sábado, 20 de junho de 2026

COSTURANDO 19 DE JUNHO

“Aquele coração que vale ouro” Jô Tauil _______________________ Guarda o sol nas dobras do seu peito, Tem a ternura mansa de um tesouro E o dom de amar sem cálculo ou proveito. É fonte clara em árido caminho, Estrela acesa em noites sem luar; Faz do silêncio um meigo ninho Onde os sonhos aprendem a pousar. Quando a tristeza veste o mundo inteiro, Seu gesto é como um lírio a florescer; E o pranto mais profundo e derradeiro Consegue em seu afeto adormecer. Não pede glória, aplauso ou recompensa, Nem busca coroar-se de esplendor; Carrega uma riqueza imensa, Feita de entrega, de bondade e amor. E eu, que já vaguei por tantos portos, Sei quanto vale um peito assim, leal: É joia rara entre destinos tortos, Farol divino em mar celestial. Quem traz tal ouro dentro do coração Traz a eternidade em cada pulsação. Marilândia

COSTURANDO 20 DE JUNHO

“Tudo que fala em mim de amor foi dito” Jô Tauil _________________________ Nos jardins onde o luar dorme esquecido, Nas fontes onde o silêncio é infinito, E nos caminhos do sonho adormecido. Tudo que fala de mim foi já cantado Pelas aves que cruzaram o poente; Foi em estrelas de prata semeado, Foi perfume derramado docemente. Mas há segredos que ninguém adivinha, Sombras de lírios na alma peregrina, Um pranto manso que a saudade alinha Nas rendas finas da noite cristalina. Porque o amor que em meu peito se consome Tem a vastidão do mar sem ter um nome. E se o mundo julga a história terminada, Ainda guardo uma rosa iluminada; Flor que floresce na eterna madrugada, Feita de sonho, de luar e e_ternamente louvada. Marilândia

quinta-feira, 18 de junho de 2026

COSTURANDO 18 DE JUNHO

“Meus fantasmas se foram porque não curtem alegria” Jô Tauil _______________________ Fugiram ao primeiro raio de sol que me envolvia, Levaram seus mantos frios de saudade e desalento, E deixaram-me o perfume leve de outro sentimento. Já não choram nas janelas das noites sem luar, Nem bordam teias de sombra nos jardins do meu sonhar; Partiram como aves tristes perdidas na ventania, Quando viram que em meus olhos florescia um novo dia. Agora a alma se veste de rendas feitas de esperança, E dança sobre os abismos com a graça de uma criança. O coração, que era um templo de silêncio e de saudade, Abriu suas velhas portas para a doce claridade. Se ainda existe uma lágrima, é de ternura somente, Como orvalho que repousa sobre a rosa inocente, E as estrelas, uma a uma, descem mansas do infinito, Para ouvir o meu segredo transformado em canto escrito. Assim,descobri que o amor, quando é puro e verdadeiro É um jardim que vence o inverno mais severo e traiçoeiro… E agora,sigo sorrindo entre jasmins e luar, Com uma constelação de lírios acesa no meu olhar. Marilândia

quarta-feira, 17 de junho de 2026

COSTURANDO DIA 17

"Um misto de sonata... um louvor!" Jô Tauil _________________________________ Que sobe, em espirais, da alma inquieta, Como um cântico azul de eterna poeta Buscando a perfeição do seu amor. Há lírios a florir na minha dor, E luas a velar minha secreta Saudade, que se faz doce e completa Nas mãos de um sonho feito de esplendor. Quero beber a luz das madrugadas, Vestir-me dos clarões das alvoradas E coroar de estrelas o meu ser. Fazer do pranto um rio de harmonias, Das sombras, um jardim de fantasias, E do impossível, a arte de viver. Mas quando a noite inclina os seus véus frios, Escuto, entre silêncios e desvios, Teu nome ressoando pelo ar... E a minha alma, em perfume e desalinho, Faz-se sonata, estrela, rosa e ninho, Num eterno ofertório do coração. Marilândia

terça-feira, 16 de junho de 2026

COSTURANDO DIA 15 DE JUNHO

Jô Tauil _____________________ Andam perdidos pelos jardins da saudade, Colhendo estrelas nas noites mais virgens, Bebendo o orvalho azul da eternidade. Trazem nos olhos a sombra dos lírios, E nas mãos trêmulas o luar desfeito; São aves cansadas de longos exílios, Que buscam abrigo no teu peito. Vestem-se apenas de sonho e de espuma, De névoas suaves e rosas de abril; São como uma prece que sobe da bruma, Cantando segredos num tom febril. Mas quando teu nome floresce em meu canto, Ganham o brilho dos astros do céu; E aquilo que era somente pranto Transforma-se em ouro sob teu véu. Então meus versos, outrora tão nus, Tornam-se estrelas vagando sem fim; Pois levam acesa a chama da luz Que Deus e o amor acenderam em mim. Marilândia

COSTURANDO DIA 16

"Debruço-me sobre versos completamente nus" Jô Tauil ___________________________________ Como quem busca estrelas no fundo da amplidão, E colho entre silêncios os perfumes mais sutis Que dormem esquecidos nos jardins da ilusão. As palavras, tão frágeis, têm mãos de veludo, E afagam minha alma numa doce oração; São aves de luar sobre um mar insondável, São lírios desfolhados à beira da emoção. Há sombras de saudade nas rendas da memória, E ecos de quimeras perdidos pelo ar; Cada sonho desfeito é uma página da história Que o tempo não consegue apagar nem sepultar. Procuro o teu semblante nas águas do poente, Nos astros que florescem no azul crepuscular; E a noite, como um manto de tristeza resplendente, Vem meus olhos cansados de mistério embalsamar. Se o destino é um castelo suspenso sobre o nada, Quero habitá-lo inteira, entre a febre e a canção; Pois trago em cada verso uma rosa apaixonada E em cada rosa aberta um pedaço do coração. Marilândia

domingo, 14 de junho de 2026

COSTURANDO 14 DE JUNHO

"Com muito medo de não sentir o M da palma da tua mão" Jô Tauil _______________________________________ Guardo a noite entre rendas de suspiros e saudade; Como quem vela uma estrela à beira da solidão, Temendo que a aurora a roube à minha ansiedade. Levo nos olhos a sombra dos jardins que não vivi, E nas veias um perfume de crepúsculo e luar; Há um destino de rosas que sonhei e não colhi, Há um canto de esperança que não ouso despertar. Se te afastas, o silêncio veste luto nos caminhos, E as fontes do meu sonho secam dentro do jardim; As andorinhas da alma perdem todos os seus ninhos, E o céu fica mais distante, mais vazio para mim. Mas se pousa a tua mão sobre a febre do meu peito, Abrem-se lírios de prata nas ruínas do sofrer; E o mundo, pobre mendigo, torna-se reino perfeito, Onde os mortos ideais voltam todos a viver. Então bendigo a mágoa que me ensinou a esperar, E a saudade que bordou sua renda em meu destino; Pois foi por ela que aprendi a te amar sem te alcançar, Como quem busca uma estrela pelos vales do Divino. Marilândia