segunda-feira, 6 de julho de 2026

DIA 6 DE JULHO

“Achando que só existe essa vida” Jô Tauil ______________________ Guardei meu céu nas dobras do teu peito, Fiz da esperança a minha despedida, E do teu beijo o meu sagrado leito. Mas veio a noite abrir seus véus de bruma, Vestindo a lua com saudades minhas… Cada estrela era uma lágrima de espuma, Florindo em silêncio as velhas campinas. Se tudo morre, o amor não morre, não! Transfigura-se em perfume e claridade; É ave que regressa ao coração, Depois de atravessar a eternidade. Quero seguir-te por jardins suspensos, Onde os jasmins adormecem ao luar, Colher dos astros os segredos imensos, Que Deus semeou nas ondas do amar. E quando o tempo se desfizer em flores, E o mundo for apenas lembrança e vento, Hei de encontrar-te além de todas as dores, Com a alma vestida de encantamento. Porque quem ama vence a própria morte, E faz do infinito a sua primavera. Marilândia

domingo, 5 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 5

“Agora adormece no bosque comigo” Jô Tauil _______________________ Pois a noite acendeu violetas no ar, O céu desfolhou seu manto antigo Para nos ensinar o verbo amar. Repousa a cabeça em meu colo de bruma, Enquanto o luar penteia teu cabelo; Cada beijo é uma ave que perfuma As rosas escondidas do meu anelo. Escuta… os pinheiros rezam baixinho, Como monges perdidos na amplidão; E o silêncio, descalço pelo caminho, Vem beber o vinho da nossa paixão. Se as folhas caírem, serão cartas Que o outono escreveu para nos unir; Se as sombras chorarem, serão asas fartas De sonhos que recusaram partir. Amanhã talvez desperte o uni_verso, Mas nós seremos eternidade em flor; Dois astros escondidos num só verso, Dois corações vencendo a morte pelo amor. E, se Deus passar por este arvoredo, Há de sorrir ao ver nossa ventura: Porque o amor, quando adormece sem medo, É a mais perfeita oração da ternura. Marilândia

sábado, 4 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 5 DE JULHO

“Com poetas encantados pelos monumentais efeitos” Jô Tauil ______________________ Ergui meu sonho às torres do im_possível clarão; Teci de luas mortas os meus pobres eleitos, E fiz da tua ausência a minha religião. Há cisnes a morrer nos lagos do meu peito, Há rosas desfolhando o aroma do luar; E um sino de saudade, doloroso e perfeito, Não cessa, noite e dia, de por ti soluçar. Os astros, fatigados de iluminar a Terra, Recolhem-se ao meu pranto em procissão de véus; Enquanto a minha alma, em silenciosa guerra, Procura o teu sorriso na distância dos céus. Que importa se o destino me coroou de espinhos, Se cada espinho guarda um lírio por nascer? As lágrimas também conhecem seus caminhos Quando procuram, cegas, uma razão de viver. E, se um dia eu tombar nas mãos da Eternidade, Levarei sobre os lábios teu derradeiro nome; Pois quem amou assim transforma a própria saudade No pão de luz que alimenta a fome. Então serei poema, perfume e estrela acesa, Dormindo para sempre no jardim da Beleza. Marilândia

sexta-feira, 3 de julho de 2026

COSTURANDO POESIA

“O poeta que ela busca já não existe” Jô Tauil _________________________ Morreu de tanto sonhar o im_possivel. Deixou nos lírios a voz que lhe vestia, E às tardes confiou seu pranto in_visível. Agora o vento soletra o seu nome Nas folhas pálidas dos salgueiros em flor; E a lua, viúva de antigas promessas, Acende estrelas sobre a cinza da dor. Ela percorre jardins sem memória, Colhendo perfumes que o tempo esqueceu; Beija as ruínas das velhas quimeras, Como quem chama um adeus que morreu. Mas todo amor renascido em saudade Faz da ausência um altar de luar; E os mortos, quando amaram verdadeiramente, Nunca terminam de nos visitar. Talvez o poeta habite o silêncio, Vestido de névoa, de rosas e céu… E ela descubra, chorando baixinho, Que ele vive inteiro… dentro do amor que perdeu. Marilândia

COSTURANDO DIA 3 DE JULHO

"E recolho o meu melhor nas flores da alma" Jô Tauil _____________________________________ As que ninguém jamais soube colher; Trazem perfumes de infinita calma, E a eterna febre de quem quer viver. São lírios brancos, rosas doloridas, Que o pranto rega à luz de um sonho meu; Nascem de noites longas, consumidas, À espera do im_possível que Deus deu. Trago-as ao peito, em religiosa prece, Como quem guarda um céu dentro das mãos; E cada pétala, ao morrer, floresce No altar secreto das des_ilusões. Se o mundo passa, in_diferente e frio, Levo comigo um sol que não se apaga; Mesmo no inverno mais cruel e sombrio, Minha esperança é flor que não naufraga. E quando a noite me fechar os olhos, Vestirei de estrelas a minha saudade; Pois quem cultiva o amor entre os abrolhos Colhe eternidade em vez da brevidade. E recolho o meu melhor, serenamente, Nas flores da alma... onde Deus me fez nascente! Marilândia

quinta-feira, 2 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 1 DE JULHO

“Minhas águas vivas correrão para a morte se não chegares” Jô Tauil ___________________________ Como rios sem destino buscando um mar desfeito. A noite colherá meus lírios um a um, em silêncio, E deixará no vento o perfume do meu peito. Já não haverá astros bordando o azul da ausência, Nem luar suficiente para dourar minha dor; As horas, de joelhos, mendigarão teu nome, Como um templo vazio implorando pelo amor. Minha alma, ave ferida, perderá o rumo das nuvens, E pousará exausta nas urzes do jamais. As rosas beberão o sal dos meus olhos, E os jardins esquecerão que houve primavera atrás. Mas se vieres, amado, com teus passos de brisa, Renascerão em mim os pomares da emoção; Cada lágrima antiga será pérola acesa, Cada suspiro, um hino cantado pelo coração. Então serei a fonte onde Deus lava as estrelas, O cálice de auroras transbordando claridade; E aprenderá a morte, vencida pelo teu beijo, Que há amores mais eternos do que a própria eternidade. Marilândia

COSTURANDO POESIA DIA

"Só assim teremos argumentos para as possibilidades de sonhar" Jô Tauil ___________________________________ Quando a noite abrir em lírios o silêncio do luar; Quando o pranto for um rio de estrelas desatadas, Lavando as nossas almas de saudades condenadas. Só assim o amor será mais forte que o destino, E fará de cada espinho um caminho peregrino; Beijará as nossas sombras com ternuras de veludo, E dirá que o infinito cabe inteiro em nosso mundo. Hei de colher auroras no jardim dos teus abraços, Vestindo-me da luz que se derrama em teus espaços; E se a vida me negar o vinho das ilusões, Beberei teus olhos mansos, sacrário das paixões. Quero morrer em ti sem nunca deixar a vida, Como morre a primavera na roseira adormecida; Pois amar é ser incêndio consumindo a própria dor, É fazer da cinza estéril um renascimento em flor. Só assim teremos sempre um céu para acreditar, Mesmo quando a tempestade nos quiser desabrigar; Porque quem ama transforma o impossível em altar... E deixa a Eternidade florescer dentro de nós. Marilândia E vive o eterno milagre das possibilidades de sonhar. E faz da nossa esperança uma estrela sem morrer. (delicado e luminoso) E aprende que o infinito começa em nosso olhar. (mais metafísico) E faz do amor um céu que nunca chega ao fim. (romântico e musical) Onde até Deus se demora a escutar o coração. (espiritual e intenso) E deixa a Eternidade florescer dentro de nós. (muito florbeliano) Porque só ama deveras quem renasce em cada dor. (mais dramático) E escreve em cada beijo o destino de viver. (apaixonado) Como se a alma encontrasse o seu verdadeiro lar. (n