COSTURANDO POESIA DIA 3 ABRIL
"Tentando atravessar um deserto de sombras" Jô Tauil ______________________________ Perdi-me no deserto das sombras onde o sol não ousa penetrar, onde as dunas são feitas de suspiros e a areia é o tempo esquecido que escorre entre os dedos. Neste lugar sem horizonte os pássaros não cantam, apenas o silêncio desenha círculos no ar estagnado. Ali, os cactos crescem para dentro, suas raízes são palavras não ditas que nunca floresceram. Caminho com pés de saudade sobre o chão des_figurado, cada passo um eco do teu nome in_decifrável, enquanto a lua derrama sua luz faminta sobre minha pele. Procuro tua sombra entre todas as outras, como quem busca uma gota d'água em um oceano in_verso. Teu perfil talvez exista nas constelações negras que se desenham nas costas desta noite perpétua. Há quanto tempo atravesso este deserto? As horas são miragens que se desfazem ao toque, e minha sede é de um tempo que não conhece relógios. Carrego em minhas mãos o peso das memórias, pétalas des_coloridas que cortam como verdades mal compreendidas. No entanto, sigo caminhando, pois até no deserto das sombras existe um norte secreto, um ímã que me puxa para ti. Se encontrares minhas pegadas algum dia, saberás que foram escritas com a tinta da persistência, que cada marca na areia é uma letra de um poema sem fim sobre como atravessei o im_possível para encontrar tua luz. E quando finalmente cruzar este deserto, quando as sombras se tornarem apenas companheiras de jornada, saberei que a travessia era o destino, e que em cada grão de escuridão havia uma estrela adormecida. Responder, Responder a todos ou Encaminhar