terça-feira, 23 de junho de 2026

COSTURANDO POESIA

“Mas continuo tecendo teias de esperanças” Jô Tauil ______________________ Com fios de luar nas mãos da madrugada; Bordo nos céus azuis antigas alianças Que a vida, distraída, deixou desfeitas numa cilada… Guardo dentro de mim jardins adormecidos, Onde cantam, em sonho, os lírios do querer; E os meus passos, por sombras tantas vezes perdidos, Ainda sabem a rota secreta do viver. Trago nos olhos fundos uma estrela esquecida, Daquelas que o destino não conseguiu quebrar; E mesmo quando a dor me cobre toda a vida, Há um sol escondido a querer despontar. Meu coração, ave errante, nunca se rende, Faz do pranto uma fonte, da ausência uma canção; E em cada despedida um novo amor acende As rosas imortais da sua devoção. Se o inverno vem gelar as fontes do caminho, Faço um manto de sonhos para me agasalhar; Pois quem traz dentro d’alma um luminoso ninho Transforma em céu de estrelas qualquer escuro mar. Marilândia

domingo, 21 de junho de 2026

COSTURANDO 21 DE JUNHO

“Em seu lenhoso coração de mulher vegetal” Jô Tauil _______________________ Dormem segredos de um jardim ancestral; Raízes fundas, em silêncio, entrelaçadas, Guardam luas antigas, nunca reveladas. Seus olhos têm o verde das fontes escondidas, Onde bebem os sonhos das almas perdidas; E o vento, enamorado dos seus cabelos, Faz ninhos de ternura nos ramos mais belos. Traz nos gestos a mansidão da floresta, E uma melancolia suave que ainda resta; É árvore e mulher, num mistério divino, Misturando o perfume da terra ao destino. Quando floresce,nasce a primavera inteira, E o sol faz dela sua amante derradeira… Quando chora,as chuvas descem devagar, Como quem aprende consigo a lamentar. Ah! Quem pudesse morar na sua sombra calma E ouvir a seiva cantar os segredos da alma, Pois seu lenhoso coração, forte e profundo, É um bosque de amor abraçando o mundo. Marilândia Ver menos

sábado, 20 de junho de 2026

COSTURANDO 19 DE JUNHO

“Aquele coração que vale ouro” Jô Tauil _______________________ Guarda o sol nas dobras do seu peito, Tem a ternura mansa de um tesouro E o dom de amar sem cálculo ou proveito. É fonte clara em árido caminho, Estrela acesa em noites sem luar; Faz do silêncio um meigo ninho Onde os sonhos aprendem a pousar. Quando a tristeza veste o mundo inteiro, Seu gesto é como um lírio a florescer; E o pranto mais profundo e derradeiro Consegue em seu afeto adormecer. Não pede glória, aplauso ou recompensa, Nem busca coroar-se de esplendor; Carrega uma riqueza imensa, Feita de entrega, de bondade e amor. E eu, que já vaguei por tantos portos, Sei quanto vale um peito assim, leal: É joia rara entre destinos tortos, Farol divino em mar celestial. Quem traz tal ouro dentro do coração Traz a eternidade em cada pulsação. Marilândia

COSTURANDO 20 DE JUNHO

“Tudo que fala em mim de amor foi dito” Jô Tauil _________________________ Nos jardins onde o luar dorme esquecido, Nas fontes onde o silêncio é infinito, E nos caminhos do sonho adormecido. Tudo que fala de mim foi já cantado Pelas aves que cruzaram o poente; Foi em estrelas de prata semeado, Foi perfume derramado docemente. Mas há segredos que ninguém adivinha, Sombras de lírios na alma peregrina, Um pranto manso que a saudade alinha Nas rendas finas da noite cristalina. Porque o amor que em meu peito se consome Tem a vastidão do mar sem ter um nome. E se o mundo julga a história terminada, Ainda guardo uma rosa iluminada; Flor que floresce na eterna madrugada, Feita de sonho, de luar e e_ternamente louvada. Marilândia

quinta-feira, 18 de junho de 2026

COSTURANDO 18 DE JUNHO

“Meus fantasmas se foram porque não curtem alegria” Jô Tauil _______________________ Fugiram ao primeiro raio de sol que me envolvia, Levaram seus mantos frios de saudade e desalento, E deixaram-me o perfume leve de outro sentimento. Já não choram nas janelas das noites sem luar, Nem bordam teias de sombra nos jardins do meu sonhar; Partiram como aves tristes perdidas na ventania, Quando viram que em meus olhos florescia um novo dia. Agora a alma se veste de rendas feitas de esperança, E dança sobre os abismos com a graça de uma criança. O coração, que era um templo de silêncio e de saudade, Abriu suas velhas portas para a doce claridade. Se ainda existe uma lágrima, é de ternura somente, Como orvalho que repousa sobre a rosa inocente, E as estrelas, uma a uma, descem mansas do infinito, Para ouvir o meu segredo transformado em canto escrito. Assim,descobri que o amor, quando é puro e verdadeiro É um jardim que vence o inverno mais severo e traiçoeiro… E agora,sigo sorrindo entre jasmins e luar, Com uma constelação de lírios acesa no meu olhar. Marilândia

quarta-feira, 17 de junho de 2026

COSTURANDO DIA 17

"Um misto de sonata... um louvor!" Jô Tauil _________________________________ Que sobe, em espirais, da alma inquieta, Como um cântico azul de eterna poeta Buscando a perfeição do seu amor. Há lírios a florir na minha dor, E luas a velar minha secreta Saudade, que se faz doce e completa Nas mãos de um sonho feito de esplendor. Quero beber a luz das madrugadas, Vestir-me dos clarões das alvoradas E coroar de estrelas o meu ser. Fazer do pranto um rio de harmonias, Das sombras, um jardim de fantasias, E do impossível, a arte de viver. Mas quando a noite inclina os seus véus frios, Escuto, entre silêncios e desvios, Teu nome ressoando pelo ar... E a minha alma, em perfume e desalinho, Faz-se sonata, estrela, rosa e ninho, Num eterno ofertório do coração. Marilândia

terça-feira, 16 de junho de 2026

COSTURANDO DIA 15 DE JUNHO

Jô Tauil _____________________ Andam perdidos pelos jardins da saudade, Colhendo estrelas nas noites mais virgens, Bebendo o orvalho azul da eternidade. Trazem nos olhos a sombra dos lírios, E nas mãos trêmulas o luar desfeito; São aves cansadas de longos exílios, Que buscam abrigo no teu peito. Vestem-se apenas de sonho e de espuma, De névoas suaves e rosas de abril; São como uma prece que sobe da bruma, Cantando segredos num tom febril. Mas quando teu nome floresce em meu canto, Ganham o brilho dos astros do céu; E aquilo que era somente pranto Transforma-se em ouro sob teu véu. Então meus versos, outrora tão nus, Tornam-se estrelas vagando sem fim; Pois levam acesa a chama da luz Que Deus e o amor acenderam em mim. Marilândia