quarta-feira, 29 de julho de 2026

DESABAFO KAKÁ

"Foi um momento muito difícil (o divórcio) na minha vida, porque foi inesperado. Realmente me pegou de surpresa, e isso mudou tudo. Muda a relação que terei com meus filhos. Eles vão morar longe. Como será isso? Todas essas dúvidas sobre como as coisas serão são a pior parte nessa situação. Mas, aos poucos, as coisas vão acontecendo e se encaixando. Para mim, foi realmente um exercício mental separar as coisas. Eu tinha meu compromisso com o clube. Precisava manter o profissionalismo e cumprir minhas responsabilidades, ao mesmo tempo em que lidava com um problema pessoal. Isso me ajudou a entender muitas coisas e a me tornar mentalmente mais forte. Muitas vezes, eu ia para o treino movido pelo senso de obrigação e compromisso, pois havia dias em que eu não queria estar lá; o que eu queria mesmo era estar com meus filhos. A gente lida com uma série de situações pelas quais precisa passar, mesmo sem querer. Foi uma experiência difícil, mas que me fez amadurecer muito." #kaka

COSTURANDO 29 DE JULHO E MAIS 3 VERSÕES

"Deixemos sobre o mármore o coração" Jô Tauil __________________________________ Qual lírio branco ao pé do esquecimento... Que a pedra embale, em muda compaixão, O doce e longo adeus do sentimento. Amar foi transformar a própria vida Num cálice de lágrimas e estrelas; Foi dar à noite a luz desconhecida E às mãos do sonho a graça de colhê-las. Se a morte vier com seu luar de espuma, Há de encontrar-nos presos num só beijo, Feitos perfume de uma branca bruma. Pois nada vence o fogo do desejo, Quando uma alma na outra se resume E Deus consagra o amor no seu lampejo. Marilândia OUTRA VERSÃO Deixemos sobre o mármore o coração, Como um sacrário aberto ao desalento; Que a pedra guarde, em muda comunhão, As cinzas luminosas do tormento. Despe-me a alma... Não o corpo apenas; Há véus mais nus que a seda e o linho fino. Quero beijar-te as mágoas mais serenas Como quem unge um santo peregrino. Em teus cabelos dorme a noite inteira, Perfumada de mirra e de jasmim; E a Lua, pálida monja derradeira, Reza silenciosamente por mim. Nos teus braços esqueço a própria morte, Que se ajoelha humilde ao nosso ardor; Pois há um destino mais profundo e forte Que o breve império efêmero da dor. Se o mundo nos condena, pouco importa; Nunca entendeu o incêndio de quem ama. Há uma eternidade em cada porta Que se abre ao sopro de uma única chama. Quando o silêncio enfim nos envolver, E o tempo desfizer toda ilusão, Hão de os anjos curvar-se para ler O nosso amor gravado no mármore do coração. Deixemos sobre o mármore o coração, Como um cálice exausto de ternura; Que a pedra beba a última ilusão E faça da saudade uma escultura. Não chores... Cada lágrima perdida É pérola que o sofrimento cria; Quem ama entrega, inteira, a própria vida Ao altar secreto da melancolia. Beija-me ainda, à beira do abandono, Como se o mundo fosse terminar; Há um céu de cinzas sobre o nosso outono, Mas outro céu insiste em nos chamar. Que importa se a esperança se fez breve? Se a noite veste os lírios de negrume? O amor, quando é divino, nunca deve Temer o inverno nem perder perfume. Se a morte vier, que venha docemente, Vestida com teu rosto e teu calor; Pois morrerei sorrindo, serenamente, Se em teus braços repousar o meu amor. E quando o tempo apagar nossa memória, Florirão jasmins sobre a solidão; Porque nenhum destino vence a glória De quem deixou, no mármore, o coração Deixemos sobre o mármore o coração, Como quem depõe um lírio ao esquecimento; Que o frio da pedra guarde a paixão Que já não cabe no peito nem no pensamento. Se o beijo morreu nas dobras da saudade, Ainda perfume há nas rosas do sofrer; Pois quem amou conhece a eternidade Mesmo quando aprende, em silêncio, a morrer. Trazes nos olhos a luz do meu destino, E eu trago nos meus a noite que ficou; Entre nós canta um distante desatino Que nem o tempo, impiedoso, sepultou. Ama-me ainda, embora seja tarde, Embora o outono desfolhe a nossa flor; Há cinzas que ocultam um incêndio que arde Com mais fervor que o primeiro amor. Deixemos sobre o mármore o passado, Como um rosário de lágrimas sem fim; Que Deus recolha este sonho abandonado, E faça nascer outro céu dentro de mim.

terça-feira, 28 de julho de 2026

COSTURANDO 28 DE JULHO

Jô Tauil ________________________ Como um rosário de luar sobre o infinito; Neles repousam os meus sonhos submersos, E o teu nome, em silêncio, é meu rito. Não foste acaso… Foste a antiga promessa Que Deus guardou nas dobras da amplidão; A estrela que, na noite mais espessa, Veio acender o altar do coração. Amei-te antes da aurora dos meus dias, Quando a esperança era um jardim sem flor E o tempo, ajoelhado às fantasias, Consagrou-nos ao mesmo e eterno amor. Se a saudade me cobre de neblina, É para ver-te mais além da dor; Toda distância se transforma em sina Quando se ama com tamanho ardor. Que importa ao mundo o efêmero caminho, Se as almas reconhecem sua origem? És vinho antigo no meu pobre vinho, És a verdade que os meus sonhos exigem. E quando o último crepúsculo descer, Fechando as portas deste breve chão, Hei de encontrar-te num eterno amanhecer, Onde o amor será a única oração. Marilândia

segunda-feira, 27 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 27 JULHO

Jô Tauil _____________________ Como a aurora que desperta o mar profundo; Serás perfume derramado no outono, E o eterno verso que embriaga o mundo. Hei de buscar-te nas estrelas tardias, Onde a saudade faz morada sem fim; Vestirei de luar as noites vazias, Para que regressem teus passos a mim. Se o tempo apagar as flores do caminho, Plantarei rosas na areia do destino; Porque o amor, quando é puro e verdadeiro, Jamais se curva ao rigor do desatino. Mesmo que a vida me negue teu abraço, Guardarei teu nome em meu peito, em segredo; Pois há um altar escondido no cansaço Onde a esperança jamais conhece o medo. E quando enfim repousarem nossas dores, Além da névoa que encobre o infinito, Renasceremos, unidos, entre as flores, Como dois astros no silêncio bendito. Marilândia

domingo, 26 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 26 JULHO

Jô Tauil _______________________ Como se o amor vencesse a própria morte… Seremos a chama acesa e sempre pura, Desafiando o tempo, o acaso e a sorte. Cada verso será um beijo re_nascido, Sobre os lábios da saudade em oração, E o mundo ouvirá, num silêncio comovido, O eterno pulsar do nosso coração. Se as rosas perderem o viço da alvorada, Nossa alma lhes dará novo esplendor, Pois quem ama deixa a vida iluminada Com o in_finito perfume do seu amor. Não haverá distância que nos vença, Nem inverno que nos roube a floração… A esperança será sempre a recompensa Dos que fazem da ternura a sua canção. Quando fecharem nossos olhos para a terra, Abriremos estrelas no azul da amplidão, E em cada página que um leitor descerra, Voltaremos a viver na emoção. Porque os poetas jamais encontram fim: Morrem os corpos… nunca o que escreveram. Floresceremos eternos, enfim, Nos corações de todos que nos leram. Marilândia

QUANDO A ÚLTIMA PORTA SE ABRIR

Quando a Última Porta se Abrir Um dia a gente vai embora. Sem alarde, sem aviso, como a tarde que lentamente se desfaz no horizonte ou como uma folha que o vento desprende do galho sem fazer ruído. E, de repente, compreenderemos que nunca fomos donos de nada. A casa permanecerá de pé. As janelas continuarão acolhendo o sol das manhãs. As flores tornarão a desabrochar na primavera, indiferentes à nossa ausência. As roupas guardarão, por algum tempo, o perfume da nossa existência. Os livros conservarão entre as páginas as marcas dos nossos dedos. A poltrona vazia ainda parecerá esperar por nós. Mas a vida, serena em sua sabedoria, seguirá adiante. Então descobriremos que o verdadeiro patrimônio jamais coube em cofres, gavetas ou escrituras. Nossa maior herança será a ternura que espalhamos, a esperança que reacendemos em alguém, o perdão que oferecemos quando era mais fácil guardar a mágoa, a mão estendida quando o outro acreditava estar sozinho. Não seremos lembrados pelo ouro que acumulamos, mas pelo brilho que deixamos nos olhos de quem encontrou em nós um abrigo. Porque as palavras de amor nunca morrem. Os gestos de bondade não conhecem sepultura. Eles continuam vivendo silenciosamente na memória daqueles que um dia tocaram nosso coração. Talvez alguém, muitos anos depois, pronuncie o nosso nome com um sorriso humilde e diga: "Como era bom tê-lo por perto..." E, nesse instante, teremos vencido o tempo. Pois a morte pode levar a nossa voz, pode silenciar nossos passos e fechar para sempre os nossos olhos. Mas jamais conseguirá apagar a luz de uma alma que fez da própria existência um caminho de amor. Um dia a gente vai embora... Que, quando esse dia chegar, não reste apenas a saudade. Que permaneça a doçura da nossa passagem. E que Deus permita que, onde houver uma lembrança de nós, também floresça um motivo para agradecer.

sábado, 25 de julho de 2026

COSTURANDO 25 JULHO

“Nossos escritos são filhos gerados no mesmo fervor” Jô Tauil ________________________ Nascidos do incêndio secreto que alimenta a alma. Trazem no peito o perfume antigo da dor, E nos olhos a claridade de uma eterna calma. Cada palavra é um beijo que o silêncio bendisse, Cada verso, um soluço vestido de luar. Quem os lê talvez jamais adivinha o que existe No abismo onde aprendemos, sorrindo, a chorar. São filhos do impossível, do sonho e da ausência, Do amor que se perdeu sem nunca fenecer. Vivem da doce loucura e da terna paciência De quem fez do sofrer um outro renascer. Quando o tempo apagar nossas frágeis pegadas, Hão de ficar, serenos, à beira da memória, Como rosas de luz nas estradas caladas, Escrevendo em silêncio a nossa própria história. Pois morre a carne… jamais a canção verdadeira; O coração se despede, mas a voz permanece. E, enquanto houver um olhar que sonhe à sua maneira, Nossos escritos viverão… porque o Amor não perece. Marilândia