30 DE ABRIL 2026
“Embora meio desmemoriados…” Jô Tauil ________________________ Guardamos ainda o cheiro dos teus cabelos, o peso dos abraços mal dados, o eco perdido dos nossos pesadelos. Havia em nós uma sede antiga de sermos amados além do que somos, de encontrar na dor que nos obriga, algum sentido nos passos que competimos. Fui tua, como a noite é do luar — entregue e vasta, sem bordas nem nome. E tu foste meu sem me encontrar, como a brasa que queima e que some. Mas que vale a memória que mente? Que vale o amor que não sabe ficar? Somos dois sonhos de água corrente, dois rios que nunca hão de se encontrar. Oh, quanta beleza neste morrer lento de quem amou demais e não soube dizer — apenas ficou o vago tormento e a saudade enorme de te rever. Marilândia

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