segunda-feira, 27 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 27 JULHO

Jô Tauil _____________________ Como a aurora que desperta o mar profundo; Serás perfume derramado no outono, E o eterno verso que embriaga o mundo. Hei de buscar-te nas estrelas tardias, Onde a saudade faz morada sem fim; Vestirei de luar as noites vazias, Para que regressem teus passos a mim. Se o tempo apagar as flores do caminho, Plantarei rosas na areia do destino; Porque o amor, quando é puro e verdadeiro, Jamais se curva ao rigor do desatino. Mesmo que a vida me negue teu abraço, Guardarei teu nome em meu peito, em segredo; Pois há um altar escondido no cansaço Onde a esperança jamais conhece o medo. E quando enfim repousarem nossas dores, Além da névoa que encobre o infinito, Renasceremos, unidos, entre as flores, Como dois astros no silêncio bendito. Marilândia

domingo, 26 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 26 JULHO

Jô Tauil _______________________ Como se o amor vencesse a própria morte… Seremos a chama acesa e sempre pura, Desafiando o tempo, o acaso e a sorte. Cada verso será um beijo re_nascido, Sobre os lábios da saudade em oração, E o mundo ouvirá, num silêncio comovido, O eterno pulsar do nosso coração. Se as rosas perderem o viço da alvorada, Nossa alma lhes dará novo esplendor, Pois quem ama deixa a vida iluminada Com o in_finito perfume do seu amor. Não haverá distância que nos vença, Nem inverno que nos roube a floração… A esperança será sempre a recompensa Dos que fazem da ternura a sua canção. Quando fecharem nossos olhos para a terra, Abriremos estrelas no azul da amplidão, E em cada página que um leitor descerra, Voltaremos a viver na emoção. Porque os poetas jamais encontram fim: Morrem os corpos… nunca o que escreveram. Floresceremos eternos, enfim, Nos corações de todos que nos leram. Marilândia

QUANDO A ÚLTIMA PORTA SE ABRIR

Quando a Última Porta se Abrir Um dia a gente vai embora. Sem alarde, sem aviso, como a tarde que lentamente se desfaz no horizonte ou como uma folha que o vento desprende do galho sem fazer ruído. E, de repente, compreenderemos que nunca fomos donos de nada. A casa permanecerá de pé. As janelas continuarão acolhendo o sol das manhãs. As flores tornarão a desabrochar na primavera, indiferentes à nossa ausência. As roupas guardarão, por algum tempo, o perfume da nossa existência. Os livros conservarão entre as páginas as marcas dos nossos dedos. A poltrona vazia ainda parecerá esperar por nós. Mas a vida, serena em sua sabedoria, seguirá adiante. Então descobriremos que o verdadeiro patrimônio jamais coube em cofres, gavetas ou escrituras. Nossa maior herança será a ternura que espalhamos, a esperança que reacendemos em alguém, o perdão que oferecemos quando era mais fácil guardar a mágoa, a mão estendida quando o outro acreditava estar sozinho. Não seremos lembrados pelo ouro que acumulamos, mas pelo brilho que deixamos nos olhos de quem encontrou em nós um abrigo. Porque as palavras de amor nunca morrem. Os gestos de bondade não conhecem sepultura. Eles continuam vivendo silenciosamente na memória daqueles que um dia tocaram nosso coração. Talvez alguém, muitos anos depois, pronuncie o nosso nome com um sorriso humilde e diga: "Como era bom tê-lo por perto..." E, nesse instante, teremos vencido o tempo. Pois a morte pode levar a nossa voz, pode silenciar nossos passos e fechar para sempre os nossos olhos. Mas jamais conseguirá apagar a luz de uma alma que fez da própria existência um caminho de amor. Um dia a gente vai embora... Que, quando esse dia chegar, não reste apenas a saudade. Que permaneça a doçura da nossa passagem. E que Deus permita que, onde houver uma lembrança de nós, também floresça um motivo para agradecer.

sábado, 25 de julho de 2026

COSTURANDO 25 JULHO

“Nossos escritos são filhos gerados no mesmo fervor” Jô Tauil ________________________ Nascidos do incêndio secreto que alimenta a alma. Trazem no peito o perfume antigo da dor, E nos olhos a claridade de uma eterna calma. Cada palavra é um beijo que o silêncio bendisse, Cada verso, um soluço vestido de luar. Quem os lê talvez jamais adivinha o que existe No abismo onde aprendemos, sorrindo, a chorar. São filhos do impossível, do sonho e da ausência, Do amor que se perdeu sem nunca fenecer. Vivem da doce loucura e da terna paciência De quem fez do sofrer um outro renascer. Quando o tempo apagar nossas frágeis pegadas, Hão de ficar, serenos, à beira da memória, Como rosas de luz nas estradas caladas, Escrevendo em silêncio a nossa própria história. Pois morre a carne… jamais a canção verdadeira; O coração se despede, mas a voz permanece. E, enquanto houver um olhar que sonhe à sua maneira, Nossos escritos viverão… porque o Amor não perece. Marilândia

sexta-feira, 24 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 24 DE JULHO

"Mas que ultrapasse todos os mistérios do coração." Jô Tauil ________________________________________ E beba, em silêncio, o vinho oculto da saudade... Que rasgue a noite em lânguida oração, Vestindo a alma de infinita claridade. Que seja amor, ainda que ferido, Como um lírio tombado sobre o luar, E que, no mais profundo do gemido, Aprenda, enfim, a doce arte de amar. Quero um beijo feito de eternidade, Um sonho que desfaça o próprio fim; Quero perder-me em tua mocidade, Para encontrar o universo dentro em mim. Se o destino bordar espinhos frios, Farei de cada dor um ramo em flor; Pois até os mais escuros desafios Se rendem ao perfume de um amor. E quando a vida apagar sua canção, Restará, entre as cinzas da memória, Aquilo que venceu toda a razão: O nosso amor — eterno, além da história. Marilândia

COSTURANDO DIA 23

“Não existe vencido nem vencedor” Jô Tauil _______________________ Quando o amor se desfaz sem fazer ruído… Há somente o silêncio e sua estranha cor, E um jardim de sonhos para sempre adormecido. Perde quem fica… perde quem vai embora, Porque ninguém regressa ao que já morreu; Cada adeus leva um pedaço da aurora, E um pouco do céu que em nós floresceu. Amar é colher rosas entre espinhos, É beber o mel misturado ao fel; É caminhar por incertos caminhos Com a alma erguida num secreto vergel. Se as mãos se apartam, ficam as lembranças, Como estrelas velando a escuridão; Vivem de saudade as antigas esperanças, Feitas de cinza, perfume e canção. Não há triunfo onde o afeto termina, Nem derrota em quem soube bem querer; Só o tempo, essa força peregrina, Ensina que amar… é também perder. Marilândia

terça-feira, 21 de julho de 2026

21 de julho costurando

“Não devemos voltar… Eis a nossa plenitude!” Jô Tauil _________________________ Que o ontem se dissolva em névoas sobre o mar.. Nenhuma flor renasce à antiga juventude, Nem torna ao mesmo ninho a estrela a cintilar. Guardemos, sim, as cinzas como um santo relicário, Mas deixemos o vento espalhá-las pelo céu, Pois o destino não escreve o mesmo itinerário, Nem veste duas vezes o seu místico véu. Há um clarão secreto além de cada perda, Um jardim in_visível que floresce na dor… É quando a alma, enfim, da própria sombra acorda E aprende a transformar saudade em novo amor. Não chores pelo sonho que morreu na madrugada… Os lírios da esperança desabrocham sem ruído. Toda despedida é uma ponte iluminada Para um infinito ainda desconhecido. Não devemos voltar… Caminhemos para a altura! Que o coração se faça ave, horizonte e clarão. Pois só alcança a eterna e luminosa formosura Quem faz da própria ausência a sua redenção. Marilândia