segunda-feira, 29 de junho de 2026

csturando dia 29

Vivendo o teto da Terra como se fosse o Céu, Aprendi a beijar o impossível de joelhos; Fiz do barro um altar, do pranto um véu, E das sombras colhi os mais divinos espelhos. Minha alma, ave errante, sem destino, Buscou estrelas onde havia solidão; E fez do teu amor o doce hino Que incendiava em silêncio o coração. Bebi luar nas taças da saudade, Vesti de lírios a cruel melancolia; Dei à dor a suprema eternidade, Como quem faz da noite a luz do dia. Se amar é morrer, morro cantando, Num êxtase de rosas e de cruz; Vou pelos teus caminhos desfolhando Os sonhos que inventaram minha luz. E quando o tempo me fechar as mãos vazias, Hei de florir nas cinzas da lembrança; Pois quem fez da Terra morada de alegrias Já descobriu no amor a eterna esperança. Marilândia

domingo, 28 de junho de 2026

COSTURANDO POESIA 28 DE JUNHO

"Que a arte de amar não nos cause danos" Jô Tauil ____________________________________ Nem faça da esperança um jardim desfeito... Que saibam nossos beijos, soberanos, Vestir de eternidade o amor perfeito. Que tua voz desça em mim, mansa e serena, Como a lua beijando o espelho do rio; E que a saudade, tão cruel e pequena, Se perca, enfim, no calor do desvario... Quero amar-te sem medo das ruínas, Sem as cinzas de antigos desenganos; Colher estrelas vivas nas campinas Onde florescem sonhos sobre os anos. Que o destino nos escreva, delicado, Em pergaminhos feitos de luar; E que cada silêncio partilhado Se transforme num novo verbo: amar. Se houver dor, que seja breve como a espuma Que o vento leva ao ventre do oceano; Pois só merece o nome de fortuna O amor que não nos fere... e nos faz humanos. Marilândia

sábado, 27 de junho de 2026

COSTURANDO POESIA

Nos Véus do Inefável "E os véus de templos já me acariciam" Jô Tauil _______________________________________ Como mãos de luar ungindo a minha fronte, Há preces de silêncio que em mim principiam, Feitas de eternidade e de horizonte. Sob a minh'alma em lírios de brancura, Bebendo a paz das estrelas ajoelhadas; Deixo na terra a última amargura, Como folhas de outono pelas estradas. Quem me chama? Que voz de amor me espera No átrio azul onde o tempo já não passa? Talvez a própria Morte, doce quimera, Vestida de ternura, abrindo a graça... Quero dormir no colo do Mistério, Onde Deus borda os sonhos com jasmins; Fazer do coração um incensário etéreo, Perfumando de luz os meus jardins. E se meu nome o vento ainda murmura, Que seja como um salmo sobre o chão... Pois levo, entre as mãos, a eterna formosura: Teu amor... e o Divino Criador... dentro do coração. Marilândia

sexta-feira, 26 de junho de 2026

COSTURANDO 26 de junho

“Recebendo o verniz das coisas raras” Jô Tauil ________________________ Vesti de luz as mágoas que escondi. Fiz dos espinhos róseas tiaras, E em cada dor um gemido que correspondi… Meu peito aprendeu o idioma das estrelas, Que só os corações amantes podem ler; Bebi o orvalho azul das primaveras belas, Como quem nasce outra vez para reviver. Sei que o tempo desfolha as ilusões, Mas não alcança o aroma dos afetos; Há eternidades dormindo nas paixões, Entre suspiros lânguidos e secretos. Trago nas mãos a brancura das alvoradas, E nos olhos o céu de um sonho aceso; Minhas saudades são pombas encantadas Buscando o teu jardim, sempre indefeso. Se um dia eu partir na névoa do poente, Não chores o silêncio do meu adeus: Ficarei como um perfume permanente, Na auréola da eternidades que Deus semeou. Marilândia

quinta-feira, 25 de junho de 2026

COSTURANDO DIA 25 JUNHO

“Alterando a rotação das primaveras” Jô Tauil _________________________ Meu sonho mudou o rumo das estações; Fez do vento um rosário de quimeras, E bordou luar nas minhas mãos. As rosas vieram tarde… mais formosas, Com perfume de saudades e perdão; As tardes vestiram túnicas sedosas, E o céu coube inteiro no coração. Andei colhendo estrelas esquecidas Nos jardins secretos da esperança; Dei às horas fatigadas nova vida, E às lágrimas, o nome de bonança. Se a dor bateu, entrou de pés descalços, Sem romper os cristais da minha fé; Porque Deus semeia lírios nos percalços E faz brotar o in_finito onde o homem segue a maré. Hoje sei: quem ama altera o uni_verso, Mesmo em silêncio, sem jamais aparecer; Pois cada alma que floresce num só verso Muda a primavera eterna do bendizer. Marilândia

terça-feira, 23 de junho de 2026

COSTURANDO POESIA

“Mas continuo tecendo teias de esperanças” Jô Tauil ______________________ Com fios de luar nas mãos da madrugada; Bordo nos céus azuis antigas alianças Que a vida, distraída, deixou desfeitas numa cilada… Guardo dentro de mim jardins adormecidos, Onde cantam, em sonho, os lírios do querer; E os meus passos, por sombras tantas vezes perdidos, Ainda sabem a rota secreta do viver. Trago nos olhos fundos uma estrela esquecida, Daquelas que o destino não conseguiu quebrar; E mesmo quando a dor me cobre toda a vida, Há um sol escondido a querer despontar. Meu coração, ave errante, nunca se rende, Faz do pranto uma fonte, da ausência uma canção; E em cada despedida um novo amor acende As rosas imortais da sua devoção. Se o inverno vem gelar as fontes do caminho, Faço um manto de sonhos para me agasalhar; Pois quem traz dentro d’alma um luminoso ninho Transforma em céu de estrelas qualquer escuro mar. Marilândia

domingo, 21 de junho de 2026

COSTURANDO 21 DE JUNHO

“Em seu lenhoso coração de mulher vegetal” Jô Tauil _______________________ Dormem segredos de um jardim ancestral; Raízes fundas, em silêncio, entrelaçadas, Guardam luas antigas, nunca reveladas. Seus olhos têm o verde das fontes escondidas, Onde bebem os sonhos das almas perdidas; E o vento, enamorado dos seus cabelos, Faz ninhos de ternura nos ramos mais belos. Traz nos gestos a mansidão da floresta, E uma melancolia suave que ainda resta; É árvore e mulher, num mistério divino, Misturando o perfume da terra ao destino. Quando floresce,nasce a primavera inteira, E o sol faz dela sua amante derradeira… Quando chora,as chuvas descem devagar, Como quem aprende consigo a lamentar. Ah! Quem pudesse morar na sua sombra calma E ouvir a seiva cantar os segredos da alma, Pois seu lenhoso coração, forte e profundo, É um bosque de amor abraçando o mundo. Marilândia Ver menos