terça-feira, 26 de maio de 2026

COSTURANDO DIA 26 DE MAIO

“Sob um céu de acasos os sonhos estão minados” Jô Tauil ___________________________________ Como jardins de névoa em noites sem clarão. Há lírios de esperança entre os muros quebrados e um silêncio de adeus sangrando na amplidão. As horas vão caindo em círios apagados, na catedral sem voz do meu pobre coração; e os astros, um a um, cansados e exilados, morrem dentro da sombra em lenta procissão. Mas ainda guardo, entre ruínas e cansaço, a febre de te amar — derradeiro pedaço de luz que não morreu na cinza do viver. Porque até no abandono, austero e desmedido, há um perfume cruel, triste e desconhecido, que ensina a alma ferida a continuar sofrer. Marilândia

segunda-feira, 25 de maio de 2026

COSTURANDO DIA 25 MAIO

“Do reino que minha serenata queria inaugurar” nasciam luas de cetim sobre o teu nome, e a noite, em véus de sombra e de luar, bebia o sal secreto dos meus sonhos. Havia lírios mortos em meu peito, e um perfume de adeus pelas varandas; teus olhos eram fonte e eram deserto, meus passos, aves trêmulas e brandas. Eu te esperei nas torres do silêncio, com rosas negras presas nos cabelos, enquanto o vento, em lúgubre cadência, despetalava estrelas pelos dedos. Amar-te foi um vinho dolorido, taça febril de febres e agonias; meu coração, palácio consumido, ardia em ouro, incenso e maresias. Mas tu passaste, sombra entre ciprestes, sem recolher meu canto adormecido; e eu fiquei — flor de névoa entre tempestes — viúva eterna de um amor não vivido.5

sábado, 23 de maio de 2026

COSTURANDO DIA 23 MAIO

“A esperança de encontrar-te num poema” Jô Tauil ____________________________________ E, Nas harpas celestiais que pelos céus murmuram O bem supremo de esquecer o mundo, Na reescrita de cada coisa já escrita nas entrelinhas das coisas... Eis que exausta de fadiga e de sonhos, Em momentos de grande tédio e singular saudade, Guardo um mistério que envilece e eleva. Assim, No fundo in_formulado de uma vida, Venho, transfigurada e mais formosa Apalpar as líricas rodas do existir. Marilândia

sexta-feira, 22 de maio de 2026

RECEITA PARA PELE

Ingredientes: 1colher de sopa de Bepantol® (pomada) colher de sopa de Hipoglós® 5 gotas de vitamina A (Arovit®, opcional) 5 gotas de vitamina E (tocoferol, opcional (opcional) Algumas gotas de óleo de améndoas doces ou óleo de rosa mosqueta Bepantol®

COSTURANDO DIA 22 MAIO

“Só tenho saudade do perfume intocável da juventude” Jô Tauil __________________________ Daquelas manhãs em flor, de luz bordadas, Quando a vida era reza e plenitude E as horas passavam lentas, perfumadas. Era eu rainha de um reino de ilusão, Coroada de sonhos e de brisa, Guardava em mim uma estranha canção Que o tempo apagou com tanta cinza. Onde foi parar aquela menina louca Que acreditava no amor como num Deus? Que esperava o impossível — boca a boca — E erguia os braços nus para os céus? Agora sou apenas esta sombra fria, Que carrega o peso de um adeus sem nome, Mas dentro ainda arde aquela nostalgia Que queima como brasa, que consome. E sei que não voltam — ó cruel destino! — As rosas que morreram no jardim… Mas choro ainda, com um pranto feminino, O que fui um dia e não sou mais que um folhetim. Marilândia

quinta-feira, 21 de maio de 2026

MENSAGEM PARA KELLY

..., queria falar com você com todo carinho porque vou precisar devolver a compra que fiz 🥺 Fiquei até sem graça de tocar nesse assunto, porque gosto muito de você, admiro demais seu trabalho e sou muito grata por toda atenção e carinho que você teve comigo. Espero de coração que você me entenda e não fique chateada comigo. Obrigada mesmo pela paciência e pela compreensão 💛

quarta-feira, 20 de maio de 2026

COSTURANDO DIA 19

“Guardiães de um futuro que não chegou para nós” Jô Tauil ___________________________ Velamos na penumbra o sonho que ficou, Como quem guarda em cofres a memória de uma voz Que prometeu chegar — e nunca mais voltou. Somos feitos de esperanças que o tempo devorou, De manhãs que acenaram com luz entre as estrelas, De portas que entreabriam e o vento as arrastou, E de amores que foram borboletas belas. Que valem os nossos braços abertos para o ar Se o ar que nos envolvia se foi sem me dizer? Que vale o nosso anseio ardente de amar Se o amor é apenas a saudade do ser? Somos todos guardiães do que nunca possuímos, Reis e rainhas de um castelo erguido sobre o nada, Das promessas solenes que um dia repetimos À lua — essa senhora tão bela e tão cansada. Carregamos nos olhos o peso do que esperamos Nos lábios, o silêncio de tudo o que calamos No peito, uma ferida tão funda que preferimos Chamar-lhe de saudade — e fingir que não choramos… Guardiães de um futuro — que bela ilusão! O futuro é unicamente uma chama que a própria mão apaga. Marilândia

COSTURANDO DOA 20

“Num indescritível e prazeroso verso” Jô Tauil _________________________ Guardei o que meus lábios não disseram, As ânsias que nos sonhos se perderam E o amor que se fez eterno e controverso. Sou feita de tormento e de universo, De noites que em silêncio me liquefizeram De mãos que me tocaram e partiram E de um querer profundo e submerso. Vivo à beira do abismo, desejosa, Com a alma nua, trêmula e saudosa, À espera de um amor que não chegou. Sou carne, sou pecado, souvontade, Sou toda a dor, sou toda a tempestade, Sou o grito de tudo que se calou. Marilândia

segunda-feira, 18 de maio de 2026

18 DE MAIO 2026 COSTURANDO

“De tão doce fragrância revelada” Jô Tauil _________________________ Minha alma desperta, ferida e nua, como rosa que sangra sob a lua e se oferece ao vento — abandonada. Sou a noite que em si mesma se enleia, o perfume que fica quando a flor se vai, o eco de um amor que nunca cai mas vive na saudade que nos enfeia. Que delírio me envolve e me seduz? Que veneno tão doce me consome? Bendito o ser que sofre e que se consome na chama que é ao mesmo tempo cruz. Eu sou feita de anseios e de névoa, de beijos que jamais tocaram boca, de uma ternura louca que provoca o pranto — e ainda assim não me alivia. Mas há em mim, senhora desta dor, uma beleza torpe e soberana: a de saber que toda chaga humana é pétala caída de uma flor. Marilândia

18 DE MAIO 2026

“O meu próprio valor é o que agora emano” Jô Tauil _________________________ Como um perfume antigo abrindo-se em segredo; Já não mendigo estrelas ao céu desumano, Nem beijo sombras frias por medo. Trago nas mãos a febre das rosas tardias, E um luar de veludo dormindo nos cabelos; Meus olhos são navios de melancolias Que atravessam o silêncio dos castelos. Fui lágrima perdida em jardins de abandono, Ave ferida à beira das noites sem fim; Mas hoje há ouro triste florindo no outono Das ilusões que morreram dentro de mim. Meu peito é uma harpa de soluços profundos, Que o vento da saudade aprende a dedilhar; E os astros, escutando meus íntimos mundos, Curvam-se lentamente ao meu sonhar. Já não peço ao amor promessas impossíveis, Nem coroas de névoa, nem jardins irreais; Sou chama acesa entre ruínas sensíveis, Pois quem é luz em si, nem sombra pode apagar Marilândia

domingo, 17 de maio de 2026

21 de março 2026

___________________________ Que me ferem sem sangue, sem rumor, São as horas por ti não esperadas, O silêncio vestido de rancor. Sou a chama que morre abandonada, O jardim que ninguém mais quer colher, A palavra no ar — desabitada — E o nome que esqueceste de dizer. Que adianta ser bela, ser ardente, Se o teu olhar me passa indiferente Como vento que ignora a própria flor? Sou rainha de um reino que não existe, Mendiga de um amor que só persiste No fundo pobre e vão do meu clamor. Cada dia que passa é uma ferida, Cada noite um punhal que entra devagar, E eu, sempre eu — tão louca, tão perdida — A amar quem nunca soube me olhar. Arde em mim essa chama divina: Ser toda dor — e ainda assim, menina. Marilândia

11 de abril

Jô Tauil ______________________ Eu rasgo o véu do tempo com as mãos nuas, E bebo o mel amargo das luas Num êxtase que dói, profundo e denso. Sou feita de desejo e de silêncio, De noites que se abrem como grutas, De rosas que florescem entre lutas, De um amor que arde e nunca recompensa. Que importa o que me fere ou que me mata? A vida é este fogo que me trata Como brasa que queima e que fascina. Quero tudo — o céu, o mar, o vento! Quero ser o mais alto pensamento Que uma alma apaixonada imagina. Sou a Senhora do meu próprio pranto, Rainha coroada de saudade, Que chora em verso a sua imensidade E transforma a dor num acalanto… Dessarte, a morte, quando vier, será meu canto. Marilândia

13 de abril

________________________ Com dias feitos só de luz e ardor, Onde cada hora seja um oratório Que entoe, grave, o hino do nosso amor. Não me importam as leis do mundo vário, Nem os relógios frios sem calor — O tempo é teu sorriso solitário, É a tua mão que afasta a minha dor. Janeiro nasce quando me abraças, E o verão floresce nas tuas graças, Mesmo quando setembro traz a chuva. Ah! que me importa o mundo lá de fora, Se em ti encontro a lua, o sol, a aurora, E tudo quanto a vida nos renova? Os meses são suspiros que se perdem, As semanas são véus que nos cercam, Mas os instantes teus jamais se escondem — São chamas que em mim sempre recomeçam. Meu amor, sejas tu o meu alento, O único e eterno cronista silencioso da vida que sinto. Marilândia

17 de abril

______________________ Vaguei por labirintos que ninguém mais percorreu, Carregando nos ombros toda a minha perdição, Num mundo que sorriu — e depois me esqueceu. Sou feita de silêncio e de noites sem estrela, De mãos que se estendem e não tocam ninguém, De uma alma que grita dentro de uma janela Fechada para a vida e para o que ela contém. Que importa se o amor passou como a brisa fria? Que importa se os meus olhos já não sabem chorar? Eu sou toda a saudade, toda a melancolia, Uma vela que teima em não se apagar. Fui rainha de um reino que não tinha fronteira, Mendiga de um afeto que jamais encontrei, Andei por esta vida como quem não a espera, E perdi-me em mim mesma — e assim fiquei. Desabitada, sim — mas cheia de quem fui, De sonhos que morreram antes de florescer, Sou tudo quanto amei e tudo quanto fugi: Uma mulher que aprendeu a sobreviver sem viver. Marilândia

1 de abril

“Sonhos mortos, lavados e levados com sutileza” Jô Tauil ___________________________ Como pétalas que o vento arranca sem piedade, Fui tecendo de sombra e de beleza Os véus dourados da minha mocidade. Quis amar o impossível, quis ser toda — Ser o mar, ser a luz, ser o infinito — Mas a vida fechou-se porta a porta E restou-me este fundo de granito. Sou mulher e sou noite e sou lamento, Sou a voz que se perde no horizonte, Carrego nos pulsos o peso do tormento E bebo a própria dor como uma fonte. Que importa se os sonhos se desfizeram? Ainda tenho este peito que arde e chora, Ainda sangram as flores que morreram Nesta alma que o mundo nunca aflora. Morri tantas vezes que já sei morrer — E ainda assim, teimosa, volto à vida, Pois sou feita do anseio de viver E da dor mais perfeita e mais querida. Marilândia

15 DE ABRIL

Jô Tauil ___________________________ Rego teus silêncios com ternura, e planto em cada ausência uma canção que nasce da saudade mais pura. Mesmo que o sonho sangre em vão, e a noite vista luto na janela, há um luar que insiste, na contramão, em beijar minha dor tão singela. Trago nos olhos um pranto calado, feito de estrelas que não mais brilham, mas no meu peito, ainda encantado, teus passos na memória cintilam. Ah, se esse amor é sombra e desalento, por que floresce em mim como destino? Por que resiste ao tempo e ao vento, feito um suspiro divino? Mesmo que tudo se perca na ilusão, e o mundo negue esse sentir profundo, hei de guardar, na palma da mão, teu nome — eterno — além deste mundo. Marilândia

18 DE ABRIL

Jô Tauil _______________________ Eis que sou feita de sopro e de ardor, de mãos que tremem, lágrimas que miram o abismo fundo de um antigo amor. Não me esculpas em mármore frio, não me faças estátua nem altar — sou água viva, correnteza, rio, que não se pode prender nem refrear. Fui feita para o pranto e para a glória, para amar em excesso e em perdição, não para ser apenas uma história gravada em pedra sem palpitação. Os monumentos calam, eu proclamo! Os monumentos ficam, eu me vou — mas levo no peito aquele mesmo ramo de paixão louca que me traçou. Prefiro a chama breve ao eterno gelo, prefiro o voo ao mármore parado. Que me enterrem no vento — mais belo morrer amando do que ter eternizado. Marilândia

19 DE ABRIL

“Nem ao menos sabendo ao certo por que jogou” Jô Tauil ________________________ Lançou-me ao vento como pétala tardia, e eu, que era raiz de alguma eternidade, tornei-me instante na sua ventania. Fui queda leve, quase sonho desfeito, um eco doce num adeus que não se diz, fui sombra ardente no teu peito imperfeito, fui dor serena disfarçada de raiz. E ainda assim, em silêncio, te bendigo, como quem ama além do próprio sofrer, pois no abismo onde me deixaste comigo descobri versos que não ousava escrever. Ah, se soubesses do incêndio contido no gesto frio com que me abandonaste… era um universo inteiro adormecido que, sem saber, em cinzas transformaste. Mas sigo — flor que insiste em renascer — mesmo pisada pela mão do destino, pois quem aprende na dor a viver faz do pranto um cântico divino. Marilândia

21 DE ABRIL

Jô Tauil ________________________ Carrego o mundo inteiro numa dor, Sou a alma que grita e que inquieta, Assemelha-se ao espinho fundo, não a flor. Vivo presa em mim como uma fera, Que ruge e sangra e não se cala mais, Fui criada para a primavera E nasci apenas entre os glaciais. Que importa que me chamem de vencida? Eu sou a chama que não quer se apagar, Sou a mulher que quis viver sua vida E teve de morrer para sonhar. Beijo a lua e abraço o vento frio, Falo com as estrelas minha angústia, Tenho nos versos todo o meu desvio, Toda a minh’alma torta, louca e austera. E quando a noite cobre o meu tormento, Escrevo ainda — com o peito em brasa — Pois a poesia é meu único alento, E a loucura, minha única casa. Marilândia

24 DE ABRIL

“Essas são suas únicas algemas!” Jô Tauil ______________________ Palavras tuas, cruéis como o teu riso, Que me prendem ao mais fundo precipício E me tornam escrava dos teus poemas. São de ouro as correntes dos meus poemas São de luz, de luar, de paraíso — Mas algemas são sempre: o compromisso De amar-te além dos males e blasfemas. Quisera eu ser altiva, ser senhora De mim, do meu querer, da minha dor — Mas a tua voz, meu Deus, me transtorna! E assim me perco, ardente pecadora, Neste tormento imenso do amor: Livre por dentro — e tua até à aurora. Marilândia

25 DE ABRIL

_________________________ Dois destinos que o acaso uniu enfim. Que importa se o caminho foi torturado Se chegaste, por fim, até mim? Somos folhas que o outono desprendeu, Almas errantes, sedentas de amor, Cada um com o o peso que o vento reacendeu Confundindo com a dor e o fervor. Fui rainha de um reino que não existe, Tu, o rei de um sonho que morreu — E desta solidão profunda e triste Nasceu o que o silêncio nos concedeu. Ah, que importa perder-me se te encontro? Que importa o mar se há porto para ancorar? Todo o meu ser, que vive e que demonstro Só quer na tua voz se demorar. Levados pelo vento — que destino! Mas há um vento que nos faz chegar. Talvez o amor não seja mais divino Do que dois seres que pararam de voar. Marilândia

30 DE ABRIL

“Embora meio desmemoriados…” Jô Tauil ________________________ Guardamos ainda o cheiro dos teus cabelos, o peso dos abraços mal dados, o eco perdido dos nossos pesadelos. Havia em nós uma sede antiga de sermos amados além do que somos, de encontrar na dor que nos obriga, algum sentido nos passos que competimos. Fui tua, como a noite é do luar — entregue e vasta, sem bordas nem nome. E tu foste meu sem me encontrar, como a brasa que queima e que some. Mas que vale a memória que mente? Que vale o amor que não sabe ficar? Somos dois sonhos de água corrente, dois rios que nunca hão de se encontrar. Oh, quanta beleza neste morrer lento de quem amou demais e não soube dizer — apenas ficou o vago tormento e a saudade enorme de te rever. Marilândia

16 DE MAIO

Jô Tauil ________________________ A dor vestida de ilusão, Num beijo que guarda a verdade E que mente ao próprio coração? Fui rainha de um reino vazio, Senhora de um trono de areia, No meu peito ardia um fio De chama que o vento medeia. Amei com fúria e com delírio, Com a sede de quem perece, Cada abraço era um martírio Que a alma dobra e não esquece. Sou feita de noite e de anseio, De silêncios que ninguém lê, Carrego no fundo do seio Uma dor que só eu sei ver. E assim me perco e me encontro No espelho do que nunca fui — O amor que busco e que confronto É o mesmo que sempre fugi.​​​​​​​​​​​​​​​​ Marilândia

11 DE MAIO 2026

Rasgando o véu da noite com seus gritos de luz, Que falem do que dói nos peitos mais humanos, E da saudade eterna que nos prende numa cruz. Que sejam feitos de alma, de sangue e de lamento, De tudo o que se perde nas margens do querer, Que carreguem no verso o mais fundo sofrimento E a glória trêmula de um amor a florescer. Sou feita de tormenta, de anseio e de ventura, De sonhos que se partem como espelhos ao chão, Mas dentro desta carne frágil e tão impura Ainda pulsa altiva uma estranha exaltação. Que minha voz ressoe por entre os séculos frios, Que minha dor se torne pétala e se desfaça, Que os homens bebam nela como bebem dos rios E encontrem o que sempre a memória não apaga. Hei de morrer um dia com os lábios ainda cheios De versos que não disse, de amores que não tive, Mas antes que me apaguem os últimos anseios, Serei rainha, enfim — de tudo quanto escrevi. Marilândia

3 DE MAIO 2026

“Num triste efeito dos desencontros…” Jô Tauil _____________________ Afogo em lágrimas o que fui um dia, e choro, ó noite, os meus amores mortos como se chora a última alegria. Há um silêncio enorme nas horas tortas que habitam o lugar onde vivia e as rosas que plantei — já todas mortas — perfumam ainda a dor que me esvazia. Fui tua e não o soube! Fui teu beijo perdido entre os caminhos que escolheste, névoa que se desfaz ao fim do cortejo, Mas guardo no peito tudo o que me deste: a sombra do teu nome, o vão desejo, e a dor de ter amado — e de ter sido. Ah, que amei tanto e que chorei mais ainda! Minha alma é um cais deserto e sem navio, e o amor que me ficou — cansado e findo — é cinza que o vento espalha pelo frio. Partir foi teu destino, e o meu — ficar, chorando os des_conpassos sobre o mar.​​​​​​​​​​​​​​​​ Marilândia Ver menos

1 DE MAIO 2026

“Chorando comigo, esse choro tão antigo…” Jô Tauil _____________________ Lágrima que já nasceu do que não tem nome, Voz que a noite bebe, a solidão consome, E que eu carrego como um voto, como um estigma! Choro de tanto amar o que me foi inimigo, De tanto abrir a mão ao vento que me some, De tanto ter chamado por um bem que não tem nome, Sequer a sombra fria de um fugaz abrigo. Sou a mulher que chora e não sabe por quê, Que beija o pó da estrada onde ninguém a vê, Que estende os braços brancos à distância e ao vento. Tenho nos olhos toda a chuva de outro mar, Tenho nos lábios tudo o que não pude dar, E no peito essa dor — que é a minha e é o meu tormento. Chorando comigo, esse choro que não passa! Que é rio e é sepulcro e é reza e é quase nada, Que nasce quando a alma se sente abandonada E o amor que se queria era apenas fumaça. Que seja, pois, meu pranto a única saudade, Que a dor, ao menos, seja minha liberdade. Marilândia

2 DE MAIO 2026

“Que soltem as rédeas dos meus sonhos” Jô Tauil _______________________ Que me deixem voar além do que se vê! Sou feita de desejo e de não-sei-quê, De anseios que se acendem aos poucos. Há dentro de mim mares e soluços, Tormentas que ninguém soube conter — Sou a chama que insiste em não morrer, A rosa que floresce entre os arbustos. Quero tudo! A vida inteira numa taça, O céu, a terra, o vento que me abraça, O amor que dói, que sangra, que devora! Que me deem o in_finito entre as mãos nuas, Que eu dance, descalça, sob as luas, E morra de ser eu — inteira — agora. Marilândia Ver menos

5 DE MAIO 2026

“Minha realidade desabou em poesia indiferente” Jô Tauil _________________________ E o silêncio veio, frio, como lâmina a ferir. Fui rainha de um reino que aprendi a construir, E agora sou apenas sombra — vã, translucente. Busquei em cada verso um amor que fosse ardente, Mas o que encontrei foi cinza, pó, e um longo abrir De portas que dão para o nada — e ao partir, Descobri que a dor também é estranhamente quente. Fui mulher de todos os ventos, de toda a angústia nua, Carrego nas mãos abertas a ferida da lua E nos lábios, o gosto amargo de ter sonhado demais. Que me importa o mundo se o mundo não me pertence? Sou chama que arde sozinha, que treme, que fenece. Minha essência evaporou — e transbordou cinza e paz. Marilândia

11 DE MARÇO

Jô Tauil ____________________________ Escrito nas estrelas antes do primeiro dia, Como se o destino soubesse que havia Um amor que só poderia florir. Fui feita de saudade e de partir, De noites em que a alma se perdia, Mas tudo isso era a travessia Para que eu te pudesse descobrir. Há encontros que chegam como a chuva fina, Que molha devagar, que ilumina, Que transforma o mundo em poesia. E o teu olhar foi essa luz divina Que acendeu em mim a chama genuína Da mais pura e eterna alegria. Somos dois versos da mesma canção, Escritos pela mão do mesmo amor, Unidos pela dor e pela flor Que nasce no centro do coração. Nosso encontro era na razão de existir — E existir, contigo, é o mais belo porvir.​​​​​​​​​​​​​​​​ Marilândia

31 DE MARÇO

___________________________ Os gritos que ninguém jamais ouviu — Sepultos dentro d’alma, tortuosos, Num labirinto escuro que brandiu. Que noite esta que dentro de mim mora, Que foge quando a mão a quer tocar! Sou eu a tempestade e sou a aurora, Sou o barco perdido a naufragar. Que ânsia esta de ser tudo e não ser nada, De arder num fogo eterno, consumida, De ter a alma inteira estraçalhada E ainda assim chamar a isto — vida! Amei! Sofri! Vivi com tal furor Que o próprio Deus se espantou de mim — Bebi a taça toda, até a dor, Até o fel amargo, até o fim. E aqui estou — sozinha, mas rainha! Dos reinos que inventei para existir. Minha a saudade imensa qual uma ladainha! Meu o silêncio profundo de preexistir! Marilândia

5 DE ABRIL

Jô Tauil _____________________________ Torres de névoa erguidas no ar vazio e frio, Muralhas feitas de anseio, de amor e de vazio, Que o vento da realidade vem sempre derrubar. Sou eu, rainha de um reino que não sei nomear, Donzela perdida num eterno desafio, Que bebe a própria dor como se fosse um rio E transforma a saudade em modo de existir. Que importa se o castelo ruiu na madrugada? Eu o erguereis de novo com a mesma esperança louca, Com as mãos que tremem e a alma apaixonada. Pois sou feita de sonhos como a aurora é feita de luz, E cada torre que cai, cada promessa desfeita e rouca, É a mais bela flor onde o sofrimento reluz. Marilândia

8 DE ABRIL

Jô Tauil ____________________________ Leva-os mudos no seu manto frio, Como leva o Outono seus segredos Nas folhas mortas pelo largo rio. Eu quis saber o que há do outro lado, Perguntei ao silêncio, à noite escura, Mas o silêncio estava selado Com o lacre da eterna sepultura. Os mortos não falam, não respondem, Guardam tudo com ciúme e com rigor, As verdades que os vivos não compreendem Ficam presas no cofre da dor. Ah, quem me dera ter a chave certa Para abrir o que a morte foi guardar! Mas a porta da morte nunca é aberta A quem ainda tem sonhos a sonhar. E assim vivemos, cegos e perdidos, Buscando no ar respostas que não vêm, Nós, os vivos, somos os esquecidos Da única verdade que nos contém.​​​​​​​​​​​​​​​​ Marilândia

6 DE ABRIL

Jô Tauil _____________________________ Palpita ainda, feroz, nas minhas veias, Como o mar que não descansa entre as areias, Rugindo tudo aquilo que perdeu. Não há silêncio que me redimiu Das tuas mãos, dos teus olhos, das ceias Em que o mundo cabia — e eram tão cheias De ti, de mim, de tudo que se reprimiu. Chamo por ti nas noites mais sombrias, E o teu nome estoura em agonias Pelo quarto vazio onde me perco. Que importa o tempo? O coração ainda bate. Que importa a dor? O amor sempre rebate Arde mais fundo quanto mais o algemo. Marilândia

7 DE ABRIL

“Porque o amor em mim usa placa de esgotado” Jô Tauil _________________________ Já não me resta peito pra sentir, Fui tanto amando que aprendi a partir De mim mesma mas nunca fui blindada. Dei-me toda — e o que sobrou, calado, Foi só o eco de um querer a ir, Uma chama que teimava em não morrer Num peito onde o destino foi fechado. Sou a fonte que secou de tanto derramar O jardim que amou demais sem se sufocar A voz que fez silêncio de tanto gritar. Fui vertendo amor como quem não vai voltar, E agora sou apenas o lugar Onde o amor bateu — e foi embora sem reconsiderar. Marilândia

9 DE ABRIL

______________________ Ficou o eco do teu nome, A chama que acendemos Que o tempo nunca consome. Ficou o peso do teu olhar Pousado sobre a minha pele, E a dor de te chamar Sem que ninguém me atendesse. Fui rainha e fui mendiga Nas horas em que me deste o céu, Princesa e escrava antiga De um amor que só foi meu. Das noites em que nos amamos Restou apenas a saudade — Os sonhos que não colhemos, A bela e cruel verdade. E fico, sozinha e inteira, Com a tua ausência acesa, Senhora da minha dor primeira, Altiva na minha tristeza.​​​​​​​​​​​​​​​​ Marilândia

10 de abril

É rasgar a alma em pedaços de saudade, É perder o único e frágil abrigo Que me restava nessa imensidade. É calar a voz que em mim ainda ecoa, É apagar a luz que o teu olhar acendia, É ver a noite fria que me devora Engolir o sol que em mim ardia. É morrer duas vezes — uma por dentro, Outra no silêncio atroz que fica, É perder o norte, o sul, o centro, E a rosa em flor que o coração multiplica. Sou mulher de dor e de tormenta, Feita de anseios que ninguém entende, E esta paixão que queima e que atorrnenta É o único fio que me prende. Acabar comigo é ser cinza e vento, É ser noite eterna sem alvorada — Prefiro este amor cheio de tormento A uma vida longa, mas despedaçada. Marilândia

sábado, 16 de maio de 2026

20 de abril

Jô Tauil ______________________ Teço de dor o meu bordado cristalino, Colho da noite o seu segredo repentino E danço nua com a melancolia. Bebo o silêncio como quem sabia Que o amor é chama e é peregrino, Que o coração, selvagem e divino, Sangra de luz e ainda assim sorria. Sou feita de tormenta e de anseio, De bocas que não beijo e que receio, De asas que não voam mas que existem. Faço da mágoa o mais belo poema, Da solidão o meu eterno tema, E dos meus mortos aqueles que me assistem. Aproveito a vida — e ela me chama, Aproveito o verso — e ele me inflama, Aproveito a dor — e dela faço fama, Aproveito o amor que se derrama. Sou poeta. Sou mulher. Sou chama. E só existo porque o verso me proclama. Marilândia

22 DE ABRIL

“E procuro ver beleza onde ela não existe” Jô Tauil __________________________ No rosto cinza da cidadela que adormece, No olhar vazio de quem passa e some, Na ferida aberta que dói e que não cessa. Sou aquela que beija a pedra do caminho, Que abraça o espinho antes de colher a rosa, Que faz do silêncio um cântico mais belo, E chama de luz a sombra mais sombria e fria. Procuro o sublime no vulgar e no banal, No pó que se levanta quando o vento passa, Na lágrima salgada que o desgosto traça, No amor que se desfaz como um cristal. Sou feita de miragens e de ansiedade, De sonhos que se partem antes do amanhecer, Mas teimo em ver a graça no que vai morrer, E chamo de eterno o que é só saudade. E assim caminho, louca, bela e perdida, Tecendo luz nas horas mais escuras, Porque a beleza mora nas fissuras — E eu sou a fissura. Eu sou a vida.​​​​​​​​​​​​​​​​ Marilândia

23 DE ABRIL

“E meu mundo se repõe em suas claves” Jô Tauil _________________________ Em acordes que o tempo não desfaz, Que me prendem às horas mais suaves E me deixam, ao mesmo tempo, em paz. Há em mim uma chama que não cede, Um desejo que a noite não apaga, Uma sede de amor que nunca sede, Uma dor que me mata e que me afaga. Sou mulher e sou vento e sou tormenta, Sou o grito que nasce em pleno silêncio, Sou a alma que sofre e que se inventa E se perde no abismo mais intenso. Quero tudo — o impossível e o efêmero, O beijo que ninguém jamais me deu, Quero ser o infinito e o que é primeiro, Quero ser mais do que este corpo meu. Mas a vida me dá apenas palavras, Versos frios que o vento vai levar — E minha alma, entre âncoras e máscaras , Aprende a amar sem nunca se salvar Marilândia

6 DE MAIO

Jô Tauil _______________________ Navego entre palavras que ninguém sabe ler, Sou o verso perdido que teima em nascer E morre antes da aurora, distante de mim. Que barco sou eu, feita de sombra e de mel, Que parte sem destino e parte sem saber Se o mar que me sustenta me há de beber Ou deixar meu naufrágio em paz no fundo do céu. Há dentro de mim noites que nunca tiveram luar, Há dentro de mim gritos que nunca souberam gritar, Há sede de um amor que não cabe em nenhum olhar. E sou assim — ardente, sozinha e serena — A rainha de um reino que é feito de pena, Imperatriz de dor, de sonho e de mar. Fui feita de ânsias que o vento não guarda, De beijos que o tempo não soube guardar, De versos que ardem e nunca se calam — Presa entre ânsias que o tempo não sabe apagar. Marilândia

7 DE MAIO

“Então vejo teu vulto lindo, embora tão distante!” Jô Tauil ______________________ Como luz que treme e some no horizonte frio, E em mim ressoa o eco de um amor errante Que chora, sozinho, à beira de um rio. Teu nome é uma ferida que não quer sarar, Uma rosa sangrando entre dedos de sombra, Sou a noite que espera sem poder chorar, E és tu — chama breve que tudo assombra. Que importa a distância se és minha, alma minha? Se te guardo inteiro dentro do meu peito ardente? Sou mulher que ama e que sofre e que se definha Num querer que é loucura, que é fogo, que é silente… Ah, quanto me custa fingir que não te quero! Que o teu rosto não habita o meu silêncio! Sou nau perdida em mar cruel e severo, Morrendo de um amor vasto e imenso. Então vejo teu vulto _lindo, sempre lindo!_ E minha alma parte em pedaços de saudade. Vivo de te amar sem fim, te perseguindo Nesta fatídica e desventurada fatalidade. Marilândia

8 DE MAIO

Jô Tauil ______________________ Só silêncio maduro entre as flores abertas, E a alma que sonhou com eternidades Acorda entre janelas sempre incertas. Fui ao jardim buscar o que era meu, Mas as rosas sangravam devagar, E tudo o que em mim um dia floresceu Voltou ao chão, sem nome, sem lugar. Sou feita de verões que nunca vêm, De outonos prometidos e partidos, De mãos que procuraram sempre alguém E só tocaram ventos esquecidos. Que vale a luz se a luz não me aquece? Que vale o amor se o amor não me vê? A primavera passa, a vida embranquece E eu fico — sempre eu — à espera dum porquê… Há uma dor que não tem estação, Que floresce no inverno e no calor, É a dor de ser inteira numa prisão, De ser demasiada para a dor.​​​​​​​​​​​​​​​​ Marilândia

12 DE MAIO

Jô Tauil _______________________ Caminha pela noite em véus de alfazema, como um sino de mágoas e esplendores chorando estrelas sobre o meu poema. Trago nos olhos luas fatigadas e um jardim de silêncios sem abrigo; minhas mãos, aves tristes e queimadas, procuram teu fantasma antigo. Ah! quantas rosas morrem no meu peito quando a saudade vem, lenta e sombria, beijar meu sonho pálido e desfeito com lábios frios de melancolia… Sou feita de crepúsculos e espelhos, de harpas feridas pelo desalento; há nos meus longos e febris joelhos o peso azul de algum pressentimento. E sigo, como as névoas peregrinas, pelos caminhos onde o amor se enterra, levando nos cabelos as ruínas de um céu que anoiteceu dentro da terra. Marilândia

13 DE MAIO

Jô Tauil ___________________________ Volto a ti como a noite volta ao luar, Com a sede antiga dos meus olhos mornos E com a dor que só tu sabes curar. Fiz de mim cinza, fiz de mim silêncio, Rasguei a alma como se rasga um véu, E ainda assim, nesse regresso intenso, Teu nome é o único que sobe ao céu. Que maldição é esta que me prende A um amor que queima e não aquece? Que sortilégio é o que me suspende Entre o que foi e o que nunca acontece? Sou a mulher que volta e que se perde, Que morre em flor e nasce noutra dor, Que chora o pão do amor quando ele é o cerne E o chora mais quando já não tem sabor. Mas volta, volta — que eu sou toda tua, Sou teu tormento e sou teu porto-abrigo, Sou a sombra febril que te segue nua, Nesse amor desassossegado que carrego comigo. Marilândia

18 DE MARÇO

Jô Tauil ___________________________ Volto a ti como a noite volta ao luar, Com a sede antiga dos meus olhos mornos E com a dor que só tu sabes curar. Fiz de mim cinza, fiz de mim silêncio, Rasguei a alma como se rasga um véu, E ainda assim, nesse regresso intenso, Teu nome é o único que sobe ao céu. Que maldição é esta que me prende A um amor que queima e não aquece? Que sortilégio é o que me suspende Entre o que foi e o que nunca acontece? Sou a mulher que volta e que se perde, Que morre em flor e nasce noutra dor, Que chora o pão do amor quando ele é o cerne E o chora mais quando já não tem sabor. Mas volta, volta — que eu sou toda tua, Sou teu tormento e sou teu porto-abrigo, Sou a sombra febril que te segue nua, Nesse amor desassossegado que carrego comigo. Marilândia

20 DE MARÇO

“Agora diga também em que te encanto…” Jô Tauil _____________________ Se sou apenas sombra entre os teus braços, Se o meu nome se perde nos espaços Como se perde o eco de um só pranto. Fala-me! Dize-me! Rasga esse meu manto De dúvidas que prendem os meus passos, Que me deixam em mil e tantos pedaços, Alma ferida, coração em quebranto. Sou feita de luar e de ternura, De noites longas e de madrugadas, De tudo quanto a vida tem de desventura. Sou as tuas palavras não faladas, O teu silêncio, a tua febre pura, O teu desejo e as tuas febris madrugadas. Marilândia

16 de março

“Você é… está e chora!” Jô Tauil ___________________________ E eu, que te ouço, morro de silêncio, Sou a vela que arde e que devora A própria luz num lúgubre incêndio. Sou a mulher que ama e que implora Aos céus vazios o teu nome imenso, Sou a ferida aberta a qualquer hora, O grito mudo, o beijo suspenso. Tu passas tristonho,indiferente e belo, Como a lua que dorme sobre o gelo Sem saber que me mata o teu olhar. E eu fico aqui, desfeita e consumida, Com esta alma de brasa, mal vivida, À espera de quem nunca há de chegar. Que importa o mundo? Que importa a vida? Se o amor que sonhei foi só miragem, Sou a rosa mais bela, a mais perdida, A que floriu sozinha na sombria passagem. Marilândia

22 DE JANEIRO

__________________________ Caminho pela vida sem temor do que há de vir, As estrelas me guiam pelo céu mais perfeito, E a alma se derrama em versos de sentir. Trago nas mãos vazias toda a imensidão do mundo, Nos olhos, o luar que banha a solidão, No peito, um vendaval sereno e profundo, Que me arrasta sem dor, sem mágoa, sem razão. Sou feita de silêncios e de gritos contidos, De sonhos que se vão como aves a voar, De beijos nunca dados, de abraços não vividos, De tudo quanto a vida me ensinou a amar. E mesmo assim, eu sigo com a fronte levantada, Sabendo que o destino é feito de escolher, Que cada dor sofrida, cada chaga curada, Me torna mais inteira no meu próprio ser. Com a consciência pura e o coração desperto, Aceito o que me dá este viver incerto, E vou tecendo o fio do meu próprio fado, Até que o tempo diga que já vivi, assim plasmado! Marilândia

8 DE FEVEREIRO

______________________________ Como flor que se entrega ao vento da manhã, Esquecida de mim, sem nada de distante, Mergulhada no sonho de quem tanto te ama. Sou toda tua, neste momento breve e eterno, Onde o tempo se perde e o mundo não existe, Apenas o calor do teu abraço terno, E a doçura profunda que em teu olhar persiste. Deixo morrer em mim toda a dor que me habita, Toda a angústia, o tormento, a sombra e a solidão, Que antes do teu amor minha alma atormenta, E entrego-me inteira, sem pudor, sem razão. Que importa o amanhã, se tenho o teu presente? Que importa a vida toda, se vivo neste instante? Bebo-te como quem bebe água de uma fonte, E em teus braços sou rainha, sou amada, sou amante. Fica comigo assim, neste abraço perdido, Onde sou tudo aquilo que sempre quis ser, Onde encontro o sentido do que não tem sentido, E aprendo a morrer de amor para renascer. Marilândia

9 DE FEVEREIRO

Vivem segredos que o peito guarda a sete chaves, As palavras morrem antes de nascer, tão suaves, E a alma sangra em versos que ninguém mais vê… No fundo dos meus olhos há um mar de desenganos, Onde naufragam sonhos que nem cheguei a sonhar, E as lágrimas que choro são do que não pude amar, Das flores que murcharam nos jardins dos meus enganos. Eu trago em mim a dor de todas as despedidas, O gosto amargo e doce de paixões que não vivi, Sou feita de silêncios, de tudo o que não disse, enfim, De todas as loucuras que guardei des_conhecidas. Minha boca cala aquilo que meu coração grita, E nas noites sem lua, quando o mundo adormece, Minha alma nua dança e chora e se estremece, Com a música secreta que dentro de mim toca… Se pudesse dizer tudo quanto em mim arde, Se a voz fosse tão funda quanto é fundo o meu penar, Talvez o mundo inteiro parasse para me escutar, Mas o silêncio é eterno, e a palavra talvez retarde. E assim vou pela vida, num perpétuo desconsolo, Calando o que me mata, morrendo devagar, Entre sombras e lágrimas que ninguém há de encontrar…​​​​​​​​​​​​​​​​ Marilândia

10 DE FEVEREIRO

_____________________________ Caminho só, em solidão profunda, Livre das vãs e tolas confianças Que o coração em ilusões afunda. Não mais espero o que jamais virá, Nem sonho sonhos que me fazem presa, A alma, enfim, serena respirará Longe da dor duma esperança acesa. Cansei de erguer castelos sobre a areia, De ver desmoronar o que construo, Minha alma nua, sem mentira, alheia Às falsas luzes que me levam a um recuo… Prefiro a dor que sabe o que contém, À doce mentira que me engana, Que a vida siga o curso que mantém Sem a ilusão que me conduz à chicana… Assim caminho, leve e acalentada, Sem o fardo cruel de vãs quimeras, A alma liberta, enfim, desencantada, Das ilusórias e falazes fronteiras. Marilândia

12 DE FEVEREIRO

Jô Tauil ____________________________ Levo comigo os destroços de uma alma dividida, Como rio que se perde em águas sem regresso, Entrego ao mar profundo todo o meu excesso. Navego entre as sombras de um amor que foi meu, Rasgando o próprio peito contra o amargo véu, Que separa os vivos dos mortos sentimentos, E arrasta minha barca pelos quatro ventos. Que importa se naufrago neste mar sem fim, Se já não tenho porto que me chame a mim? Sou apenas espuma que se desfaz na areia, Sou a lua que mingua quando a noite se torna candeia… Deságuo minha vida em lágrimas de sal, Bebo do cálice amargo deste amor fatal, E agora sigo à deriva, sem leme nem farol, Queimada pelo fogo de um ausente sol. Ó mar que me recebes nesta hora derradeira, Guarda em teu silêncio minha dor inteira, Que eu deságuo em ti como quem se entrega, Como quem morre ao vento e à luz se cega. Marilândia

15 DE FEVEREIRO

__________________________ As dores que guardei em mim silentes, Vão-se fazendo cinza, vão morrendo, Como brasas que o vento vai colhendo. Trago nas mãos o peso do que foi, O sonho que uma vez se me roubou, E neste peito, em solidão tão vasta, Apenas resta o eco que me basta. Quisera ser como a onda do oceano, Que morre e nasce em infinito engano, Mas sou apenas pedra no caminho, Vestida de saudade e de espinho. Ah, quem me dera ter a liberdade De romper estas grades de ansiedade! Mas fico aqui, cativa do destino, Com o coração de vidro e cristalino. E quando a noite vem com seu manto negro, Procuro em vão um pouco de sossego, Mas só encontro a sombra do que amo, E neste amor tão solitário eu me derramo. Marilândia

13 DE FEVEREIRO

____________________________ Dois corpos que tremem na noite sem fim, Tua boca na minha, promessa que emudeça, E o mundo se acabe, se esqueça, enfim… Somos chama que arde em segredo profundo, Desejo que sangra nas veias do ar, Teu nome é a febre que grita no mundo, E eu sou a loucura que te quer amar. Até que amanheça, sejamos pecado, Sejamos a entrega, o prazer, a dor, Teu corpo no meu, abraço sagrado, E nada mais reste senão este amor. Somos um só fôlego, suspiro que voa, Alma que se perde na sombra que rompeu. A noite nos cobre, nos beija, nos doa, E ao nascer do sol, morrerei no céu. Até que amanheça, serás meu destino, O verso final desta vida sem paz, Somos um só fôlego, ardente e divino, Até que a alvorada nos una, assaz! Marilândia

14 DE FEVEREIRO

“Chegam ondas de sensual nudez…” Jô Tauil _________________________ Que envolvem meu corpo em abandono, Como se o mar tivesse a languidez De quem procura um derradeiro sono. Despe-me o vento desta cruel tristeza, Arranca véus de dor que me consomem, E na volúpia desta estranha beleza Meus sonhos ardem como os lábios que acolhem… Quero ser toda essa espuma branca Que dança e morre sobre a areia escura, Quero ser onda que na praia arranca O beijo último da sua amargura. Chegam ondas trazendo o teu perfume, Memórias d’alma que jamais se apagam, E neste corpo que de amor consome Todas as febres dos meus sonhos vagam. Sou a mulher que o mar eternamente Despe de sonhos para te oferecer, Nua de alma, ardente e imprudente, Tal onda de carne que nasceu pra morrer. Marilândia Comentários

10 DE MARÇO

tase, viramos enchente” Jô Tauil ________________________ Que transborda nas margens do querer, E o tempo, pobre náufrago inocente, Esquece até de em nós sobreviver. Teus olhos têm crepúsculos de chama Onde a minha saudade vai dormir; E em cada gesto teu a alma me chama Como um sino distante a me florir. Ah, como é doce este perder-me em ti, Este morrer de amor devagarinho; Como se a noite inteira fosse aqui Um jardim desfolhando o seu caminho. Teu nome arde em meus lábios solitários Como estrela que insiste em não cair; E os sonhos, peregrinos e contrários, Vêm nos teus braços todos reflorir. Se amar é naufragar na própria sorte, Que seja em teu olhar minha maré — Pois quero achar, no beijo que envolve, A eternidade breve da mulher. Marilândia

COSTURANDO 12 DE MARÇO

Em êxtase, viramos enchente” Jô Tauil ________________________ Que transborda nas margens do querer, E o tempo, pobre náufrago inocente, Esquece até de em nós sobreviver. Teus olhos têm crepúsculos de chama Onde a minha saudade vai dormir; E em cada gesto teu a alma me chama Como um sino distante a me florir. Ah, como é doce este perder-me em ti, Este morrer de amor devagarinho; Como se a noite inteira fosse aqui Um jardim desfolhando o seu caminho. Teu nome arde em meus lábios solitários Como estrela que insiste em não cair; E os sonhos, peregrinos e contrários, Vêm nos teus braços todos reflorir. Se amar é naufragar na própria sorte, Que seja em teu olhar minha maré — Pois quero achar, no beijo que envolve, A eternidade breve da mulher. Marilândia

11 DE MARÇO

____________________________ Escrito nas estrelas antes do primeiro dia, Como se o destino soubesse que havia Um amor que só poderia florir. Fui feita de saudade e de partir, De noites em que a alma se perdia, Mas tudo isso era a travessia Para que eu te pudesse descobrir. Há encontros que chegam como a chuva fina, Que molha devagar, que ilumina, Que transforma o mundo em poesia. E o teu olhar foi essa luz divina Que acendeu em mim a chama genuína Da mais pura e eterna alegria. Somos dois versos da mesma canção, Escritos pela mão do mesmo amor, Unidos pela dor e pela flor Que nasce no centro do coração. Nosso encontro era na razão de existir — E existir, contigo, é o mais belo porvir.​​​​​​​​​​​​​​​​ Marilândia

13 DE MARÇO

“Não cerceia a minha liberdade!” Jô Tauil _________________________ Que nasce da alma como chama viva e ardente, Como o mar que brame, fundo e inclemente, No peito que ama em sonho idolatrado. Sou feita de luar e de tormento, De rosas que desfolham no silêncio, De um querer imenso, um querer denso, Que rasga a noite com seu alento. Não me prendas,ó mundo, com teus grilhões! Sou asas, sou vento, sou canção perdida, Que voa além das tuas convenções. Minha alma é chaga, bela e mal-curada, Princesa errante, trágica e esquecida, Rainha de um reino que não tem morada. Que me importa o amanhã, se hoje ardo? Se tenho o verso livre e a voz que clama? Não há prisão que apague esta tua chama — Sou livre como o pássaro que parto. E morro bela, altiva e destemida. Marilândia

9 DE MARÇO

“Não cerceia a minha liberdade!” Jô Tauil _________________________ Que nasce da alma como chama viva e ardente, Como o mar que brame, fundo e inclemente, No peito que ama em sonho idolatrado. Sou feita de luar e de tormento, De rosas que desfolham no silêncio, De um querer imenso, um querer denso, Que rasga a noite com seu alento. Não me prendas,ó mundo, com teus grilhões! Sou asas, sou vento, sou canção perdida, Que voa além das tuas convenções. Minha alma é chaga, bela e mal-curada, Princesa errante, trágica e esquecida, Rainha de um reino que não tem morada. Que me importa o amanhã, se hoje ardo? Se tenho o verso livre e a voz que clama? Não há prisão que apague esta tua chama — Sou livre como o pássaro que parto. E morro bela, altiva e destemida. Marilândia

25 DE FEVEREIRO

________________________ E a noite estende os seus cabelos negros, Como uma amante de olhos sempre abertos Que chora em silêncio os seus segredos. Que chora e ri e morre e ressuscita, Num doido anseio de querer amar, A alma ferida, a voz que não grita, O coração perdido sobre o mar. É toda dor, é toda a tempestade, É o gemido fundo da saudade, O grito surdo que ninguém ouviu. É a solidão que o sonho não alcança, Que beija o vento, que abraça a esperança, E morre assim — como viveu, e riu. Mas rir é chorar com outros olhos postos No mesmo céu que nunca lhe pertence, É dar ao mundo os sorrisos e os gostos De uma paixão que arde e que não vence. E o vento ladra, e a noite não se cansa, E ela é — ai dela— apenas uma lembrança.​​​​​​​​​​​​​​​​ Marilândia

18 DE FEVEREIRO

“Porque faz tempo que a desilusão desfez o mito” Jô Tauil _____________________________ E o sonho que eu guardava já não tem calor, Vivo a mendigar um beijo ou um grito, Qualquer coisa que me lembre que há amor. Rasguei de mim o véu de ilusão que eu vesti, E fiquei nua, à mercê do vento e da dor, Já não sei quem sou, já não sei o que perdi, Sei apenas que a saudade é a minha cor. Fui rainha de um reino que nunca existiu, Princesa de um conto que ninguém escreveu, Toda a glória que prometi em mim morreu. E o mundo que eu amei em cinzas se partiu, Ficou só esta noite imensa que me absorveu E este coração que sofre e que é meu. Ah, mas quem me dera ainda poder crer Que há um verso de luz no fim de tanto escuro, Que o amor que me fugiu pode voltar a ser, Que não é tarde demais e que o amanhã não é impuro.​​​​​​​​​​​​​​​​ Marilândia

16 DE FEVEREIRO

Eis que Os teus olhos ainda guardam o brilho que perdi, Que o silêncio entre nós não se tornou frio e sombrio, Que ainda existe um nós no que restou de ti e de mim. Fingirei que não vejo as ruínas do que construímos, Que cada palavra tua não me corta como lâmina afiada, Que o teu partir não deixou em mim apenas destroços, Que ainda pulsa viva a chama que julgava apagada. Mentirei aos meus olhos para não verem a verdade, Direi ao coração que volte a crer no teu regresso, Vestirei de ilusão esta dor que me consome inteira, Para não sentir o peso deste amor que é meu apreço… E fingirei sorrir quando pronuncias outro nome, Que não sangra esta alma ao ver-te nos braços alheios, Que posso respirar sem que o ar me falte aos pulmões, Que não morro por dentro nestes desertos e anseios. Mas sei que o fingimento é só veneno disfarçado, Que prolonga a agonia do que já deveria morrer, Que o amor que ruiu jamais se ergue do seu escombro, E que esta mentira piedosa me impede de renascer. Marilândia

19 DE FEVEREIRO

Queimo as cartas que escrevi ontem, Rasgo os sonhos que já não me servem, Enquanto as horas mortas em cinzas se convertem… E o vento leva o que o amor contém. Desfaço o leito onde o pranto dorme, Apago os nomes gravados na memória, Que importa a dor, que importa a velha história, Se a alma ainda pulsa e se transforma? Sou eu — sozinha — diante do horizonte, Com mãos abertas e o peito nu de mágoas, Bebendo a vida como quem bebe as parábolas. Quem tem a sede profunda de uma fonte. Que venha tudo — o sol, a chuva, o vento! Que venham noites cruas e manhãs! Sou feita de relíquias e de talismãs… De cada fim nasce um novo alento. Refaço-me do barro e da saudade, Das cinzas ergo altiva a minha chama… Recomeçar é o mais belo melodrama De quem ainda sangra, mas não proclama. Marilândia

22 DE FEVEREIRO

____________________________ Que beija a própria ferida e chama a dor de poema, Que encontra na clausura a mais perfeita das moradas E quer de volta as correntes que já tinham se despedaçado. Sou feita de contradições e medos disfarçados, De noites que me vencem e de dias mal passados, De um amor que me consome como brasa em carne viva, De um beijo que me mata e ao mesmo tempo me cativa. Minha alma é uma chama que queima quem a toca, Meu coração um verso que treme e que sufoca, Sou a rainha presa no palácio do tormento, A princesa que encontra beleza no lamento. Ofereço minha sede ao deserto que me nega, Abro os braços ao vendaval que me carrega, Pois sou feita desta estranha e louca pertinência De amar mais aquilo que me causa a penitência. Sou livre e encarcerada, sou cinza e sou labareda, Sou o grito que não soa, sou a flor que ninguém veda, Escrava de mim mesma —soberana do meu pranto — Alforriada em corpo, mas acorrentada num recanto.​​​​​​​​​​​​ Marilândia

23 DE FEVEREIRO

Jô Tauil _________________________ Vivo de sonhos feitos de luz e de ilusão, Sou a alma que arde e chora sem razão, Borboleta presa dentro do meu coração. Que importa o mundo se eu mesma sou o mundo? Que importa o mar se trago o mar profundo? Sou o grito rouco, o silêncio vagabundo, A chama que devora tudo num segundo. Eu quero amar como ninguém sabe amar, Com as mãos abertas, com o peito a sangrar, Com a alma nua entregue ao luar. Mas o amor é um deus cruel e mentiroso, Que passa como vento misterioso, Deixando o coração vazio e silencioso. Ah, ser mulher é ser a dor inteira! É ser a noite, a névoa, a primavera, É ser a rosa e ser a própria espinheira. No fantástico colorido que me habita, Sou rainha, sou mendiga, sou maldita, Sou a voz que clama, arde, chora e grita. Marilândia

29 DE MARÇO

——————————————— Perdi o fio que me prendia ao mundo, E agora flutuo num silêncio profundo Como quem nunca soube o que quis nem o que foi. Sou a névoa que passa e não se vê, O eco de uma voz que ninguém ouve, A chuva que cai fina e que não move Nem a folha que dorme à beira do não-sei. Cansei de tanto amar o que não fica, De guardar nas mãos o que é só vento, De transformar em verso cada tormento E chamar de beleza o que me sufoca. Há noites em que sou todas as noites, Em que sou toda a dor que já existiu, Em que o meu coração, que tanto abriu, Fecha-se em si, cheio dos seus açoites. Talvez eu seja apenas o cansaço De uma alma que quis demais e não soube, Que em cada adeus que veio e que não coube Ficou um pouco menos — traço a traço. Marilândia

3 DE FEVEREIRO

“Encontrei o compasso para finalmente me pertencer.” Jô Tauil _______________________ E nesta onda brava achei meu lar secreto, Onde a alma se entrega sem nenhum preceito, Livre do mundo e de quem quis me desfazer. Fui sempre vento errante a desvanecer, Sombra perdida num deserto inquieto, Mas hoje trago em mim um fogo completo, E sou a dona deste meu amanhecer. Já não procuro em outros olhos o espelho, Nem peço ao mundo que me dê conselho, Pois minha bússola aponta ao coração. Sou tempestade e sou também bonança, Mulher de chama, sonho e esperança, Que se encontrou na própria solidão. E agora danço ao som do que me habita, Rainha desta terra que crepita, Onde o silêncio canta a minha canção. Encontrei-me. E basta-me essa redenção. Marilândia

6 DE FEVEREIRO

____________________________ Porquanto o amor nos habita como luz primeira… Somos chama que arde em comunhão, E o peito se faz moradia verdadeira. Não conjugamos ser com desamparo, Pois mesmo na sombra há mão que guia; Somos rio que corre, nunca avaro, Levando em nós a eterna companhia. Minha alma não conhece o abandono, Eis que em cada estrela vejo teu olhar; E se adormeço, no silêncio outono, Teu nome vem meus sonhos embalar. Não conjuga a rosa a sua ausência, Nem o mar se pensa sem a onda; Assim somos nós, pura essência, Onde a vida em laços se estronda. Solidão? Palavra que desconheço, Vez que o universo inteiro me acompanha; E mesmo quando à noite entristeço, Tua lembrança é sol que me banha. Marilândia

7 DE FEVEIRO

ô Tauil ___________________________ Vou pelos dias frios, com sorriso de estação, Fingindo que não arde este fogo tão interno, Que me consome toda em doce desolação. Ninguém saberá nunca o quanto sofro e peno, Nem verá nas minhas mãos o tremor da paixão, Guardo em cofre de sombra este segredo obsceno, De amar-te sem ter direito, sem ter permissão. Enquanto o mundo passa alheio ao meu tormento, Sorrio aos que me olham com falsa serenidade, E vou tecendo a mentira de cada momento. Mas quando a noite chega e fico a sós comigo, Desmorona-se o disfarce, cai a falsidade, E choro este amor maldito que trago num abrigo… Ah, se pudesses ver além desta aparência, Se adivinhasses tu o que guardo em segredo, Verias que morro aqui nesta cruel ausência, Que me finjo serena quando tremo de medo. Dissimular é morrer um pouco a cada instante, É renegar o próprio coração que sangra, É ser de dia pedra e de noite amante. Marilândia

5 DE FEVEREIRO 2026

Jô Tauil __________________________ Que as mágoas se desfazem ao luar, Que o tempo, com sua mão, fecha a porta Dos dias que me fazem soluçar. Fingirei que o teu nome não me queima Os lábios quando tento murmurar, Que esta saudade louca que me estrema Não vem, de noite, o sono me roubar. Fingirei que sou livre, desatada Das cadeias que o destino me teceu, Que não sou desta dor escravizada, Nem desta solidão que me bebeu. Mas como hei de fingir, se a cada instante Teu vulto surge neste meu deserto? Se a tua ausência pesa, sufocante, Como mortalha em corpo já desperto? Fingirei…mas será em vão, Que o coração não mente ao coração, E eu sou do meu tormento a prisioneira, E hei de amar-te assim, qual uma aventureira. Marilândia

COSTURANDO 1 DE FEVEREIRO

Jô Tauil ____________________________ Tecidos foram em seda de luar, Nas horas mortas, entre dor e ardor, Quando a alma anseia por se entregar. Amor que nasce de um sonhar antigo, Feito de pranto e de felicidade, Que traz no peito um doloroso abrigo, Entre o tormento e a serenidade. Elos que o tempo não consegue romper, Mais fortes que as correntes do destino, No sangue ardente que me faz viver, Na chama eterna deste amor divino. Raros, tão raros como estrelas belas Que brilham sós na escuridão sem fim, E eu, perdida entre todas elas, Procuro-te, meu amor, longe de mim. Eternamente presos, tu e eu, Nestes elos que a vida nos forjou, Entre a terra escura e o azul do céu, No amor ardente que jamais findou. Marilândia

31 DE JANEIRO 2026

“Me ensina que morrer é, enfim, parar de te inventar” Jô Tauil ___________________________ Deixar que o sonho adormeça no leito da memória, Que já não há mais lágrimas para derramar, Nem páginas em branco para escrever minha história. Me ensina que morrer é render-me ao silêncio, Despir a alma das vestes do teu nome, É aceitar que o amor foi só um presságio, Um fogo que ardia mas que já não me consome. Me ensina que morrer é desaprender-te inteira, Apagar cada gesto, cada olhar, cada estrela, É fazer do teu rosto uma sombra passageira, Uma névoa que o temp o dissolve e cancela. Me ensina que morrer é libertar-me das correntes, Deste amor que me prende em doce agonia, É deixar que o vento leve os sonhos ardentes, E aceitar que não és meu, nem nunca serias. Me ensina, enfim, que morrer é renascer sem ti, É encontrar na dor a chave da minha liberdade, É finalmente compreender que sempre te perdi, E que viver é aceitar esta cruel insanidade. Marilândia

30 DE JANEIRO 2026

“Me ensina que morrer é, enfim, parar de te inventar” Jô Tauil ___________________________ Deixar que o sonho adormeça no leito da memória, Que já não há mais lágrimas para derramar, Nem páginas em branco para escrever minha história. Me ensina que morrer é render-me ao silêncio, Despir a alma das vestes do teu nome, É aceitar que o amor foi só um presságio, Um fogo que ardia mas que já não me consome. Me ensina que morrer é desaprender-te inteira, Apagar cada gesto, cada olhar, cada estrela, É fazer do teu rosto uma sombra passageira, Uma névoa que o temp o dissolve e cancela. Me ensina que morrer é libertar-me das correntes, Deste amor que me prende em doce agonia, É deixar que o vento leve os sonhos ardentes, E aceitar que não és meu, nem nunca serias. Me ensina, enfim, que morrer é renascer sem ti, É encontrar na dor a chave da minha liberdade, É finalmente compreender que sempre te perdi, E que viver é aceitar esta cruel insanidade. Marilândia

29 DE JANEIRO 2026

Jô Tauil ____________________________ E toda a dor que fiz morada no meu peito ardente, As noites que passei sonhando com teus lábios de carmim, E o pranto amargo que chorei quando disseste: “É o fim”. Devolvo a ti os beijos loucos que me deste em segredo, As juras sussurradas no silêncio e no degredo, O amor que me matou de tanto amar sem ter razão, E os cacos todos deste sonho feito só de ilusão. Devolvo a ti minha alma em frangalhos, despedaçada, A febre que me consumiu numa paixão desenfreada, Os versos todos que escrevi com sangue e com loucura, E o grito que ficou preso na garganta, sem ventura. Devolvo a ti o meu desejo, esse veneno que me mata, A saudade que me queima e que sempre me maltrata… As lágrimas que molharam meu travesseiro sem conforto, E a solidão que me acompanha como sombra nesse desconforto… Devolvo a ti tudo o que fomos nesse amor sem esperança, E fico apenas com a dor desta cruel lembrança, Com este vazio imenso que me habita, negro e infindo, E com a certeza triste de que morro te sentindo. Marilândia

28 NDE JANEIRO 2026

Jô Tauil _____________________________ Como estrela errante no céu sem fim, E em cada passo sinto o doce tormento De ser quem sou, de ser assim. Sonho com asas de luar perdido, Com a alma ardente em chamas de paixão, E mesmo quando julgo ter vencido, Sinto-me presa à minha solidão. Quantas vezes busquei no horizonte A resposta que a vida me negou, E quantas lágrimas bebi da fonte Onde o meu desejo naufragou. Mas sigo errante neste mundo vão, Com a esperança acesa no peito meu, Levando comigo esta ilusão De encontrar-me um dia com o céu. Nova luz me chama, eu vou seguindo, Como nave à deriva neste mar, E mesmo na dor vou sorrindo, Pois só quem ama sabe aclamar! Marilândiaq

27 DE JANEIRO 2026

Jô Tauil _____________________________ Como estrela errante no céu sem fim, E em cada passo sinto o doce tormento De ser quem sou, de ser assim. Sonho com asas de luar perdido, Com a alma ardente em chamas de paixão, E mesmo quando julgo ter vencido, Sinto-me presa à minha solidão. Quantas vezes busquei no horizonte A resposta que a vida me negou, E quantas lágrimas bebi da fonte Onde o meu desejo naufragou. Mas sigo errante neste mundo vão, Com a esperança acesa no peito meu, Levando comigo esta ilusão De encontrar-me um dia com o céu. Nova luz me chama, eu vou seguindo, Como nave à deriva neste mar, E mesmo na dor vou sorrindo, Pois só quem ama sabe aclamar! Marilândia

26 DE JANEIRO 2026

“Diluo-me em pó por exaustivos cantinhos” Jô Tauil __________________________ Esfarelo-me em cinza, em névoa, em nada… Sou sombra que se arrasta nos caminhos, Alma de luto, de silêncio, enlutada. Desfaço-me em suspiros e em espinhos, Nas horas mortas, de tristeza inundada, Sou vento que se perde nos caminhos Das nuvens sem destino, desolada. Esvazio-me de mim, gota a gota, Como vela que a chama lhe consome, Sou eco que no vácuo se rebenta, E que no próprio pranto esvai-se qual bancarrota. Perco-me inteira, sem que nada me some, Sou dor que arde, que sangra e que lamenta, Desfaleço em pedaços, morta e rota, Centelha que no escuro se afugenta. E assim vou sendo menos, sendo ausência, Até que reste apenas a lembrança De quem fui antes desta transparência. Marilândia

25 DE JANEIRO 2026

“Diluo-me em pó por exaustivos cantinhos” Jô Tauil __________________________ Esfarelo-me em cinza, em névoa, em nada… Sou sombra que se arrasta nos caminhos, Alma de luto, de silêncio, enlutada. Desfaço-me em suspiros e em espinhos, Nas horas mortas, de tristeza inundada, Sou vento que se perde nos caminhos Das nuvens sem destino, desolada. Esvazio-me de mim, gota a gota, Como vela que a chama lhe consome, Sou eco que no vácuo se rebenta, E que no próprio pranto esvai-se qual bancarrota. Perco-me inteira, sem que nada me some, Sou dor que arde, que sangra e que lamenta, Desfaleço em pedaços, morta e rota, Centelha que no escuro se afugenta. E assim vou sendo menos, sendo ausência, Até que reste apenas a lembrança De quem fui antes desta transparência. Marilândia

24 DE JANEIRO 2026

Jô Tauil ______________________________ Contra o vidro frágil do meu peito em dor, E os dias passarão como sombras ligeiras Levando nos seus braços o que resta de amor. Serei a que caminha pelas sendas desertas Colhendo nos espinhos o sangue do sofrer, Com mãos vazias, sempre, e as feridas abertas Buscando o impossível que não há de volver. Minha alma é um jardim de rosas já murchadas Onde o vento espalha pétalas sem perdão, São cinzas as canções que foram murmuradas No altar silencioso da minha solidão. E hei de erguer-me altiva mesmo na agonia, Vestida de luar e de melancolia, Bebendo até ao fim o cálice do pranto, Sabendo que sou rainha no meu desencanto… Que trago no meu seio uma chama infinita Ainda que a vida inteira me negue e me excita, Serei sempre a mulher de sonhos constelada, A eterna, a sedenta, a nunca saciada. Marilândia

23 DE JANEIRO 2026

Jô Tauil ______________________________ Contra o vidro frágil do meu peito em dor, E os dias passarão como sombras ligeiras Levando nos seus braços o que resta de amor. Serei a que caminha pelas sendas desertas Colhendo nos espinhos o sangue do sofrer, Com mãos vazias, sempre, e as feridas abertas Buscando o impossível que não há de volver. Minha alma é um jardim de rosas já murchadas Onde o vento espalha pétalas sem perdão, São cinzas as canções que foram murmuradas No altar silencioso da minha solidão. E hei de erguer-me altiva mesmo na agonia, Vestida de luar e de melancolia, Bebendo até ao fim o cálice do pranto, Sabendo que sou rainha no meu desencanto… Que trago no meu seio uma chama infinita Ainda que a vida inteira me negue e me excita, Serei sempre a mulher de sonhos constelada, A eterna, a sedenta, a nunca saciada. Marilândia

22 DE JANEIRO 2026

__________________________ Caminho pela vida sem temor do que há de vir, As estrelas me guiam pelo céu mais perfeito, E a alma se derrama em versos de sentir. Trago nas mãos vazias toda a imensidão do mundo, Nos olhos, o luar que banha a solidão, No peito, um vendaval sereno e profundo, Que me arrasta sem dor, sem mágoa, sem razão. Sou feita de silêncios e de gritos contidos, De sonhos que se vão como aves a voar, De beijos nunca dados, de abraços não vividos, De tudo quanto a vida me ensinou a amar. E mesmo assim, eu sigo com a fronte levantada, Sabendo que o destino é feito de escolher, Que cada dor sofrida, cada chaga curada, Me torna mais inteira no meu próprio ser. Com a consciência pura e o coração desperto, Aceito o que me dá este viver incerto, E vou tecendo o fio do meu próprio fado, Até que o tempo diga que já vivi, assim plasmado! Marilândia

COSTURANDO POESIA JANEIRO 2026

_________________________ Que me acorrenta às sombras do teu olhar profundo… És tu o veneno doce que me hipnotiza, A chama negra que me consome neste mundo. Trago na alma as marcas do teu domínio obscuro, Como estigmas de um amor que é maldição e prece, Navego em teu abismo sem encontrar um muro, E quanto mais me afundo, mais meu ser te oferece. Sou escrava voluntária desta paixão violenta, Que me devora inteira como fogueira insana, Minha vontade frágil ao teu poder se ausenta, E entrego-me toda a esta sina soberana. Que importa ser cativa se és tu meu carcereiro? Se tuas mãos de ferro são carícias cruéis? Prefiro este tormento ao destino rasteiro De quem nunca soubesse amar com tais cinzéis. Flui em minhas veias este sangue aprisionado, Lateja em meu peito escravo um coração rebelde, Sou tua, embora livre sonhasse ter sido, Mas que liberdade vale quando a alma se vende? Marilândia

sexta-feira, 15 de maio de 2026

20 DE FEVEREIRO

Jô Tauil ________________________ Era preciso que eu me despisse da alma, Que rasgasse por dentro aquela calma Fingida, e o meu silêncio com tanto assombro… Era preciso ser a que se afronta Com o espelho cruel, sem qualquer vivalma, A que chora sozinha e não se acalma, A que arde e não sabe o que desponta… Que eu fosse nua — não de carne apenas — Mas nua de ilusões, de cenas vãs, De tudo quanto finge e não se entrega. E tu viesses assim, cheio de penas, Mas o encontro não veio — ficou suspenso Entre o que eu quis dizer e o que calei, Entre a mulher que fui e a que inventei, Perdida nesse abismo negro e tão intenso. Marilândia

COSTURANDO 21 DE FEVEREIRO

Jô Tauil ________________________ Sou o perfume eterno de uma flor que já morreu, O eco de uma voz que o vento dispersou e não voltou, A sombra de um amor que nunca se completou. Sou feita de silêncios e de noites estreladas, De beijos não colhidos e de mãos desamparadas, Carrego nos meus olhos todo o pranto do universo, E no peito, um jardim de angústia — meu verso. Que importa se me perco neste mar sem horizonte? Que importa se a minha alma é uma ferida aberta? Sou princesa e mendiga, sou rainha e sou serva, Sou a dor que se inflama e a cinza que se reserva. Quisera ser o sol que a tudo aquece e ilumina, Mas sou apenas brasa sob a noite cristalina, Centelha que se apaga antes de tocar a aurora, Mulher que ama demais e que por isso sempre chora. Ah, vida, que és tu senão esta chama que vacila? Que és tu senão a sombra daquilo que nos falta? Corola de claridade numa chama apagada — Sou tudo e nada, nada — e nesse nada, não mais que desolada. Marilândia

COSTURANDO 16 DE FEVEREIRO

ô Tauil _________________________ Eis que Os teus olhos ainda guardam o brilho que perdi, Que o silêncio entre nós não se tornou frio e sombrio, Que ainda existe um nós no que restou de ti e de mim. Fingirei que não vejo as ruínas do que construímos, Que cada palavra tua não me corta como lâmina afiada, Que o teu partir não deixou em mim apenas destroços, Que ainda pulsa viva a chama que julgava apagada. Mentirei aos meus olhos para não verem a verdade, Direi ao coração que volte a crer no teu regresso, Vestirei de ilusão esta dor que me consome inteira, Para não sentir o peso deste amor que é meu apreço… E fingirei sorrir quando pronuncias outro nome, Que não sangra esta alma ao ver-te nos braços alheios, Que posso respirar sem que o ar me falte aos pulmões, Que não morro por dentro nestes desertos e anseios. Mas sei que o fingimento é só veneno disfarçado, Que prolonga a agonia do que já deveria morrer, Que o amor que ruiu jamais se ergue do seu escombro, E que esta mentira piedosa me impede de renascer. Marilândia

COSTURANDO 18 DE FEVEREIRO

Jô Tauil _____________________________ E o sonho que eu guardava já não tem calor, Vivo a mendigar um beijo ou um grito, Qualquer coisa que me lembre que há amor. Rasguei de mim o véu de ilusão que eu vesti, E fiquei nua, à mercê do vento e da dor, Já não sei quem sou, já não sei o que perdi, Sei apenas que a saudade é a minha cor. Fui rainha de um reino que nunca existiu, Princesa de um conto que ninguém escreveu, Toda a glória que prometi em mim morreu. E o mundo que eu amei em cinzas se partiu, Ficou só esta noite imensa que me absorveu E este coração que sofre e que é meu. Ah, mas quem me dera ainda poder crer Que há um verso de luz no fim de tanto escuro, Que o amor que me fugiu pode voltar a ser, Que não é tarde demais e que o amanhã não é impuro.​​​​​​​​​​​​​​​​ Marilândia

COSTURANDO 23 DE FEVEREIRO

Vivo de sonhos feitos de luz e de ilusão, Sou a alma que arde e chora sem razão, Borboleta presa dentro do meu coração. Que importa o mundo se eu mesma sou o mundo? Que importa o mar se trago o mar profundo? Sou o grito rouco, o silêncio vagabundo, A chama que devora tudo num segundo. Eu quero amar como ninguém sabe amar, Com as mãos abertas, com o peito a sangrar, Com a alma nua entregue ao luar. Mas o amor é um deus cruel e mentiroso, Que passa como vento misterioso, Deixando o coração vazio e silencioso. Ah, ser mulher é ser a dor inteira! É ser a noite, a névoa, a primavera, É ser a rosa e ser a própria espinheira. No fantástico colorido que me habita, Sou rainha, sou mendiga, sou maldita, Sou a voz que clama, arde, chora e grita. Marilândia

COSTURANDO 27 DE FEVEREIRO

Jò Tauil _________________________ Guardo nos olhos toda a luz perdida, Como se a alma, de si mesma difusa, Fosse uma chama a cada instante garrida. Sou a mulher que o vento não trucida, Que bebe o mar e morre ressurgida… Princesa triste, louca, ilusionista, De amor que nunca teve despedida. Há pétalas que caem sem ter nome, Há beijos que o silêncio não consome, Há noites que a saudade não redime. E eu, que de sonhos vivo do que é sublime. Busco no ar algum perdido perfume De tudo aquilo que jamais se exprime. Florei em vão num jardim sem outono, Amei demais o que não teve abandono. Fui rainha de um reino sem trono, Mendiga de carinho e de afeto. Agora resta apenas este pranto — Ser toda a dor e ainda assim ser encanto. Marilândia

COSTURANDO 7 DE MARÇO

Jô Tauil ________________________ Na varanda pálida do meu destino; a noite abre os braços como estrada onde escorre teu nome peregrino. O vento traz murmúrios da saudade como um sino chorando na distância; e meu peito, rendido à eternidade, arde lento na tua lembrança. Há estrelas cansadas no meu pranto, há perfumes de lírios no meu cansaço; pois amar-te é beber do mesmo encanto que me prende perdida em teu abraço. Se demoras, amor, morro de espera como a rosa que o inverno desfalece; minha alma, silenciosa sentinela, à tua sombra fiel permanece. Vem! Que a aurora já treme na janela e o meu sonho por ti se fez clarão — pois na ausência que a noite me revela bate em chamas meu pobre e frágil coração. Marilândia

COSTURANDO 5 DE MARÇO

Jô Tauil __________________________ E o silêncio floresce na amplidão do peito, lembro o teu nome como quem reza uma prece antiga feita de luar. Há um perfume de saudade no vento que passa lento pelos meus cabelos; parece trazer de longe os teus passos pisando macio no jardim do sonho. E então meu coração, pobre romeiro, acende uma lâmpada de esperança nas janelas trêmulas da memória. Ah, se soubesses como te procuro nas estrelas que tremem sobre o mundo, nas águas quietas da madrugada, no murmúrio das rosas adormecidas! Mas tu és bruma que foge ao toque, eco distante de um canto antigo… E eu fico aqui, na noite que renasce, colhendo do céu migalhas de in_finito. Marilândia

COSTURANDO 2 DE MARÇO

Jô Tauil _________________________ Eis que Sou a folha ao vento entregue e vã, A chuva que não sabe aonde vem nem vai, O sonho que se perde na manhã. Por isso me levas — és o meu destino, A mão que me conduz sem me prender, Sou feita de saudade e de caminho, De tudo quanto a alma quer ter. Leva-me para o alto das estrelas, Para o fundo do mar onde se cala A dor que em mim não cabe, nem se apaga — A voz que chora e que já não fala. Leva-me pelo tempo e pelo vento, Por todas as estradas que não andei, Que eu trago dentro o meu próprio tormento, E nunca soube ao certo o que busquei. Por isso me levas — e eu sou tua, Feita de noite, de luar e bruma, Alma que arde, que suspira, que flutua — Tudo em mim és tu. Sem ti, sou tão somente uma. Marilândia .

COSTURANDO 3 DE MARÇO

“Mas creia, é um coração contrito e em ti atento…” Jô Tauil _______________________ Que pulsa na penumbra como lâmpada esquecida; é chama que se inclina ao sopro do teu vento, rosa ferida aberta no jardim da vida. É prece que se eleva em silêncio e tormento, feito ave noturna à procura de guarida; é lágrima de luz no olhar do firmamento, é sombra que se curva à tua luz rendida. Se me negas, amor, eu morro devagar, como morre a tarde em púrpura desfeita; sou sino que soluça à beira do teu altar, sou verso que se rasga dentro da tua suspeita. Mas se me chamas — ah! — renasço em alvorada, lírio febril rompendo o gelo do abandono; sou harpa estremecida, em febre iluminada, sou lua que se entrega inteira ao teu trono. E assim, entre o sofrer e o êxtase profundo, meu pobre coração — exilado e fecundo — faz do teu nome o céu e do meu pranto, o mundo. Marilândia

COSTURANDO MARÇO 2026

“Corpos… e almas! “ Jô Tauil _______________________ Carne que palpita e geme, Sede de ser amada e não saciada! Alma que grita, foge, desesperada, E em cada beijo ardente se consome! Que importa a dor que queima, que nos treme, Se há uma boca quente e perfumada? Que importa a vida, triste e mal vivida, Se há um coração que bate e que nos teme? Eu quero amar! Quero sentir na pele O fogo vivo de quem me deseja, A noite inteira, profunda, sempre bela! Que a alma voe e o corpo se festeje! Que eu morra assim — amada, ardente… Aquela que amou demais e nunca se arrependeu! Marilândia

COSTURANDO MARÇO 2026

“Haverá em nós sentimentos provocando enxurradas” Jô Tauil __________________________ Torrentes que ninguém consegue mais conter, Almas que se abrem como flores magoadas No desespero louco de querer e não poder. Haverá em nós um choro sem lágrimas visíveis, Um pranto que devora por dentro, sorrateiro, Paixões ardentes, fundas, incompreensíveis, Que ardem como brasa no peito mensageiro. Haverá em nós a sede de um amor imenso, Que a vida nunca soube, mesquinha, nos dar, Um querer tão puro, tão profundo, tão intenso, Que só na própria dor nos resta celebrar. Haverá em nós a noite e o seu mistério, A solidão que canta como vento no mar, O peso grave e belo de um antigo império De sonhos que a manhã não soube perdoar. Haverá em nós, enquanto formos esta chama, A glória de sofrer com todo o nosso suporte, Pois só quem arde assim, quem ama, quem se inflama, Conhece o que é ser alma, além da própria sorte. Marilândia

FEVEREIRO 2026

Jô Tauil ___________________________ De almas que sangram luz por cada ferida, De corações que escolheram, nessa vida, Morrer de amor em vez de viver quais rimadores. Seremos nós os últimos clamores De uma beleza antiga e esquecida, A chama que recusa ser vencida Pelo frio dos homens sem ardores! Que venham, pois! Os séculos e os ventos, Os dias cinzas, os desencantos lentos, A noite abissal e o peso do silêncio! Nós, que juramos tudo ao que sentimos, Saberemos morrer como vivemos — Com o peito aberto e o sonho sempre aceso! Marilândia

26 DE MARÇO 2026

Jô Tauil ______________________ E ficou a noite, funda, a transbordar de escuridão, Nem um rastro de luz, nem uma consolação, Só o eco do que foi, do que o silêncio devorou. Fui chama, fui calor, fui toda vibração, Ardia como quem ama e nunca se entregou, Mas a vida, essa senhora, tudo me roubou, E deixou só cinza fria no lugar do coração. Que é feito do teu nome que eu gravei no vento? Que é feito do teu rosto, do teu vulto lento Que eu seguia nos caminhos onde a sombra mora? Sou a flor que não floriu, sou o verso incompleto, Sou o grito engolido, sou o último segredo, Sou a chama que se apaga — e que ninguém chora. Resta-me este silêncio que me cobre toda, E uma saudade estranha, triste, que me devora, Como se eu fosse sempre a festa e nunca a hora, Como se o mundo inteiro me esquecesse semimorta. Marilândia

MARÇO 2026

Jô Tauil ____________________________ Eis que a alma, quando quer, rompe as grades do mal — assim como a rosa, entre pedras, triunfal, abre seu perfume ao mundo inalterável. Fui sombra, fui chuva, fui noite interminável, carreguei nos pulsos o peso sideral; mas hoje desperto — nua,clara, auroral — para um amor que a dor torna inesquecível. Ah, Deus! Que fiz de mim nessas horas perdidas? Chorei — e cada lágrima, ao cair, acendida, virou luz nos caminhos que eu não via mais. Creio que há graça oculta nas feridas, que a beleza mais alta é a mais sofrida, e que a alma que sangrou encontra enfim a paz. Sou feita de desejo e de abandono, de sonhos que morreram num outono e voltaram em flor no amanhecer — Porém, sei:a dor que me curvou ao chão foi apenas a mão que, com perdão, me ensinou a existir em vez de padecer. Marilândia

ABRIL 2026

“Perderemos a razão de existir” Jô Tauil _________________________ Se o amor se apagar como uma chama cansada, Se a noite for mais funda que o próprio sentir E a alma, em silêncio, se fizer abandonada. Perderemos a razão de existir Se o teu nome morrer nos lábios do vento, Se a saudade deixar de doer e ferir E o tempo não guardar teu doce tormento. Perderemos a razão de existir Se os sonhos murcharem na aurora cinzenta, Se a vida não ousar outra vez florir Na dor que em beleza se reinventa. Perderemos a razão de existir Se não houver vertigem nem febre no olhar, Se o beijo for sombra, sem luz a luzir, E o corpo esquecer o verbo amar. Perderemos a razão de existir Se o mundo for só pó sem poesia, Se a alma, cansada de tanto fingir, Negar-se ao milagre da melancolia.

MAIO 2026

Jô Tauil _________________________ E o silêncio veio, frio, como lâmina a ferir. Fui rainha de um reino que aprendi a construir, E agora sou apenas sombra — vã, translucente. Busquei em cada verso um amor que fosse ardente, Mas o que encontrei foi cinza, pó, e um longo abrir De portas que dão para o nada — e ao partir, Descobri que a dor também é estranhamente quente. Fui mulher de todos os ventos, de toda a angústia nua, Carrego nas mãos abertas a ferida da lua E nos lábios, o gosto amargo de ter sonhado demais. Que me importa o mundo se o mundo não me pertence? Sou chama que arde sozinha, que treme, que fenece. Minha essência evaporou — e transbordou cinza e paz. Marilândia

MAIO 2026

Jô Tauil ________________________ Nem guardo em cofres d’alma ilusões, Porque a vida fez de mim suas prisões E encheu de cinza as manhãs soberanas. Fui feita de tormenta e de distâncias, De amores que morreram sem razões, De lágrimas que viraram canções E de silêncios cheios de ressonâncias. Sou a mulher que o vento não domou, Que beijou a dor na boca e não chorou, Que ergueu dos próprios cacos a beleza. E se a sorte cruel me abandonou, Fui eu mesma que me iluminou — Farol perdido em minha própria certeza. Marilândia

14 maio 2026

É o teu nome, tatuado no meu ser, A chama que me impede de esquecer Os teus braços — laços tão esquecidos. Há no teu olhar mundos prometidos, Abismos onde me perco ao te ver, Veneno doce, que é prazer e dever, Beijos que soam como gemidos. Eu sou a noite e tu és a madrugada, A rosa que sangra ao ser tocada, A sede que nenhuma fonte mata. Minha carne em febre se consome, Meu espírito chama pelo teu nome Como quem reza — e como quem se perde e cala. Marilândia

COSTURANDO 15 DE MAIO

“Sorvamos o néctar bendito desta ventura” Jô Tauil ______________________ Qual fluido magnético, secreto Resplendendo num cataclisma, palpitante,inquieto No esplendor de teu corpo que tortura... E de tal forma se arrasta numa cadência Ascendendo às profundas plagas, Vivendo numa oculta florescência De sonhos e lágrimas em ressacas... Eis que em mórbidos quebrantos Em soluços, soluços,crivados Sente-se que a dor menos viva Nua, sem sol e sem sombra aviva. Assim, numa visão consoladora da saudade Ânsias e desejos de velhas chagas, Despertando em nós tal plêiade Num perfeito esplendor in_definido de mágoas. Marilândia

COSTURANDO 29 DE ABRIL

“Mas ainda faço-te concreto na minha abstração.” Jô Tauil _________________________ Como um vulto de luar que a saudade desenha; és silêncio que arde em secreta combustão e a sombra que em mim eternamente se empenha. És verso suspenso em febril devoção, eco antigo que o tempo jamais desdenha; um sonho bordado na minha solidão, uma ausência que insiste e que me acompanha. Trago-te em mim como um lírio ferido, pálido de espera e de doce agonia; és o nunca que vive no já vivido, és o sempre que morre em cada dia. Ah, se ao menos fosses carne e destino, se ao toque te fizesse enfim verdade, mas és névoa de um querer peregrino que se perde nas ruas da eternidade. E assim te invento — febre, ilusão — meu amor im_possível! Marilândia

COSTURANDO 7 DE MAIO

Jô Tauil ______________________ Como luz que treme e some no horizonte frio, E em mim ressoa o eco de um amor errante Que chora, sozinho, à beira de um rio. Teu nome é uma ferida que não quer sarar, Uma rosa sangrando entre dedos de sombra, Sou a noite que espera sem poder chorar, E és tu — chama breve que tudo assombra. Que importa a distância se és minha, alma minha? Se te guardo inteiro dentro do meu peito ardente? Sou mulher que ama e que sofre e que se definha Num querer que é loucura, que é fogo, que é silente… Ah, quanto me custa fingir que não te quero! Que o teu rosto não habita o meu silêncio! Sou nau perdida em mar cruel e severo, Morrendo de um amor vasto e imenso. Então vejo teu vulto _lindo, sempre lindo!_ E minha alma parte em pedaços de saudade. Vivo de te amar sem fim, te perseguindo Nesta fatídica e desventurada fatalidade. Marilândia

30 DE ABRIL 2026

“Embora meio desmemoriados…” Jô Tauil ________________________ Guardamos ainda o cheiro dos teus cabelos, o peso dos abraços mal dados, o eco perdido dos nossos pesadelos. Havia em nós uma sede antiga de sermos amados além do que somos, de encontrar na dor que nos obriga, algum sentido nos passos que competimos. Fui tua, como a noite é do luar — entregue e vasta, sem bordas nem nome. E tu foste meu sem me encontrar, como a brasa que queima e que some. Mas que vale a memória que mente? Que vale o amor que não sabe ficar? Somos dois sonhos de água corrente, dois rios que nunca hão de se encontrar. Oh, quanta beleza neste morrer lento de quem amou demais e não soube dizer — apenas ficou o vago tormento e a saudade enorme de te rever. Marilândia

1 de maio 2026

“Chorando comigo, esse choro tão antigo…” Jô Tauil _____________________ Lágrima que já nasceu do que não tem nome, Voz que a noite bebe, a solidão consome, E que eu carrego como um voto, como um estigma! Choro de tanto amar o que me foi inimigo, De tanto abrir a mão ao vento que me some, De tanto ter chamado por um bem que não tem nome, Sequer a sombra fria de um fugaz abrigo. Sou a mulher que chora e não sabe por quê, Que beija o pó da estrada onde ninguém a vê, Que estende os braços brancos à distância e ao vento. Tenho nos olhos toda a chuva de outro mar, Tenho nos lábios tudo o que não pude dar, E no peito essa dor — que é a minha e é o meu tormento. Chorando comigo, esse choro que não passa! Que é rio e é sepulcro e é reza e é quase nada, Que nasce quando a alma se sente abandonada E o amor que se queria era apenas fumaça. Que seja, pois, meu pranto a única saudade, Que a dor, ao menos, seja minha liberdade. Marilândia

3de maio 2026

“Num triste efeito dos desencontros…” Jô Tauil _____________________ Afogo em lágrimas o que fui um dia, e choro, ó noite, os meus amores mortos como se chora a última alegria. Há um silêncio enorme nas horas tortas que habitam o lugar onde vivia e as rosas que plantei — já todas mortas — perfumam ainda a dor que me esvazia. Fui tua e não o soube! Fui teu beijo perdido entre os caminhos que escolheste, névoa que se desfaz ao fim do cortejo, Mas guardo no peito tudo o que me deste: a sombra do teu nome, o vão desejo, e a dor de ter amado — e de ter sido. Ah, que amei tanto e que chorei mais ainda! Minha alma é um cais deserto e sem navio, e o amor que me ficou — cansado e findo — é cinza que o vento espalha pelo frio. Partir foi teu destino, e o meu — ficar, chorando os des_conpassos sobre o mar. Marilândia

2 de maio 2026

“Que soltem as rédeas dos meus sonhos” Jô Tauil _______________________ Que me deixem voar além do que se vê! Sou feita de desejo e de não-sei-quê, De anseios que se acendem aos poucos. Há dentro de mim mares e soluços, Tormentas que ninguém soube conter — Sou a chama que insiste em não morrer, A rosa que floresce entre os arbustos. Quero tudo! A vida inteira numa taça, O céu, a terra, o vento que me abraça, O amor que dói, que sangra, que devora! Que me deem o in_finito entre as mãos nuas, Que eu dance, descalça, sob as luas, E morra de ser eu — inteira — agora. Marilândia

MAIO 2026

Jô Tauil _______________________ Caminha pela noite em véus de alfazema, como um sino de mágoas e esplendores chorando estrelas sobre o meu poema. Trago nos olhos luas fatigadas e um jardim de silêncios sem abrigo; minhas mãos, aves tristes e queimadas, procuram teu fantasma antigo. Ah! quantas rosas morrem no meu peito quando a saudade vem, lenta e sombria, beijar meu sonho pálido e desfeito com lábios frios de melancolia… Sou feita de crepúsculos e espelhos, de harpas feridas pelo desalento; há nos meus longos e febris joelhos o peso azul de algum pressentimento. E sigo, como as névoas peregrinas, pelos caminhos onde o amor se enterra, levando nos cabelos as ruínas de um céu que anoiteceu dentro da terra. Marilândia

“Que entorpece a alma e vibra nos sentidos” Jô Tauil _______________________ É o teu nome, tatuado no meu ser, A chama que me impede de esquecer Os teus braços — laços tão esquecidos. Há no teu olhar mundos prometidos, Abismos onde me perco ao te ver, Veneno doce, que é prazer e dever, Beijos que soam como gemidos. Eu sou a noite e tu és a madrugada, A rosa que sangra ao ser tocada, A sede que nenhuma fonte mata. Minha carne em febre se consome, Meu espírito chama pelo teu nome Como quem reza — e como quem se perde e cala. Marilândia

COSTURANDO MAIO 2026

“Além do que estar amando é a maior graça” Jô Tauil __________________________ Não há tesouro algum que tanto valha, Nem ouro, nem poder, nem a batalha De impérios que o furor do tempo abraça. Amar é a chama viva que não passa, É a rosa que no peito me trabalha, É luz que pela noite me acompanha E à minha solidão tece e entrelaça. Que importa a dor se o coração arde assim? Que importa o mundo inteiro contra mim Se tenho em ti a minha madrugada? Sou louca, sou rainha, sou mendiga — Mas sou inteira quando o amor me obriga A ser teu céu, tua chama, tua alvorada. Marilândia

COSTURANDO M,AIO 2026

“E que meus versos ainda se tornem soberanos” Jô Tauil _____________________ Rasgando o véu da noite com seus gritos de luz, Que falem do que dói nos peitos mais humanos, E da saudade eterna que nos prende numa cruz. Que sejam feitos de alma, de sangue e de lamento, De tudo o que se perde nas margens do querer, Que carreguem no verso o mais fundo sofrimento E a glória trêmula de um amor a florescer. Sou feita de tormenta, de anseio e de ventura, De sonhos que se partem como espelhos ao chão, Mas dentro desta carne frágil e tão impura Ainda pulsa altiva uma estranha exaltação. Que minha voz ressoe por entre os séculos frios, Que minha dor se torne pétala e se desfaça, Que os homens bebam nela como bebem dos rios E encontrem o que sempre a memória não apaga. Hei de morrer um dia com os lábios ainda cheios De versos que não disse, de amores que não tive, Mas antes que me apaguem os últimos anseios, Serei rainha, enfim — de tudo quanto escrevi. Marilândia