OS LÍRIOS MORREM À TARDE
"A POESIA EXPRESSA IDEIAS E EMOÇÕES, MAS NUNCA DE MANEIRA CLARA, PARA , ATRAVÉS DO MISTÉRIO E DO ENIGMA, ATIVAR A IMAGINAÇÃO DO LEITOR."
quinta-feira, 3 de abril de 2025
Lua e Flor: Um Canto de Paixão (evento para abril) 17 DE ABRIL
15 DESFILE NA PASSARELA TEMA:LUA E FLOR AUTORA:Marilândia Marques Rollo TÍTULO:UM CANTO DE PAIXÃO PAÍS:Brasil DATA: 17/04/2025 Um Canto de Paixão Há noites em que a lua descobre teus segredos, como quem desvenda um jardim proibido, e seus raios, feitos de prata líquida, navegam pelo mar dos teus cabelos negros. Flor que se abre na penumbra dos sonhos, pétalas que guardam o sabor do impossível. Entre nós, o abismo e a vertigem, a mesma distância que separa a lua da flor silvestre. Teu corpo, geografia de sombras e desejos, onde meus dedos desenham constelações nunca vistas. Como não te amar quando a noite cai e tudo é silêncio além do teu respiro? Nos meus versos habitas como sereia entre ondas, presença inquieta que não se deixa capturar. Assim como a lua não pode tocar a flor que ilumina, meu amor te contempla da margem do universo. Quantas vezes reguei com lágrimas este amor indomável? Quantas vezes a lua testemunhou nossos encontros clandestinos? Somos nós: eternos amantes da impossibilidade, dançarinos suspensos entre a terra e o céu. A música que vem de dentro, que não se pode calar, é a mesma que embalou os poetas de todas as eras. Se pudesse, roubaria para ti todas as estrelas, e faria delas um colar para adornar teu colo nu. Lua, senhora das marés e dos amantes insones. Flor, efêmera beleza que desafia o tempo. Entre ambas, meu coração vagabundo procura o abrigo que só teus braços podem dar. E quando a aurora vier dissipar os mistérios da noite, seguirei buscando nos teus olhos aquele brilho lunar, aquela promessa florida que faz da vida um eterno poema inacabado. Marilândia
RÉPLICA DE FANATISMO FE
Fanatismo Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida Meus olhos andam cegos de te ver! Não és sequer a razão do meu viver, Pois que tu és já toda a minha vida! Não vejo nada assim enlouquecida... Passo no mundo, meu Amor, a ler No misterioso livro do teu ser A mesma história tantas vezes lida! "Tudo no mundo é frágil, tudo passa..." Quando me dizem isto, toda a graça Duma boca divina fala em mim! E, olhos postos em ti, digo de rastros: "Ah! Podem voar mundos, morrer astros, Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..." FLORBELA ESPANCA RÉPLICA DE MARILÂNDIA Também minh'alma, em ti, encontra abrigo Meus olhos, no teu brilho, se acendem! Os segredos que tuas palavras estendem São versos que no peito sempre abrigo. Vago pelo universo e, contigo, As estrelas no céu mais resplendem. Os sonhos que de ti a mim descem Tornam-se luz no caminho que sigo. "Todo o verso é eterno quando nasce da alma..." Quando escuto teus versos, essa calma De um oceano profundo invade-me sem fim! E, coração em chamas, digo sem medos: "Podem silenciar vozes, morrer segredos, Mas teu verso é imortal: Palavra e Sim!..."
PARA LUÍZA
Nas tuas mãos, Luiza, o mundo dança, Pétalas de sonho em flor desabrochando, És serena luz, divina esperança, Mistério doce que vou desvendando. Quem és tu, bela sombra de veludo? Silhueta que recorta o horizonte? És talvez a resposta para tudo, És talvez água fresca de uma fonte. Em teus olhos contemplo o infinito, Abismos de ternura e de paixão, Um universo de beleza escrito Nas linhas sutis do teu coração. Se pudesse colher todo o luar E tecê-lo em manto para ti, Se pudesse a vida inteira te dar Todo o amor que dentro em mim descobri! Teu nome é sussurro de poesia, Luiza, versos soltos ao vento, És dor e prazer, és melancolia, És a alma do meu pensamento. Quando a noite chegar e eu partir Para os reinos onde tudo é ausência, Teu nome hei de eternamente sentir Como divina e dolorosa essência. Luiza, flor selvagem e delicada, Enigma que me prende e me liberta, És sonho, és vida, és madrugada, És a porta dos céus sempre aberta. Marilândia
quarta-feira, 2 de abril de 2025
MENTIRAS POEMA DE FE COM RÉPLICA DE MARILÂNDIA
Mentiras Ai quem me dera uma feliz mentira que fosse uma verdade para mim! J. DANTAS Tu julgas que eu não sei que tu me mentes Quando o teu doce olhar pousa no meu? Pois julgas que eu não sei o que tu sentes? Qual a imagem que alberga o peito meu? Ai, se o sei, meu amor! Em bem distingo O bom sonho da feroz realidade... Não palpita d´amor, um coração Que anda vogando em ondas de saudade! Embora mintas bem, não te acredito; Perpassa nos teus olhos desleais O gelo do teu peito de granito... Mas finjo-me enganada, meu encanto, Que um engano feliz vale bem mais Que um desengano que nos custa tanto! Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas" RÉPLICA DE MARILÂNDIA