COSTURANDO M,AIO 2026
“E que meus versos ainda se tornem soberanos” Jô Tauil _____________________ Rasgando o véu da noite com seus gritos de luz, Que falem do que dói nos peitos mais humanos, E da saudade eterna que nos prende numa cruz. Que sejam feitos de alma, de sangue e de lamento, De tudo o que se perde nas margens do querer, Que carreguem no verso o mais fundo sofrimento E a glória trêmula de um amor a florescer. Sou feita de tormenta, de anseio e de ventura, De sonhos que se partem como espelhos ao chão, Mas dentro desta carne frágil e tão impura Ainda pulsa altiva uma estranha exaltação. Que minha voz ressoe por entre os séculos frios, Que minha dor se torne pétala e se desfaça, Que os homens bebam nela como bebem dos rios E encontrem o que sempre a memória não apaga. Hei de morrer um dia com os lábios ainda cheios De versos que não disse, de amores que não tive, Mas antes que me apaguem os últimos anseios, Serei rainha, enfim — de tudo quanto escrevi. Marilândia

0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial