sexta-feira, 10 de julho de 2026

COSTURANDO 10 DE JULHO

Jô Tauil _______________________ Quando a manhã lhes borda o céu de luz, Há nos seus voos cânticos sozinhos Que a própria eternidade enfim seduz. Não pedem ouro às árvores floridas, Nem fazem do possuir o seu altar; Vivem de breves, luminosas vidas, E sabem, mesmo em queda, ainda amar. Quem dera eu ter as asas que eles têm, Para pousar no ramo do teu peito, Fazendo do silêncio o meu além, E do teu nome o meu sagrado leito. Mas trago em mim um coração humano, Tão feito de saudade e de distância, Que transforma o mais doce dos enganos Na mais cruel e eterna circunstância. Ainda assim, se o amor me der caminho, Seguirei como segue a ave o vento: Com um uni_verso inteiro no carinho E Deus cantando dentro do momento. Marilândia

quinta-feira, 9 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 9 DE JULHO

“Não conservemos olhos rançosos para o mundo” Jô Tauil __________________________ Que o mundo é um jardim de lágrimas em flor… Há lírios a nascer no abismo mais profundo, E astros desfalecendo à espera de um amor. Não negues à manhã o beijo da esperança, Nem deixes que o sofrer te endureça a emoção; Toda sombra adormece ao colo da bonança, Quando a luz faz do peito um ninho de canção. Se a vida nos desfolha as rosas do caminho, Há pétalas ocultas no ventre do luar; Nenhum destino é pobre quando o doce carinho Consegue transformar o pranto em alto-mar. Olhemos cada adeus como um berço de chegadas, Cada inverno, um ensaio para a primavera em flor; As almas que padecem e seguem perfumadas Aprendem com a ausência o idioma do amor. Não conservemos olhos fatigados de tristeza… Que o coração renasça em cada amanhecer. Só alcança o infinito quem faz da própria fraqueza Uma ponte de estrelas para o eterno viver. Marilândia

terça-feira, 7 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 7 DE JULHO

"Pobre flor! Pobre Maria!" Jô Tauil ________________________________ Quem te desfolhou na primeira alvorada? Quem fez da tua doce fantasia Uma estrela triste, no céu exilada? Teus olhos guardavam o azul das distâncias, Onde o amor repousa sem nunca morrer; Mas o tempo, ladrão das puras infâncias, Levou-te os jardins que sonhavas colher. Ficou-te nas mãos um punhado de vento, E nos lábios, a sede das juras caladas; Cada beijo ausente tornou-se lamento, Cada noite, um rosário de luas veladas. Contavas às rosas teus íntimos ais, E elas choravam orvalhos contigo; Até as estrelas, dos altos umbrais, Faziam do céu teu secreto abrigo. Se amar é perder-se em divina loucura, Tu foste a mais bela das almas em flor; Transformaste a dor em eterna ternura, E a lágrima humana em perfume de amor. Dorme, Maria, no seio da aurora, Que o Céu faz de ti sua rosa mais pura. Marilândia

segunda-feira, 6 de julho de 2026

DIA 6 DE JULHO

“Achando que só existe essa vida” Jô Tauil ______________________ Guardei meu céu nas dobras do teu peito, Fiz da esperança a minha despedida, E do teu beijo o meu sagrado leito. Mas veio a noite abrir seus véus de bruma, Vestindo a lua com saudades minhas… Cada estrela era uma lágrima de espuma, Florindo em silêncio as velhas campinas. Se tudo morre, o amor não morre, não! Transfigura-se em perfume e claridade; É ave que regressa ao coração, Depois de atravessar a eternidade. Quero seguir-te por jardins suspensos, Onde os jasmins adormecem ao luar, Colher dos astros os segredos imensos, Que Deus semeou nas ondas do amar. E quando o tempo se desfizer em flores, E o mundo for apenas lembrança e vento, Hei de encontrar-te além de todas as dores, Com a alma vestida de encantamento. Porque quem ama vence a própria morte, E faz do infinito a sua primavera. Marilândia

domingo, 5 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 5

“Agora adormece no bosque comigo” Jô Tauil _______________________ Pois a noite acendeu violetas no ar, O céu desfolhou seu manto antigo Para nos ensinar o verbo amar. Repousa a cabeça em meu colo de bruma, Enquanto o luar penteia teu cabelo; Cada beijo é uma ave que perfuma As rosas escondidas do meu anelo. Escuta… os pinheiros rezam baixinho, Como monges perdidos na amplidão; E o silêncio, descalço pelo caminho, Vem beber o vinho da nossa paixão. Se as folhas caírem, serão cartas Que o outono escreveu para nos unir; Se as sombras chorarem, serão asas fartas De sonhos que recusaram partir. Amanhã talvez desperte o uni_verso, Mas nós seremos eternidade em flor; Dois astros escondidos num só verso, Dois corações vencendo a morte pelo amor. E, se Deus passar por este arvoredo, Há de sorrir ao ver nossa ventura: Porque o amor, quando adormece sem medo, É a mais perfeita oração da ternura. Marilândia

sábado, 4 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 5 DE JULHO

“Com poetas encantados pelos monumentais efeitos” Jô Tauil ______________________ Ergui meu sonho às torres do im_possível clarão; Teci de luas mortas os meus pobres eleitos, E fiz da tua ausência a minha religião. Há cisnes a morrer nos lagos do meu peito, Há rosas desfolhando o aroma do luar; E um sino de saudade, doloroso e perfeito, Não cessa, noite e dia, de por ti soluçar. Os astros, fatigados de iluminar a Terra, Recolhem-se ao meu pranto em procissão de véus; Enquanto a minha alma, em silenciosa guerra, Procura o teu sorriso na distância dos céus. Que importa se o destino me coroou de espinhos, Se cada espinho guarda um lírio por nascer? As lágrimas também conhecem seus caminhos Quando procuram, cegas, uma razão de viver. E, se um dia eu tombar nas mãos da Eternidade, Levarei sobre os lábios teu derradeiro nome; Pois quem amou assim transforma a própria saudade No pão de luz que alimenta a fome. Então serei poema, perfume e estrela acesa, Dormindo para sempre no jardim da Beleza. Marilândia

sexta-feira, 3 de julho de 2026

COSTURANDO POESIA

“O poeta que ela busca já não existe” Jô Tauil _________________________ Morreu de tanto sonhar o im_possivel. Deixou nos lírios a voz que lhe vestia, E às tardes confiou seu pranto in_visível. Agora o vento soletra o seu nome Nas folhas pálidas dos salgueiros em flor; E a lua, viúva de antigas promessas, Acende estrelas sobre a cinza da dor. Ela percorre jardins sem memória, Colhendo perfumes que o tempo esqueceu; Beija as ruínas das velhas quimeras, Como quem chama um adeus que morreu. Mas todo amor renascido em saudade Faz da ausência um altar de luar; E os mortos, quando amaram verdadeiramente, Nunca terminam de nos visitar. Talvez o poeta habite o silêncio, Vestido de névoa, de rosas e céu… E ela descubra, chorando baixinho, Que ele vive inteiro… dentro do amor que perdeu. Marilândia