21 de julho costurando
Jô Tauil _________________________ Que o ontem se dissolva em névoas sobre o mar.. Nenhuma flor renasce à antiga juventude, Nem torna ao mesmo ninho a estrela a cintilar. Guardemos, sim, as cinzas como um santo relicário, Mas deixemos o vento espalhá-las pelo céu, Pois o destino não escreve o mesmo itinerário, Nem veste duas vezes o seu místico véu. Há um clarão secreto além de cada perda, Um jardim in_visível que floresce na dor… É quando a alma, enfim, da própria sombra acorda E aprende a transformar saudade em novo amor. Não chores pelo sonho que morreu na madrugada… Os lírios da esperança desabrocham sem ruído. Toda despedida é uma ponte iluminada Para um infinito ainda desconhecido. Não devemos voltar… Caminhemos para a altura! Que o coração se faça ave, horizonte e clarão. Pois só alcança a eterna e luminosa formosura Quem faz da própria ausência a sua redenção. Marilândia
