COSTURANDO 12 DE JUNHO
“Numa volúpia rara, pungente e pura.” Jô Tauil ___________________________ Meu coração desfolha-se em luar. Leva na voz a antiga formosura Das ondas que desaprendi de amar. Há no silêncio azul da noite fria Um perfume de sonho e de saudade, Que vem beijar a minha fantasia Com mãos de sombra e de eternidade. Teu nome é flor que nasce entre os meus ais, Lírio de fogo aberto sobre a dor; E os meus desejos, trêmulos demais, São aves procurando o teu amor. Passam estrelas pela minha estrada, Como promessas de um jardim sem fim; E cada estrela, pálida e velada, Parece um verso que escreveu por mim. Se acaso a vida é breve e passageira, Que seja breve à sombra do teu ser; Pois vale mais uma hora verdadeira Que um século sem te poder viver. E assim me entrego, doce e vencida, Ao eterno milagre de te querer na rosa jamais colhida. Marilândia
