quarta-feira, 17 de junho de 2026

COSTURANDO DIA 17

"Um misto de sonata... um louvor!" Jô Tauil _________________________________ Que sobe, em espirais, da alma inquieta, Como um cântico azul de eterna poeta Buscando a perfeição do seu amor. Há lírios a florir na minha dor, E luas a velar minha secreta Saudade, que se faz doce e completa Nas mãos de um sonho feito de esplendor. Quero beber a luz das madrugadas, Vestir-me dos clarões das alvoradas E coroar de estrelas o meu ser. Fazer do pranto um rio de harmonias, Das sombras, um jardim de fantasias, E do impossível, a arte de viver. Mas quando a noite inclina os seus véus frios, Escuto, entre silêncios e desvios, Teu nome ressoando pelo ar... E a minha alma, em perfume e desalinho, Faz-se sonata, estrela, rosa e ninho, Num eterno ofertório do coração. Marilândia

terça-feira, 16 de junho de 2026

COSTURANDO DIA 15 DE JUNHO

Jô Tauil _____________________ Andam perdidos pelos jardins da saudade, Colhendo estrelas nas noites mais virgens, Bebendo o orvalho azul da eternidade. Trazem nos olhos a sombra dos lírios, E nas mãos trêmulas o luar desfeito; São aves cansadas de longos exílios, Que buscam abrigo no teu peito. Vestem-se apenas de sonho e de espuma, De névoas suaves e rosas de abril; São como uma prece que sobe da bruma, Cantando segredos num tom febril. Mas quando teu nome floresce em meu canto, Ganham o brilho dos astros do céu; E aquilo que era somente pranto Transforma-se em ouro sob teu véu. Então meus versos, outrora tão nus, Tornam-se estrelas vagando sem fim; Pois levam acesa a chama da luz Que Deus e o amor acenderam em mim. Marilândia

COSTURANDO DIA 16

"Debruço-me sobre versos completamente nus" Jô Tauil ___________________________________ Como quem busca estrelas no fundo da amplidão, E colho entre silêncios os perfumes mais sutis Que dormem esquecidos nos jardins da ilusão. As palavras, tão frágeis, têm mãos de veludo, E afagam minha alma numa doce oração; São aves de luar sobre um mar insondável, São lírios desfolhados à beira da emoção. Há sombras de saudade nas rendas da memória, E ecos de quimeras perdidos pelo ar; Cada sonho desfeito é uma página da história Que o tempo não consegue apagar nem sepultar. Procuro o teu semblante nas águas do poente, Nos astros que florescem no azul crepuscular; E a noite, como um manto de tristeza resplendente, Vem meus olhos cansados de mistério embalsamar. Se o destino é um castelo suspenso sobre o nada, Quero habitá-lo inteira, entre a febre e a canção; Pois trago em cada verso uma rosa apaixonada E em cada rosa aberta um pedaço do coração. Marilândia

domingo, 14 de junho de 2026

COSTURANDO 14 DE JUNHO

"Com muito medo de não sentir o M da palma da tua mão" Jô Tauil _______________________________________ Guardo a noite entre rendas de suspiros e saudade; Como quem vela uma estrela à beira da solidão, Temendo que a aurora a roube à minha ansiedade. Levo nos olhos a sombra dos jardins que não vivi, E nas veias um perfume de crepúsculo e luar; Há um destino de rosas que sonhei e não colhi, Há um canto de esperança que não ouso despertar. Se te afastas, o silêncio veste luto nos caminhos, E as fontes do meu sonho secam dentro do jardim; As andorinhas da alma perdem todos os seus ninhos, E o céu fica mais distante, mais vazio para mim. Mas se pousa a tua mão sobre a febre do meu peito, Abrem-se lírios de prata nas ruínas do sofrer; E o mundo, pobre mendigo, torna-se reino perfeito, Onde os mortos ideais voltam todos a viver. Então bendigo a mágoa que me ensinou a esperar, E a saudade que bordou sua renda em meu destino; Pois foi por ela que aprendi a te amar sem te alcançar, Como quem busca uma estrela pelos vales do Divino. Marilândia

sábado, 13 de junho de 2026

COSTURANDO 13 DE JUNHO

“É todo teu meu coração!Está aqui só emprestado!” Jô Tauil _________________________ Levaste-o numa tarde em que o céu era luar, E desde então vagueio, em sonho enamorado, Como uma rosa à espera da hora de florar. Guardei-te nos jardins mais fundos do meu peito, Entre lírios de prata e perfumes de jasmim; Teu nome fez-se estrela, esplendoroso e perfeito, Brilhando sobre a sombra que havia dentro em mim. Se a saudade me chama pelos vales da distância, Respondo-lhe sorrindo, entre lágrimas e fé; Pois vive em cada ausência a tua doce fragrância, Como o perfume oculto que uma flor caída é. Amar-te é navegar sem mapa e sem destino, Num mar de eternidade e de silenciosa luz; É transformar a dor num cântico divino, E achar em cada espinho a bênção que seduz. Por isso, se um dia o tempo nos separar, E a noite derramar seus véus sobre o caminho, Meu coração irá contigo, a te buscar, Como ave que regressa ao seu primeiro ninho. E quando Deus fechar as portas do passado, Há de encontrar teu nome em minha rosa e_terna gravado. Marilândia

sexta-feira, 12 de junho de 2026

COSTURANDO 12 DE JUNHO

“Numa volúpia rara, pungente e pura.” Jô Tauil ___________________________ Meu coração desfolha-se em luar. Leva na voz a antiga formosura Das ondas que desaprendi de amar. Há no silêncio azul da noite fria Um perfume de sonho e de saudade, Que vem beijar a minha fantasia Com mãos de sombra e de eternidade. Teu nome é flor que nasce entre os meus ais, Lírio de fogo aberto sobre a dor; E os meus desejos, trêmulos demais, São aves procurando o teu amor. Passam estrelas pela minha estrada, Como promessas de um jardim sem fim; E cada estrela, pálida e velada, Parece um verso que escreveu por mim. Se acaso a vida é breve e passageira, Que seja breve à sombra do teu ser; Pois vale mais uma hora verdadeira Que um século sem te poder viver. E assim me entrego, doce e vencida, Ao eterno milagre de te querer na rosa jamais colhida. Marilândia

quinta-feira, 11 de junho de 2026

COSTURANDO 11 JUNHO

"Patentear o horizonte e fantasiar a miragem" Jô Tauil ____________________________________ Como quem prende a tarde num rendado véu de luar, E borda sobre o silêncio a secreta linguagem Dos sonhos que não ousaram nunca se realizar. Quero colher das estrelas o perfume do impossível, E vestir de rosas brancas a nudez da solidão; Fazer do pranto um cristal delicado e sensível, E da saudade um jardim florescendo no coração. Há uma fonte escondida nos vales da minha alma, Onde a tristeza adormece ao som de um canto distante; E uma esperança de seda, tão suave e tão calma, Que se desfaz em neblina ao toque de um instante. Ó vida, és ave errante em crepúsculos perdidos, Passas deixando nos lábios um gosto doce e mortal; Teus caminhos são tecidos de adeuses e gemidos, Teu beijo tem a doçura venenosa do ideal. Mas eu persisto sonhando os castelos da quimera, Erguendo torres de lua sobre abismos de ninguém; Pois quem nasceu para amar faz da dor sua primavera, E encontra no im_possível a razão de ir mais além. E morro em cada poema, e em cada verso renasço também. Marilândia