COSTURANDO DIA 12 DE JULHO
Jô Tauil __________________________ Mas em meu peito a tarde veste um lilás de agonia… Há sinos a dobrar por esquecidos verões, E um crepúsculo antigo desfalece em nostalgia. Trago nas mãos o pó das ilusões desfeitas, Como quem colhe cinzas onde esperava flores… As horas, lentamente, em procissões perfeitas, Vão sepultando os sonhos sob mantos de dores. Ó Amor, peregrino das estradas do im_possível Por que pousaste em mim tuas asas de luar? Fizeste do meu peito um sacrário in_visível E partiste, deixando apenas o teu faiscar… Agora beijo a noite como se fosse irmã, E converso com astros de olhar silencioso… Cada estrela me empresta um pouco da manhã, Que não chega jamais ao meu jardim saudoso. Contudo, se um dia voltares, docemente, Encontrarás em mim a mesma flor rendida: A que morreu mil vezes, mas guardou, paciente, A estranha eternidade de quem amou a vida. Marilândia

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