quinta-feira, 8 de outubro de 2026

COSTURANDO 8 DE OUTUBRO

"Mostrando dois corpos nus faiscando ao sol" Jô Tauil _______________________________ Como dois astros presos num mesmo arrebol, E a tarde, embevecida, adormecia em flor, Enquanto em nossa pele ardia o nosso amor. Teu olhar era chama, o meu, puro desejo, E o mundo se calava ao rumor de um beijo; Havia em cada toque uma doce vertigem, E em nossos corações, uma secreta origem. O céu parecia e_terno, azul e transparente, E o tempo, por nós dois, passava lentamente. Na luz dourada e quente daquela imensidão, Teu corpo era poesia, o meu, uma canção. Não havia passado, nem medo, nem depois, Somente o infinito acontecendo entre nós dois. E a tarde nos cobria com seu manto de luz, Como um sonho proibido que a saudade seduz. Se amar é ser incêndio, eu quis arder assim, Perder-me no teu peito e encontrar-me enfim. E quando a noite veio, em silêncio e arrebol, Ficou teu beijo em mim, eterno como um sol. Marilândia

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

7 de outubro COSTURANDO

"Não quero voltar! Eis a nossa plenitude!" Jô Tauil ____________________________________ No amor que nos consome, há doce eternidade, E em cada beijo teu, de ardente juventude, Floresce a minha alma em plena liberdade. Não quero outro caminho, nem outra direção, Se o teu olhar me chama e me envolve docemente. Quero perder-me inteira na tua imensidão, E ser, por um instante, o teu eterno presente. Que importa o que ficou nas margens do passado, Se o nosso amor renasce em cada madrugada? Teu corpo junto ao meu, num sonho apaixonado, É toda a minha vida, é tudo — e mais nada! Não quero despedidas, nem sombras de saudade, Quero o teu coração batendo junto ao meu, E que o tempo se curve à nossa intensidade, Como se o mundo inteiro pertencesse a nós dois. Se amar é naufragar, que eu naufrague contigo, Nas ondas desse amor que jamais conheceu fim. E, quando a noite vier, encontrarás abrigo No lugar onde o teu sonho começa dentro de mim. Marilândia

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

COSTURANDO POESIA 5 DE OUTUBRO

“Por tudo que sonhei e não concretizei” Jô Tauil ________________________ Por cada beijo que o destino me negou, Por todo o amor que em silêncio guardei, E por tudo aquilo que o tempo levou. Por cada primavera que esperei, E que em meu peito jamais floresceu, Por cada promessa que um dia sonhei, E que a noite, impiedosa, dissolveu. Há dentro de mim jardins abandonados, Onde ainda choram rosas de saudade, E amores que morreram inacabados Perfumam de tristeza a eternidade. Se a vida me devolvesse o que perdi, Eu nada pediria ao céu, senão O instante em que fui feliz junto de ti, Antes que o adeus ferisse o coração. Mas tudo passa, e o sonho também morre; Só fica a dor do que não aconteceu, E uma alma que, em vão, ainda percorre Os caminhos do amor que não viveu. Marilândia

domingo, 4 de outubro de 2026

COSTURANDO DIA 3 OUTUBRO

“Dessa arte que em nós transcende…” Jô Tauil _________________________ E faz do amor um verso sem fim, Há uma chama que jamais se rende, Mesmo quando o mundo diz que é o fim. Somos dois sonhos na mesma alvorada, Duas almas perdidas no mesmo luar, Uma promessa eternamente selada, Que nem o tempo consegue apagar. Há em teu beijo uma antiga poesia, Um doce mistério que me faz viver, E em teus olhos, a noite se alumia, Como se o céu aprendesse a te querer. Se amar-te é pecado, pecarei sem medo, Se é loucura, bendita loucura a minha, Pois guardo teu nome como um segredo, Na parte mais funda e mais minha. E quando a morte vier, silenciosa, Roubar-me os sonhos, a voz e a esperança, Ainda serás a palavra amorosa Que há de sobreviver à minha lembrança. Marilândia

COSTURANDO POESIA 4 DE OUTUBRO

"Ainda penso que eles anunciam a tua chegada..." Jô Tauil __________________________________ Eis que sinos soluçam na torre da saudade, E a noite abre, trêmula, a janela encantada, Para ouvir teus passos na imensa eternidade. Ainda penso em ti, quando a lua, apaixonada, Derrama sobre os campos sua luz de claridade; E a brisa, ao tocar-me, tão leve e perfumada, Parece trazer teu beijo, em segredo, à minha idade. Quem sabe vens um dia, ao cair da madrugada, Quando o céu se fizer de silêncio e solidão; E encontrarás meu peito, à tua espera, em chama, Guardando, intacto, o sonho de uma antiga paixão. Se vieres, não perguntes por que esperei calada: Há amores que florescem na sombra da ilusão; Há nomes que o destino escreve à mão dourada, E ficam para sempre gravados no coração. E se não vieres nunca, oh, minha doce amada, Ainda hei de encontrar-te na voz da poesia; Pois há quem viva longe e seja, na alma, morada, E há quem parta da vida sem partir da fantasia. Marilândia Eis que sinos do silêncio, em doce agonia... E a noite se veste de antiga alvorada, Para ouvir teu nome na minha poesia. Ainda guardo o perfume da estrada, Onde a saudade floresce, vadia, E a lua, de prata, cansada e calada, Me conta segredos que eu não sabia. Talvez venhas tarde, quando a madrugada Tiver nos cabelos a cor da distância, E eu, já perdida de tanto esperar, Te encontre no sonho de uma esperança. Se vieres, amor, não digas mais nada: Deixa que os olhos confessem o ardor; Que o tempo se curve à nossa passagem, E a vida se renda ao antigo esplendor. Porque há no meu peito uma eterna morada, Onde o teu nome ainda vive de amor.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

COSTURANDO 1 DE OUTUBRO

“Prefiro sonhar grande com realidade tão pequena…” Jô Tauil _______________________ Para erguer no im_possível meu castelo de ilusão, Pois há uma eternidade em cada lágrima serena Que a noite derrama sobre o meu coração. Prefiro a dor imensa de uma esperança acesa À paz de quem jamais ousou querer, Pois todo sonho traz consigo a delicadeza De nos fazer maiores que o próprio viver. Quero beber do céu, mesmo sabendo-o distante, Colher estrelas no jardim da solidão, E transformar cada silêncio sufocante Num verso ardente de amor e perdição. Se a vida é breve, que me encontre sonhando, Com os olhos presos ao in_finito anil, E o coração, de amor, sempre esperando, Aquilo que não veio — e nunca virá ao covil. Porque sonhar foi tudo o que me restou: Um último clarão antes da escuridão… E quando até meu sonho enfim se apagou, Morri de amor — mas viva de paixão. Marilândia

2 de outubro

“Embora cegos, nos encontraríamos pelo tato!” Jô Tauil _________________________ Pelo ardor das mãos buscando-se em segredo, Pelo silêncio ardente de um abraço, Pelo coração vencendo todo medo. Reconhecer-te-ia no perfume da noite, Na febre doce que a pele denuncia, No estremecer de um beijo sem palavras, Na tua sombra, quando a minha se perdia. E, mesmo que o mundo nos negasse, Haveria um caminho entre nós dois, Feito de sonhos que jamais se cansam, De eternidades inventadas depois. Eu saberia o teu nome sem ouvi-lo, Pelo rumor da alma ao te pressentir, E amaria, sem ver, o teu sorriso, Como quem nasce apenas para te seguir. Pois há amores que os olhos não alcançam, Nem a distância consegue destruir: São mãos que, no escuro, ainda se encontram, E almas que se reconhecem ao intuir. Marilândia