sexta-feira, 15 de maio de 2026

COSTURANDO 29 DE ABRIL

“Mas ainda faço-te concreto na minha abstração.” Jô Tauil _________________________ Como um vulto de luar que a saudade desenha; és silêncio que arde em secreta combustão e a sombra que em mim eternamente se empenha. És verso suspenso em febril devoção, eco antigo que o tempo jamais desdenha; um sonho bordado na minha solidão, uma ausência que insiste e que me acompanha. Trago-te em mim como um lírio ferido, pálido de espera e de doce agonia; és o nunca que vive no já vivido, és o sempre que morre em cada dia. Ah, se ao menos fosses carne e destino, se ao toque te fizesse enfim verdade, mas és névoa de um querer peregrino que se perde nas ruas da eternidade. E assim te invento — febre, ilusão — meu amor im_possível! Marilândia

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