026

COSTURANDO 25 JULHO

“Nossos escritos são filhos gerados no mesmo fervor” Jô Tauil ________________________ Nascidos do incêndio secreto que alimenta a alma. Trazem no peito o perfume antigo da dor, E nos olhos a claridade de uma eterna calma. Cada palavra é um beijo que o silêncio bendisse, Cada verso, um soluço vestido de luar. Quem os lê talvez jamais adivinha o que existe No abismo onde aprendemos, sorrindo, a chorar. São filhos do impossível, do sonho e da ausência, Do amor que se perdeu sem nunca fenecer. Vivem da doce loucura e da terna paciência De quem fez do sofrer um outro renascer. Quando o tempo apagar nossas frágeis pegadas, Hão de ficar, serenos, à beira da memória, Como rosas de luz nas estradas caladas, Escrevendo em silêncio a nossa própria história. Pois morre a carne… jamais a canção verdadeira; O coração se despede, mas a voz permanece. E, enquanto houver um olhar que sonhe à sua maneira, Nossos escritos viverão… porque o Amor não perece. Marilândia

sexta-feira, 24 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 24 DE JULHO

"Mas que ultrapasse todos os mistérios do coração." Jô Tauil ________________________________________ E beba, em silêncio, o vinho oculto da saudade... Que rasgue a noite em lânguida oração, Vestindo a alma de infinita claridade. Que seja amor, ainda que ferido, Como um lírio tombado sobre o luar, E que, no mais profundo do gemido, Aprenda, enfim, a doce arte de amar. Quero um beijo feito de eternidade, Um sonho que desfaça o próprio fim; Quero perder-me em tua mocidade, Para encontrar o universo dentro em mim. Se o destino bordar espinhos frios, Farei de cada dor um ramo em flor; Pois até os mais escuros desafios Se rendem ao perfume de um amor. E quando a vida apagar sua canção, Restará, entre as cinzas da memória, Aquilo que venceu toda a razão: O nosso amor — eterno, além da história. Marilândia

COSTURANDO DIA 23

“Não existe vencido nem vencedor” Jô Tauil _______________________ Quando o amor se desfaz sem fazer ruído… Há somente o silêncio e sua estranha cor, E um jardim de sonhos para sempre adormecido. Perde quem fica… perde quem vai embora, Porque ninguém regressa ao que já morreu; Cada adeus leva um pedaço da aurora, E um pouco do céu que em nós floresceu. Amar é colher rosas entre espinhos, É beber o mel misturado ao fel; É caminhar por incertos caminhos Com a alma erguida num secreto vergel. Se as mãos se apartam, ficam as lembranças, Como estrelas velando a escuridão; Vivem de saudade as antigas esperanças, Feitas de cinza, perfume e canção. Não há triunfo onde o afeto termina, Nem derrota em quem soube bem querer; Só o tempo, essa força peregrina, Ensina que amar… é também perder. Marilândia

terça-feira, 21 de julho de 2026

21 de julho costurando

“Não devemos voltar… Eis a nossa plenitude!” Jô Tauil _________________________ Que o ontem se dissolva em névoas sobre o mar.. Nenhuma flor renasce à antiga juventude, Nem torna ao mesmo ninho a estrela a cintilar. Guardemos, sim, as cinzas como um santo relicário, Mas deixemos o vento espalhá-las pelo céu, Pois o destino não escreve o mesmo itinerário, Nem veste duas vezes o seu místico véu. Há um clarão secreto além de cada perda, Um jardim in_visível que floresce na dor… É quando a alma, enfim, da própria sombra acorda E aprende a transformar saudade em novo amor. Não chores pelo sonho que morreu na madrugada… Os lírios da esperança desabrocham sem ruído. Toda despedida é uma ponte iluminada Para um infinito ainda desconhecido. Não devemos voltar… Caminhemos para a altura! Que o coração se faça ave, horizonte e clarão. Pois só alcança a eterna e luminosa formosura Quem faz da própria ausência a sua redenção. Marilândia

segunda-feira, 20 de julho de 2026

20 DE JULHO COSTURANDO

“Fujo de vez da arena dos amantes…” Jô Tauil ____________________ Onde o desejo veste a dor de flor… Levo nos olhos céus agonizantes, E no meu peito um infinito amor. Cansei das mãos que juram e desatam, Das promessas levadas pelo vento. Há beijos que, ao nascer, já se maltratam, Feitos de sombra, espuma e desalento. Prefiro o silêncio das estrelas frias, Que nunca mentem à alma peregrina; Elas conhecem todas as agonias De quem fez do sofrer sua doutrina. Mas, se um amor surgir puro e tardio, Com voz serena e coração sem véu, Talvez eu abra o meu jardim vazio À luz dourada que desça do céu. Porque o amor, quando é verdade inteira, Não pede máscaras, nem glória, nem coroa; É um lírio que floresce na fogueira E faz da própria dor a vida que abençoa. Marilândia

sábado, 18 de julho de 2026

COSTURANDO 15 DE JULHO

Jô Tauil _______________________ Fiz do meu peito um sacrário de ilusões perdidas. Pedi ao mar que aprendesse a não mais naufragar, E às noites sem luar, que se vestissem de vidas. Quis colher astros nas árvores do destino, E beber na ausência o vinho da afeição. Mas o amor, esse mendigo peregrino, Deixou cinzas perfumando o coração. Ai de mim, que sonhei jardins sobre o deserto, E fiz do pranto um rosário de luar! Nunca percebi que o mais distante afeto Jamais se curva ao desejo de ficar. Hoje caminho entre sombras e saudades, Com as mãos vazias de promessas e de flor. Mas ainda acendo estrelas nas tempestades, Porque morrer de esperança é viver de amor. Se um dia Deus me perguntar por que sofri assim, Direi, sem mágoa, de joelhos aos Seus pés: — Eu apenas quis fazer do infinito o meu jardim… E amei com um coração maior do que a vida me fez. Marilândia

COSTURANDO 16 DE JULHO

Jô Tauil ______________________ Há contas exatas, mas não há desatino. E eu prefiro a vertigem ao cálculo frio, O abismo dourado onde teu nome é destino. Que importa se a razão me chama in_sensata Se é tua ausência quem governa o meu viver? Toda a prudência é cinza que se desfaz Quando teus olhos me ensinam a renascer. Amei-te sem mapas, sem astros, sem porto, Como ama o mar a lua in_alcançável, Como a rosa oferece o perfume ao vento Sem perguntar se o instante é durável. Se amar é perder-se, bendita a derrota, Pois só quem se perde encontra a eternidade. Meu coração fez do im_possível morada, E da saudade, um templo de claridade. Que a vida sorria dos meus desvarios: Nunca o amor coube nas mãos da razão. Ele é chama, é prece, é lágrima e delírio, E só vive inteiro no in_finito do coração. Marilândia

COSTURANDO 18 DE JULHO

Jô Tauil ______________________ Ardendo como astros que ninguém pode alcançar. Tua voz é o vinho que minha alma tanto ama, E em teus silêncios volto sempre a naufragar. Trazes nos olhos a noite e a madrugada, Misturando o infinito ao perfume da ilusão… Cada carícia é uma estrela desfolhada, Caindo, lenta, sobre o meu pobre coração. Se amar é perder-se, perdi-me por inteiro, Sem receio do abismo ou da dor que há de vir, Pois quem bebe do amor bebe um céu verdadeiro, Mesmo sabendo que também pode morrer. Somos dois vendavais beijando a mesma aurora, Dois rios sem margens buscando o mesmo mar… E o tempo, ciumento, nos separa hora a hora, Mas não consegue o nosso incêndio apagar. Que venha a saudade com seu manto de neblina, Ainda assim teu nome será minha oração, Porque o amor, quando é eterno, não termina: Transforma-se em eternidade dentro do coração. Marilândia

terça-feira, 14 de julho de 2026

COSTURANDO POESIA DIA 14 DE JULHO

"O amor colore nosso espaço com eróticas fantasias..." Jô Tauil _______________________________________ E veste a tarde em sedas de rubi e de luar... Nos teus olhos desfolham-se as mais doces alegrias, Como rosas que aprenderam, enfim, a suspirar. Teu sorriso é um jardim onde o meu sonho floresce, E a tua voz, uma harpa que embriaga o coração... Cada beijo é uma estrela que na minh'alma amanhece, Acendendo eternidades na fugaz contemplação. Somos dois peregrinos da mais secreta quimera, Dois perfumes confundidos na essência de uma flor... O tempo curva a fronte diante da primavera Que desabrocha in_finita sob o império do amor. Se o destino nos dispersa nas estradas do in_finito, Levarei teu nome escrito nas paredes do meu ser, Porque amar é transformar cada lágrima em um rito, Onde a dor aprende, humilde, a renascer e a viver. E, quando a noite estender seu negro e manso véu, Buscarei tua presença nas estrelas do silêncio, Pois teu amor fez da Terra um delicado céu, E da minha pobre alma o mais sagrado sacrário sombrio. Marilândia

segunda-feira, 13 de julho de 2026

COSTURANDO 13 DE JULHO

“E que viver não passa de preparação” Jô Tauil _____________________ Para um jardim que o tempo não desfolha, Onde a saudade perde a sua mão, E a dor, enfim, em doce luz se banha. Trago no peito um céu de despedidas, E um mar de sonhos que não naufragou… As esperanças, tantas vezes feridas, São aves que o infinito libertou. Se a noite veste o mundo de tristeza, Acendo estrelas com o meu sofrer; Pois cada lágrima, em sua delicadeza, É uma semente oculta do viver. Não temo o fim, mas a beleza ausente De um coração que nunca soube amar… Prefiro a chama breve e transparente Ao gelo eterno de não se entregar. Quando eu partir, que o vento me conduza À paz que sempre procurei alcançar, Pois toda alma que o Amor eterniza Nasce outra vez… apenas para amar. Marilândia

domingo, 12 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 12 DE JULHO

Jô Tauil __________________________ Mas em meu peito a tarde veste um lilás de agonia… Há sinos a dobrar por esquecidos verões, E um crepúsculo antigo desfalece em nostalgia. Trago nas mãos o pó das ilusões desfeitas, Como quem colhe cinzas onde esperava flores… As horas, lentamente, em procissões perfeitas, Vão sepultando os sonhos sob mantos de dores. Ó Amor, peregrino das estradas do im_possível Por que pousaste em mim tuas asas de luar? Fizeste do meu peito um sacrário in_visível E partiste, deixando apenas o teu faiscar… Agora beijo a noite como se fosse irmã, E converso com astros de olhar silencioso… Cada estrela me empresta um pouco da manhã, Que não chega jamais ao meu jardim saudoso. Contudo, se um dia voltares, docemente, Encontrarás em mim a mesma flor rendida: A que morreu mil vezes, mas guardou, paciente, A estranha eternidade de quem amou a vida. Marilândia

sábado, 11 de julho de 2026

COSTURANDO 11 DE JULHO

Jô Tauil ________________________ Das cinzas frias das tardes vencidas, como quem veste o silêncio de estrelas e faz do pranto um jardim de partidas. Erguia-nos a esperança, delicada, qual lírio branco beijando o luar; e a alma, de saudade iluminada, aprendia novamente a sonhar. Se a vida nos rasgava as vestes puras, bordávamos constelações na dor; fazíamos das noites mais escuras um relicário aceso pelo amor. Porque há destinos feitos de renascimentos, como aves que desafiam o infinito; e os ventos, com seus ásperos lamentos, não calam o coração quando é bendito. Sempre… Sempre nos erguia! E, afinal, até a ausência se curvava à luz; pois quem ama transforma o temporal na eterna primavera que seduz. Marilândia

sexta-feira, 10 de julho de 2026

COSTURANDO 10 DE JULHO

Jô Tauil _______________________ Quando a manhã lhes borda o céu de luz, Há nos seus voos cânticos sozinhos Que a própria eternidade enfim seduz. Não pedem ouro às árvores floridas, Nem fazem do possuir o seu altar; Vivem de breves, luminosas vidas, E sabem, mesmo em queda, ainda amar. Quem dera eu ter as asas que eles têm, Para pousar no ramo do teu peito, Fazendo do silêncio o meu além, E do teu nome o meu sagrado leito. Mas trago em mim um coração humano, Tão feito de saudade e de distância, Que transforma o mais doce dos enganos Na mais cruel e eterna circunstância. Ainda assim, se o amor me der caminho, Seguirei como segue a ave o vento: Com um uni_verso inteiro no carinho E Deus cantando dentro do momento. Marilândia

quinta-feira, 9 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 9 DE JULHO

“Não conservemos olhos rançosos para o mundo” Jô Tauil __________________________ Que o mundo é um jardim de lágrimas em flor… Há lírios a nascer no abismo mais profundo, E astros desfalecendo à espera de um amor. Não negues à manhã o beijo da esperança, Nem deixes que o sofrer te endureça a emoção; Toda sombra adormece ao colo da bonança, Quando a luz faz do peito um ninho de canção. Se a vida nos desfolha as rosas do caminho, Há pétalas ocultas no ventre do luar; Nenhum destino é pobre quando o doce carinho Consegue transformar o pranto em alto-mar. Olhemos cada adeus como um berço de chegadas, Cada inverno, um ensaio para a primavera em flor; As almas que padecem e seguem perfumadas Aprendem com a ausência o idioma do amor. Não conservemos olhos fatigados de tristeza… Que o coração renasça em cada amanhecer. Só alcança o infinito quem faz da própria fraqueza Uma ponte de estrelas para o eterno viver. Marilândia

terça-feira, 7 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 7 DE JULHO

"Pobre flor! Pobre Maria!" Jô Tauil ________________________________ Quem te desfolhou na primeira alvorada? Quem fez da tua doce fantasia Uma estrela triste, no céu exilada? Teus olhos guardavam o azul das distâncias, Onde o amor repousa sem nunca morrer; Mas o tempo, ladrão das puras infâncias, Levou-te os jardins que sonhavas colher. Ficou-te nas mãos um punhado de vento, E nos lábios, a sede das juras caladas; Cada beijo ausente tornou-se lamento, Cada noite, um rosário de luas veladas. Contavas às rosas teus íntimos ais, E elas choravam orvalhos contigo; Até as estrelas, dos altos umbrais, Faziam do céu teu secreto abrigo. Se amar é perder-se em divina loucura, Tu foste a mais bela das almas em flor; Transformaste a dor em eterna ternura, E a lágrima humana em perfume de amor. Dorme, Maria, no seio da aurora, Que o Céu faz de ti sua rosa mais pura. Marilândia

segunda-feira, 6 de julho de 2026

DIA 6 DE JULHO

“Achando que só existe essa vida” Jô Tauil ______________________ Guardei meu céu nas dobras do teu peito, Fiz da esperança a minha despedida, E do teu beijo o meu sagrado leito. Mas veio a noite abrir seus véus de bruma, Vestindo a lua com saudades minhas… Cada estrela era uma lágrima de espuma, Florindo em silêncio as velhas campinas. Se tudo morre, o amor não morre, não! Transfigura-se em perfume e claridade; É ave que regressa ao coração, Depois de atravessar a eternidade. Quero seguir-te por jardins suspensos, Onde os jasmins adormecem ao luar, Colher dos astros os segredos imensos, Que Deus semeou nas ondas do amar. E quando o tempo se desfizer em flores, E o mundo for apenas lembrança e vento, Hei de encontrar-te além de todas as dores, Com a alma vestida de encantamento. Porque quem ama vence a própria morte, E faz do infinito a sua primavera. Marilândia

domingo, 5 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 5

“Agora adormece no bosque comigo” Jô Tauil _______________________ Pois a noite acendeu violetas no ar, O céu desfolhou seu manto antigo Para nos ensinar o verbo amar. Repousa a cabeça em meu colo de bruma, Enquanto o luar penteia teu cabelo; Cada beijo é uma ave que perfuma As rosas escondidas do meu anelo. Escuta… os pinheiros rezam baixinho, Como monges perdidos na amplidão; E o silêncio, descalço pelo caminho, Vem beber o vinho da nossa paixão. Se as folhas caírem, serão cartas Que o outono escreveu para nos unir; Se as sombras chorarem, serão asas fartas De sonhos que recusaram partir. Amanhã talvez desperte o uni_verso, Mas nós seremos eternidade em flor; Dois astros escondidos num só verso, Dois corações vencendo a morte pelo amor. E, se Deus passar por este arvoredo, Há de sorrir ao ver nossa ventura: Porque o amor, quando adormece sem medo, É a mais perfeita oração da ternura. Marilândia

sábado, 4 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 5 DE JULHO

“Com poetas encantados pelos monumentais efeitos” Jô Tauil ______________________ Ergui meu sonho às torres do im_possível clarão; Teci de luas mortas os meus pobres eleitos, E fiz da tua ausência a minha religião. Há cisnes a morrer nos lagos do meu peito, Há rosas desfolhando o aroma do luar; E um sino de saudade, doloroso e perfeito, Não cessa, noite e dia, de por ti soluçar. Os astros, fatigados de iluminar a Terra, Recolhem-se ao meu pranto em procissão de véus; Enquanto a minha alma, em silenciosa guerra, Procura o teu sorriso na distância dos céus. Que importa se o destino me coroou de espinhos, Se cada espinho guarda um lírio por nascer? As lágrimas também conhecem seus caminhos Quando procuram, cegas, uma razão de viver. E, se um dia eu tombar nas mãos da Eternidade, Levarei sobre os lábios teu derradeiro nome; Pois quem amou assim transforma a própria saudade No pão de luz que alimenta a fome. Então serei poema, perfume e estrela acesa, Dormindo para sempre no jardim da Beleza. Marilândia

sexta-feira, 3 de julho de 2026

COSTURANDO POESIA

“O poeta que ela busca já não existe” Jô Tauil _________________________ Morreu de tanto sonhar o im_possivel. Deixou nos lírios a voz que lhe vestia, E às tardes confiou seu pranto in_visível. Agora o vento soletra o seu nome Nas folhas pálidas dos salgueiros em flor; E a lua, viúva de antigas promessas, Acende estrelas sobre a cinza da dor. Ela percorre jardins sem memória, Colhendo perfumes que o tempo esqueceu; Beija as ruínas das velhas quimeras, Como quem chama um adeus que morreu. Mas todo amor renascido em saudade Faz da ausência um altar de luar; E os mortos, quando amaram verdadeiramente, Nunca terminam de nos visitar. Talvez o poeta habite o silêncio, Vestido de névoa, de rosas e céu… E ela descubra, chorando baixinho, Que ele vive inteiro… dentro do amor que perdeu. Marilândia

COSTURANDO DIA 3 DE JULHO

"E recolho o meu melhor nas flores da alma" Jô Tauil _____________________________________ As que ninguém jamais soube colher; Trazem perfumes de infinita calma, E a eterna febre de quem quer viver. São lírios brancos, rosas doloridas, Que o pranto rega à luz de um sonho meu; Nascem de noites longas, consumidas, À espera do im_possível que Deus deu. Trago-as ao peito, em religiosa prece, Como quem guarda um céu dentro das mãos; E cada pétala, ao morrer, floresce No altar secreto das des_ilusões. Se o mundo passa, in_diferente e frio, Levo comigo um sol que não se apaga; Mesmo no inverno mais cruel e sombrio, Minha esperança é flor que não naufraga. E quando a noite me fechar os olhos, Vestirei de estrelas a minha saudade; Pois quem cultiva o amor entre os abrolhos Colhe eternidade em vez da brevidade. E recolho o meu melhor, serenamente, Nas flores da alma... onde Deus me fez nascente! Marilândia

quinta-feira, 2 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 1 DE JULHO

“Minhas águas vivas correrão para a morte se não chegares” Jô Tauil ___________________________ Como rios sem destino buscando um mar desfeito. A noite colherá meus lírios um a um, em silêncio, E deixará no vento o perfume do meu peito. Já não haverá astros bordando o azul da ausência, Nem luar suficiente para dourar minha dor; As horas, de joelhos, mendigarão teu nome, Como um templo vazio implorando pelo amor. Minha alma, ave ferida, perderá o rumo das nuvens, E pousará exausta nas urzes do jamais. As rosas beberão o sal dos meus olhos, E os jardins esquecerão que houve primavera atrás. Mas se vieres, amado, com teus passos de brisa, Renascerão em mim os pomares da emoção; Cada lágrima antiga será pérola acesa, Cada suspiro, um hino cantado pelo coração. Então serei a fonte onde Deus lava as estrelas, O cálice de auroras transbordando claridade; E aprenderá a morte, vencida pelo teu beijo, Que há amores mais eternos do que a própria eternidade. Marilândia

COSTURANDO POESIA DIA

"Só assim teremos argumentos para as possibilidades de sonhar" Jô Tauil ___________________________________ Quando a noite abrir em lírios o silêncio do luar; Quando o pranto for um rio de estrelas desatadas, Lavando as nossas almas de saudades condenadas. Só assim o amor será mais forte que o destino, E fará de cada espinho um caminho peregrino; Beijará as nossas sombras com ternuras de veludo, E dirá que o infinito cabe inteiro em nosso mundo. Hei de colher auroras no jardim dos teus abraços, Vestindo-me da luz que se derrama em teus espaços; E se a vida me negar o vinho das ilusões, Beberei teus olhos mansos, sacrário das paixões. Quero morrer em ti sem nunca deixar a vida, Como morre a primavera na roseira adormecida; Pois amar é ser incêndio consumindo a própria dor, É fazer da cinza estéril um renascimento em flor. Só assim teremos sempre um céu para acreditar, Mesmo quando a tempestade nos quiser desabrigar; Porque quem ama transforma o impossível em altar... E deixa a Eternidade florescer dentro de nós. Marilândia E vive o eterno milagre das possibilidades de sonhar. E faz da nossa esperança uma estrela sem morrer. (delicado e luminoso) E aprende que o infinito começa em nosso olhar. (mais metafísico) E faz do amor um céu que nunca chega ao fim. (romântico e musical) Onde até Deus se demora a escutar o coração. (espiritual e intenso) E deixa a Eternidade florescer dentro de nós. (muito florbeliano) Porque só ama deveras quem renasce em cada dor. (mais dramático) E escreve em cada beijo o destino de viver. (apaixonado) Como se a alma encontrasse o seu verdadeiro lar. (n