sábado, 4 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 5 DE JULHO

“Com poetas encantados pelos monumentais efeitos” Jô Tauil ______________________ Ergui meu sonho às torres do im_possível clarão; Teci de luas mortas os meus pobres eleitos, E fiz da tua ausência a minha religião. Há cisnes a morrer nos lagos do meu peito, Há rosas desfolhando o aroma do luar; E um sino de saudade, doloroso e perfeito, Não cessa, noite e dia, de por ti soluçar. Os astros, fatigados de iluminar a Terra, Recolhem-se ao meu pranto em procissão de véus; Enquanto a minha alma, em silenciosa guerra, Procura o teu sorriso na distância dos céus. Que importa se o destino me coroou de espinhos, Se cada espinho guarda um lírio por nascer? As lágrimas também conhecem seus caminhos Quando procuram, cegas, uma razão de viver. E, se um dia eu tombar nas mãos da Eternidade, Levarei sobre os lábios teu derradeiro nome; Pois quem amou assim transforma a própria saudade No pão de luz que alimenta a fome. Então serei poema, perfume e estrela acesa, Dormindo para sempre no jardim da Beleza. Marilândia

sexta-feira, 3 de julho de 2026

COSTURANDO POESIA

“O poeta que ela busca já não existe” Jô Tauil _________________________ Morreu de tanto sonhar o im_possivel. Deixou nos lírios a voz que lhe vestia, E às tardes confiou seu pranto in_visível. Agora o vento soletra o seu nome Nas folhas pálidas dos salgueiros em flor; E a lua, viúva de antigas promessas, Acende estrelas sobre a cinza da dor. Ela percorre jardins sem memória, Colhendo perfumes que o tempo esqueceu; Beija as ruínas das velhas quimeras, Como quem chama um adeus que morreu. Mas todo amor renascido em saudade Faz da ausência um altar de luar; E os mortos, quando amaram verdadeiramente, Nunca terminam de nos visitar. Talvez o poeta habite o silêncio, Vestido de névoa, de rosas e céu… E ela descubra, chorando baixinho, Que ele vive inteiro… dentro do amor que perdeu. Marilândia

COSTURANDO DIA 3 DE JULHO

"E recolho o meu melhor nas flores da alma" Jô Tauil _____________________________________ As que ninguém jamais soube colher; Trazem perfumes de infinita calma, E a eterna febre de quem quer viver. São lírios brancos, rosas doloridas, Que o pranto rega à luz de um sonho meu; Nascem de noites longas, consumidas, À espera do im_possível que Deus deu. Trago-as ao peito, em religiosa prece, Como quem guarda um céu dentro das mãos; E cada pétala, ao morrer, floresce No altar secreto das des_ilusões. Se o mundo passa, in_diferente e frio, Levo comigo um sol que não se apaga; Mesmo no inverno mais cruel e sombrio, Minha esperança é flor que não naufraga. E quando a noite me fechar os olhos, Vestirei de estrelas a minha saudade; Pois quem cultiva o amor entre os abrolhos Colhe eternidade em vez da brevidade. E recolho o meu melhor, serenamente, Nas flores da alma... onde Deus me fez nascente! Marilândia

quinta-feira, 2 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 1 DE JULHO

“Minhas águas vivas correrão para a morte se não chegares” Jô Tauil ___________________________ Como rios sem destino buscando um mar desfeito. A noite colherá meus lírios um a um, em silêncio, E deixará no vento o perfume do meu peito. Já não haverá astros bordando o azul da ausência, Nem luar suficiente para dourar minha dor; As horas, de joelhos, mendigarão teu nome, Como um templo vazio implorando pelo amor. Minha alma, ave ferida, perderá o rumo das nuvens, E pousará exausta nas urzes do jamais. As rosas beberão o sal dos meus olhos, E os jardins esquecerão que houve primavera atrás. Mas se vieres, amado, com teus passos de brisa, Renascerão em mim os pomares da emoção; Cada lágrima antiga será pérola acesa, Cada suspiro, um hino cantado pelo coração. Então serei a fonte onde Deus lava as estrelas, O cálice de auroras transbordando claridade; E aprenderá a morte, vencida pelo teu beijo, Que há amores mais eternos do que a própria eternidade. Marilândia

COSTURANDO POESIA DIA

"Só assim teremos argumentos para as possibilidades de sonhar" Jô Tauil ___________________________________ Quando a noite abrir em lírios o silêncio do luar; Quando o pranto for um rio de estrelas desatadas, Lavando as nossas almas de saudades condenadas. Só assim o amor será mais forte que o destino, E fará de cada espinho um caminho peregrino; Beijará as nossas sombras com ternuras de veludo, E dirá que o infinito cabe inteiro em nosso mundo. Hei de colher auroras no jardim dos teus abraços, Vestindo-me da luz que se derrama em teus espaços; E se a vida me negar o vinho das ilusões, Beberei teus olhos mansos, sacrário das paixões. Quero morrer em ti sem nunca deixar a vida, Como morre a primavera na roseira adormecida; Pois amar é ser incêndio consumindo a própria dor, É fazer da cinza estéril um renascimento em flor. Só assim teremos sempre um céu para acreditar, Mesmo quando a tempestade nos quiser desabrigar; Porque quem ama transforma o impossível em altar... E deixa a Eternidade florescer dentro de nós. Marilândia E vive o eterno milagre das possibilidades de sonhar. E faz da nossa esperança uma estrela sem morrer. (delicado e luminoso) E aprende que o infinito começa em nosso olhar. (mais metafísico) E faz do amor um céu que nunca chega ao fim. (romântico e musical) Onde até Deus se demora a escutar o coração. (espiritual e intenso) E deixa a Eternidade florescer dentro de nós. (muito florbeliano) Porque só ama deveras quem renasce em cada dor. (mais dramático) E escreve em cada beijo o destino de viver. (apaixonado) Como se a alma encontrasse o seu verdadeiro lar. (n

segunda-feira, 29 de junho de 2026

csturando dia 29

Vivendo o teto da Terra como se fosse o Céu, Aprendi a beijar o impossível de joelhos; Fiz do barro um altar, do pranto um véu, E das sombras colhi os mais divinos espelhos. Minha alma, ave errante, sem destino, Buscou estrelas onde havia solidão; E fez do teu amor o doce hino Que incendiava em silêncio o coração. Bebi luar nas taças da saudade, Vesti de lírios a cruel melancolia; Dei à dor a suprema eternidade, Como quem faz da noite a luz do dia. Se amar é morrer, morro cantando, Num êxtase de rosas e de cruz; Vou pelos teus caminhos desfolhando Os sonhos que inventaram minha luz. E quando o tempo me fechar as mãos vazias, Hei de florir nas cinzas da lembrança; Pois quem fez da Terra morada de alegrias Já descobriu no amor a eterna esperança. Marilândia

domingo, 28 de junho de 2026

COSTURANDO POESIA 28 DE JUNHO

"Que a arte de amar não nos cause danos" Jô Tauil ____________________________________ Nem faça da esperança um jardim desfeito... Que saibam nossos beijos, soberanos, Vestir de eternidade o amor perfeito. Que tua voz desça em mim, mansa e serena, Como a lua beijando o espelho do rio; E que a saudade, tão cruel e pequena, Se perca, enfim, no calor do desvario... Quero amar-te sem medo das ruínas, Sem as cinzas de antigos desenganos; Colher estrelas vivas nas campinas Onde florescem sonhos sobre os anos. Que o destino nos escreva, delicado, Em pergaminhos feitos de luar; E que cada silêncio partilhado Se transforme num novo verbo: amar. Se houver dor, que seja breve como a espuma Que o vento leva ao ventre do oceano; Pois só merece o nome de fortuna O amor que não nos fere... e nos faz humanos. Marilândia