quarta-feira, 30 de setembro de 2026

COSTURANDO 30 DE SETEMBRO

“Uma borra de primavera morta ainda exala cheiros e apelos…” Jô Tauil _______________________ Como um perfume perdido entre os meus cabelos. Há flores que, mesmo mortas, sabem chamar, E sonhos que não consentem em terminar. No silêncio da tarde, escuto a tua voz, Como um eco de amor que ainda vive em nós. As pétalas caídas guardam teu calor, Enquanto a terra embriagada recorda o nosso amor. Há lágrimas de sol dormindo sobre a relva, E uma saudade ardente que o tempo não dissolve. Meu coração, cansado, ainda te procura, Na sombra de uma antiga e febril ternura. Eis que cada primavera que nasce sem ti É uma ferida aberta que floresce em mim. Quis arrancar-te da alma, mas não pude, Pois há amores que a morte nunca ilude. Assim, quando a noite desce, fria e derradeira, Ainda sinto teu beijo na minha boca inteira. Talvez amar seja morrer sem despedida, E deixar teu fantasma perfumar minha vida. Marilândia

terça-feira, 29 de setembro de 2026

COSTURANDO 29 DE SETEMBRO

“Feita de pura cinza, entrega e renascimento em explosão “ Jô Tauil _______________________ Ergui do pó dos sonhos a chama do meu ser… Trouxe entre escombros, a paixão incandescente, Que nem a própria morte conseguiu fazer morrer. Fui noite sem estrelas, silêncio sem abrigo, Fui lágrima perdida na vastidão do mar, Mas teu amor chegando, incendiou meu castigo E fez das minhas ruínas um templo para amar. Queimei todos os medos na fogueira do desejo, Despida do passado, entreguei-me inteira a ti, E em cada cicatriz deixei nascer um beijo, Em cada fim sombrio, um novo sol descobri. Sou feita de partidas, retornos e vertigens, De abismos onde a alma aprende a florescer… Trago no peito a marca das remotas origens, Mas guardo nos meus olhos a coragem de viver. E se outra vez a vida me lançar ao chão, Renascerei das cinzas, mais ardente e verdadeira, Pois quem já amou assim, com toda a devoção, Não morre: transforma-se em chama derradeira. Marilândia

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

COSTURANDO 28 SETEMBRO

"Como dar vida ao botão que nem se abriu e já fenece?" Jô Tauil _______________________________________ Se trazia em cada pétala um amor que ninguém conhece... Como salvar do crepúsculo o sonho que amanheceu, Se o beijo que o desejava jamais aconteceu? Há pétalas que estremecem ao sopro de uma paixão, E guardam, trêmulas, segredos no fundo do coração; Há desejos que se calam, por medo de se entregar, E lábios que morrem de sede à espera de um beijar. Meu coração, tão insensato, ainda pergunta: por quê, Se havia tanto desejo querendo nascer e viver? Por que a noite recolhe o que a aurora prometeu, Se o fogo que nos queimava sequer se acendeu? Talvez amar seja um sonho que a própria razão condena, Uma doce ferida de amor, tão amarga e serena; E eu, que te quis em silêncio, com febre e devoção, Fiz do desejo im_possível a mais ardente oração. Se o botão não se abriu, guardou seu perfume em mim, Como um beijo interrompido que não conhece o fim, E talvez, noutra vida, quando o destino disser sim, A flor que morreu no desejo venha florescer em mim. Marilândia Como dar vida ao botão que nem se abriu e já fenece, Se trazia em cada pétala um amor que ninguém conhece? Quem há de salvar do inverno a flor que a noite desfolhou, Se o beijo que a despertava nos meus lábios se calou? Havia em teus olhos um incêndio que me chamava, E em minha boca um segredo que por teu beijo esperava; Mas o tempo, cruel amante, entre nós se interpôs, E deixou somente a ânsia do que não aconteceu entre nós. Ah, como dói o desejo que nasce para não ter fim, A carícia que não houve, mas ainda arde em mim! Há abraços que nunca existiram, mas sabem acariciar, E corpos que, mesmo distantes, continuam a se procurar. Eu te quis com a loucura das noites sem luar, Com a febre de quem ama sem coragem de confessar; E fiz do meu próprio silêncio um altar de paixão, Onde ainda queima, intacta, a chama do coração. Se o botão não se abriu, não morreu o seu perfume: Há desejos que a distância nem o tempo consome. E se a vida nos negar a primavera que sonhei, Em outra existência, amor, por ti florescerei.

domingo, 27 de setembro de 2026

27 de setembro

“Caminhando como um rebanho para as mortíferas máquinas” Jô Tauil ——————————— Sem perceber que a estrada já sangrava aos nossos pés, Seguimos, entre sombras, ilusões e lágrimas, Prisioneiros de um destino que ninguém mais desfez. Havia estrelas mortas nas janelas da esperança, E um silêncio de abismo a nos chamar pelo nome, Mas cada alma guardava a última lembrança De um sonho que se perde, de uma fé que já não some. Quem nos roubou a aurora, quem nos cegou o caminho? Quem pôs ferro e medo onde deveria haver amor? Por que caminhamos sós, se o mundo é tão mesquinho, Levando dentro do peito a própria dor? Talvez a morte nos espere além da derradeira porta, Talvez a vida seja apenas um sonho em agonia, E a multidão, cansada, in_diferente e absorta, Nem veja que caminha para a própria sepultura fria. Portanto, quando enfim chegarmos às máquinas, sem voz nem pranto, Já não haverá céu, nem Deus, nem mãos para nos salvar; Só restará o eco do nosso último canto, E a terra, sempre in_diferente, aprendendo a nos esquecer. Marilândia

sábado, 26 de setembro de 2026

COSTURANDO 26 SETEMBRO

“O de ser alguém que o teu amor moldou” Jô Tauil _____________________ Na doce melodia em que me perdi, No sonho que teu beijo despertou, Na chama que acendeste em mim. Fui verso que em teus lábios se encantou, Fui lágrima que em teu olhar dormi, Fui tudo o que teu coração sonhou, E nada mais quis ser longe de ti. Se hoje sou chama, foste tu o ardor, Se canto, é teu o canto que há em mim; Se sofro, é porque foi grande o amor Que fez do nosso encontro um céu sem fim. Mas quando o teu silêncio me envolver, Que restará de mim, se te perdi? Se foste tu quem me ensinou a ser, Quem ensinará meu coração a existir? Talvez eu seja apenas o que restou De um sonho que morreu dentro de mim: A mulher que o teu amor moldou — E que, sem teu amor, chegou ao fim. Marilândia

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

COSTURANDO 25 SETEMBRO

“Teu nome é o que a alma vai eternizar” Jô Tauil ____________________ Como um segredo escrito entre estrelas, Um doce sonho que não quer findar, E a noite aprende, em silêncio, a dizê-lo. Teu nome é chama que não sabe morrer, É flor que nasce em meu peito deserto, É a saudade que insiste em florescer, Quando o teu corpo já não está por perto. Teu nome é música, é pranto, é oração, É o eco apaixonado de um desejo, Que se derrama inteiro no coração, No breve instante em que o teu rosto vejo. E se o destino nos fizer partir, Levarei teu nome além da própria vida, Pois há amores que nasceram para existir, Mesmo quando a esperança está perdida. Assim,quando a morte vier me silenciar, E já não houver lágrimas nem despedida, meu último suspiro há de te chamar — e morrer será te amar por toda a vida. Marilândia

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

24 de setembro

“Na emoção de em ti me encontrar…” Jô Tauil _____________________ Meu coração esquece a solidão, E deixa, enfim, o sonho navegar Nas águas misteriosas da paixão. Teu olhar é o abrigo onde me escondo, Quando a noite me envolve de saudade, E em cada beijo, trêmulo e profundo, Renovo a minha antiga mocidade… És o verso que em mim nunca termina, A chama que não cessa de arder, A doce luz que a minha alma ilumina, O im_possivel que eu quis compreender. Se amar é padecer e é ser feliz, Quero sofrer contigo até morrer; Pois tudo o que meu coração sempre quis Foi ter-te uma só vez… e te perder. E quando a morte vier me procurar, Levará teu nome em meu último olhar. Marilândia