domingo, 26 de julho de 2026

QUANDO A ÚLTIMA PORTA SE ABRIR

Quando a Última Porta se Abrir Um dia a gente vai embora. Sem alarde, sem aviso, como a tarde que lentamente se desfaz no horizonte ou como uma folha que o vento desprende do galho sem fazer ruído. E, de repente, compreenderemos que nunca fomos donos de nada. A casa permanecerá de pé. As janelas continuarão acolhendo o sol das manhãs. As flores tornarão a desabrochar na primavera, indiferentes à nossa ausência. As roupas guardarão, por algum tempo, o perfume da nossa existência. Os livros conservarão entre as páginas as marcas dos nossos dedos. A poltrona vazia ainda parecerá esperar por nós. Mas a vida, serena em sua sabedoria, seguirá adiante. Então descobriremos que o verdadeiro patrimônio jamais coube em cofres, gavetas ou escrituras. Nossa maior herança será a ternura que espalhamos, a esperança que reacendemos em alguém, o perdão que oferecemos quando era mais fácil guardar a mágoa, a mão estendida quando o outro acreditava estar sozinho. Não seremos lembrados pelo ouro que acumulamos, mas pelo brilho que deixamos nos olhos de quem encontrou em nós um abrigo. Porque as palavras de amor nunca morrem. Os gestos de bondade não conhecem sepultura. Eles continuam vivendo silenciosamente na memória daqueles que um dia tocaram nosso coração. Talvez alguém, muitos anos depois, pronuncie o nosso nome com um sorriso humilde e diga: "Como era bom tê-lo por perto..." E, nesse instante, teremos vencido o tempo. Pois a morte pode levar a nossa voz, pode silenciar nossos passos e fechar para sempre os nossos olhos. Mas jamais conseguirá apagar a luz de uma alma que fez da própria existência um caminho de amor. Um dia a gente vai embora... Que, quando esse dia chegar, não reste apenas a saudade. Que permaneça a doçura da nossa passagem. E que Deus permita que, onde houver uma lembrança de nós, também floresça um motivo para agradecer.

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