1 de maio 2026
“Chorando comigo, esse choro tão antigo…” Jô Tauil _____________________ Lágrima que já nasceu do que não tem nome, Voz que a noite bebe, a solidão consome, E que eu carrego como um voto, como um estigma! Choro de tanto amar o que me foi inimigo, De tanto abrir a mão ao vento que me some, De tanto ter chamado por um bem que não tem nome, Sequer a sombra fria de um fugaz abrigo. Sou a mulher que chora e não sabe por quê, Que beija o pó da estrada onde ninguém a vê, Que estende os braços brancos à distância e ao vento. Tenho nos olhos toda a chuva de outro mar, Tenho nos lábios tudo o que não pude dar, E no peito essa dor — que é a minha e é o meu tormento. Chorando comigo, esse choro que não passa! Que é rio e é sepulcro e é reza e é quase nada, Que nasce quando a alma se sente abandonada E o amor que se queria era apenas fumaça. Que seja, pois, meu pranto a única saudade, Que a dor, ao menos, seja minha liberdade. Marilândia

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