segunda-feira, 13 de julho de 2026

COSTURANDO 13 DE JULHO

Jô Tauil _____________________ Para um jardim que o tempo não desfolha, Onde a saudade perde a sua mão, E a dor, enfim, em doce luz se banha. Trago no peito um céu de despedidas, E um mar de sonhos que não naufragou… As esperanças, tantas vezes feridas, São aves que o infinito libertou. Se a noite veste o mundo de tristeza, Acendo estrelas com o meu sofrer; Pois cada lágrima, em sua delicadeza, É uma semente oculta do viver. Não temo o fim, mas a beleza ausente De um coração que nunca soube amar… Prefiro a chama breve e transparente Ao gelo eterno de não se entregar. Quando eu partir, que o vento me conduza À paz que sempre procurei alcançar, Pois toda alma que o Amor eterniza Nasce outra vez… apenas para amar. Marilândia

domingo, 12 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 12 DE JULHO

Jô Tauil __________________________ Mas em meu peito a tarde veste um lilás de agonia… Há sinos a dobrar por esquecidos verões, E um crepúsculo antigo desfalece em nostalgia. Trago nas mãos o pó das ilusões desfeitas, Como quem colhe cinzas onde esperava flores… As horas, lentamente, em procissões perfeitas, Vão sepultando os sonhos sob mantos de dores. Ó Amor, peregrino das estradas do im_possível Por que pousaste em mim tuas asas de luar? Fizeste do meu peito um sacrário in_visível E partiste, deixando apenas o teu faiscar… Agora beijo a noite como se fosse irmã, E converso com astros de olhar silencioso… Cada estrela me empresta um pouco da manhã, Que não chega jamais ao meu jardim saudoso. Contudo, se um dia voltares, docemente, Encontrarás em mim a mesma flor rendida: A que morreu mil vezes, mas guardou, paciente, A estranha eternidade de quem amou a vida. Marilândia

sábado, 11 de julho de 2026

COSTURANDO 11 DE JULHO

Jô Tauil ________________________ Das cinzas frias das tardes vencidas, como quem veste o silêncio de estrelas e faz do pranto um jardim de partidas. Erguia-nos a esperança, delicada, qual lírio branco beijando o luar; e a alma, de saudade iluminada, aprendia novamente a sonhar. Se a vida nos rasgava as vestes puras, bordávamos constelações na dor; fazíamos das noites mais escuras um relicário aceso pelo amor. Porque há destinos feitos de renascimentos, como aves que desafiam o infinito; e os ventos, com seus ásperos lamentos, não calam o coração quando é bendito. Sempre… Sempre nos erguia! E, afinal, até a ausência se curvava à luz; pois quem ama transforma o temporal na eterna primavera que seduz. Marilândia

sexta-feira, 10 de julho de 2026

COSTURANDO 10 DE JULHO

Jô Tauil _______________________ Quando a manhã lhes borda o céu de luz, Há nos seus voos cânticos sozinhos Que a própria eternidade enfim seduz. Não pedem ouro às árvores floridas, Nem fazem do possuir o seu altar; Vivem de breves, luminosas vidas, E sabem, mesmo em queda, ainda amar. Quem dera eu ter as asas que eles têm, Para pousar no ramo do teu peito, Fazendo do silêncio o meu além, E do teu nome o meu sagrado leito. Mas trago em mim um coração humano, Tão feito de saudade e de distância, Que transforma o mais doce dos enganos Na mais cruel e eterna circunstância. Ainda assim, se o amor me der caminho, Seguirei como segue a ave o vento: Com um uni_verso inteiro no carinho E Deus cantando dentro do momento. Marilândia

quinta-feira, 9 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 9 DE JULHO

“Não conservemos olhos rançosos para o mundo” Jô Tauil __________________________ Que o mundo é um jardim de lágrimas em flor… Há lírios a nascer no abismo mais profundo, E astros desfalecendo à espera de um amor. Não negues à manhã o beijo da esperança, Nem deixes que o sofrer te endureça a emoção; Toda sombra adormece ao colo da bonança, Quando a luz faz do peito um ninho de canção. Se a vida nos desfolha as rosas do caminho, Há pétalas ocultas no ventre do luar; Nenhum destino é pobre quando o doce carinho Consegue transformar o pranto em alto-mar. Olhemos cada adeus como um berço de chegadas, Cada inverno, um ensaio para a primavera em flor; As almas que padecem e seguem perfumadas Aprendem com a ausência o idioma do amor. Não conservemos olhos fatigados de tristeza… Que o coração renasça em cada amanhecer. Só alcança o infinito quem faz da própria fraqueza Uma ponte de estrelas para o eterno viver. Marilândia

terça-feira, 7 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 7 DE JULHO

"Pobre flor! Pobre Maria!" Jô Tauil ________________________________ Quem te desfolhou na primeira alvorada? Quem fez da tua doce fantasia Uma estrela triste, no céu exilada? Teus olhos guardavam o azul das distâncias, Onde o amor repousa sem nunca morrer; Mas o tempo, ladrão das puras infâncias, Levou-te os jardins que sonhavas colher. Ficou-te nas mãos um punhado de vento, E nos lábios, a sede das juras caladas; Cada beijo ausente tornou-se lamento, Cada noite, um rosário de luas veladas. Contavas às rosas teus íntimos ais, E elas choravam orvalhos contigo; Até as estrelas, dos altos umbrais, Faziam do céu teu secreto abrigo. Se amar é perder-se em divina loucura, Tu foste a mais bela das almas em flor; Transformaste a dor em eterna ternura, E a lágrima humana em perfume de amor. Dorme, Maria, no seio da aurora, Que o Céu faz de ti sua rosa mais pura. Marilândia

segunda-feira, 6 de julho de 2026

DIA 6 DE JULHO

“Achando que só existe essa vida” Jô Tauil ______________________ Guardei meu céu nas dobras do teu peito, Fiz da esperança a minha despedida, E do teu beijo o meu sagrado leito. Mas veio a noite abrir seus véus de bruma, Vestindo a lua com saudades minhas… Cada estrela era uma lágrima de espuma, Florindo em silêncio as velhas campinas. Se tudo morre, o amor não morre, não! Transfigura-se em perfume e claridade; É ave que regressa ao coração, Depois de atravessar a eternidade. Quero seguir-te por jardins suspensos, Onde os jasmins adormecem ao luar, Colher dos astros os segredos imensos, Que Deus semeou nas ondas do amar. E quando o tempo se desfizer em flores, E o mundo for apenas lembrança e vento, Hei de encontrar-te além de todas as dores, Com a alma vestida de encantamento. Porque quem ama vence a própria morte, E faz do infinito a sua primavera. Marilândia