27 de setembro
“Caminhando como um rebanho para as mortíferas máquinas” Jô Tauil ——————————— Sem perceber que a estrada já sangrava aos nossos pés, Seguimos, entre sombras, ilusões e lágrimas, Prisioneiros de um destino que ninguém mais desfez. Havia estrelas mortas nas janelas da esperança, E um silêncio de abismo a nos chamar pelo nome, Mas cada alma guardava a última lembrança De um sonho que se perde, de uma fé que já não some. Quem nos roubou a aurora, quem nos cegou o caminho? Quem pôs ferro e medo onde deveria haver amor? Por que caminhamos sós, se o mundo é tão mesquinho, Levando dentro do peito a própria dor? Talvez a morte nos espere além da derradeira porta, Talvez a vida seja apenas um sonho em agonia, E a multidão, cansada, in_diferente e absorta, Nem veja que caminha para a própria sepultura fria. Portanto, quando enfim chegarmos às máquinas, sem voz nem pranto, Já não haverá céu, nem Deus, nem mãos para nos salvar; Só restará o eco do nosso último canto, E a terra, sempre in_diferente, aprendendo a nos esquecer. Marilândia
