sexta-feira, 24 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 23

“Não existe vencido nem vencedor” Jô Tauil _______________________ Quando o amor se desfaz sem fazer ruído… Há somente o silêncio e sua estranha cor, E um jardim de sonhos para sempre adormecido. Perde quem fica… perde quem vai embora, Porque ninguém regressa ao que já morreu; Cada adeus leva um pedaço da aurora, E um pouco do céu que em nós floresceu. Amar é colher rosas entre espinhos, É beber o mel misturado ao fel; É caminhar por incertos caminhos Com a alma erguida num secreto vergel. Se as mãos se apartam, ficam as lembranças, Como estrelas velando a escuridão; Vivem de saudade as antigas esperanças, Feitas de cinza, perfume e canção. Não há triunfo onde o afeto termina, Nem derrota em quem soube bem querer; Só o tempo, essa força peregrina, Ensina que amar… é também perder. Marilândia

terça-feira, 21 de julho de 2026

21 de julho costurando

“Não devemos voltar… Eis a nossa plenitude!” Jô Tauil _________________________ Que o ontem se dissolva em névoas sobre o mar.. Nenhuma flor renasce à antiga juventude, Nem torna ao mesmo ninho a estrela a cintilar. Guardemos, sim, as cinzas como um santo relicário, Mas deixemos o vento espalhá-las pelo céu, Pois o destino não escreve o mesmo itinerário, Nem veste duas vezes o seu místico véu. Há um clarão secreto além de cada perda, Um jardim in_visível que floresce na dor… É quando a alma, enfim, da própria sombra acorda E aprende a transformar saudade em novo amor. Não chores pelo sonho que morreu na madrugada… Os lírios da esperança desabrocham sem ruído. Toda despedida é uma ponte iluminada Para um infinito ainda desconhecido. Não devemos voltar… Caminhemos para a altura! Que o coração se faça ave, horizonte e clarão. Pois só alcança a eterna e luminosa formosura Quem faz da própria ausência a sua redenção. Marilândia

segunda-feira, 20 de julho de 2026

20 DE JULHO COSTURANDO

“Fujo de vez da arena dos amantes…” Jô Tauil ____________________ Onde o desejo veste a dor de flor… Levo nos olhos céus agonizantes, E no meu peito um infinito amor. Cansei das mãos que juram e desatam, Das promessas levadas pelo vento. Há beijos que, ao nascer, já se maltratam, Feitos de sombra, espuma e desalento. Prefiro o silêncio das estrelas frias, Que nunca mentem à alma peregrina; Elas conhecem todas as agonias De quem fez do sofrer sua doutrina. Mas, se um amor surgir puro e tardio, Com voz serena e coração sem véu, Talvez eu abra o meu jardim vazio À luz dourada que desça do céu. Porque o amor, quando é verdade inteira, Não pede máscaras, nem glória, nem coroa; É um lírio que floresce na fogueira E faz da própria dor a vida que abençoa. Marilândia

sábado, 18 de julho de 2026

COSTURANDO 15 DE JULHO

Jô Tauil _______________________ Fiz do meu peito um sacrário de ilusões perdidas. Pedi ao mar que aprendesse a não mais naufragar, E às noites sem luar, que se vestissem de vidas. Quis colher astros nas árvores do destino, E beber na ausência o vinho da afeição. Mas o amor, esse mendigo peregrino, Deixou cinzas perfumando o coração. Ai de mim, que sonhei jardins sobre o deserto, E fiz do pranto um rosário de luar! Nunca percebi que o mais distante afeto Jamais se curva ao desejo de ficar. Hoje caminho entre sombras e saudades, Com as mãos vazias de promessas e de flor. Mas ainda acendo estrelas nas tempestades, Porque morrer de esperança é viver de amor. Se um dia Deus me perguntar por que sofri assim, Direi, sem mágoa, de joelhos aos Seus pés: — Eu apenas quis fazer do infinito o meu jardim… E amei com um coração maior do que a vida me fez. Marilândia

COSTURANDO 16 DE JULHO

Jô Tauil ______________________ Há contas exatas, mas não há desatino. E eu prefiro a vertigem ao cálculo frio, O abismo dourado onde teu nome é destino. Que importa se a razão me chama in_sensata Se é tua ausência quem governa o meu viver? Toda a prudência é cinza que se desfaz Quando teus olhos me ensinam a renascer. Amei-te sem mapas, sem astros, sem porto, Como ama o mar a lua in_alcançável, Como a rosa oferece o perfume ao vento Sem perguntar se o instante é durável. Se amar é perder-se, bendita a derrota, Pois só quem se perde encontra a eternidade. Meu coração fez do im_possível morada, E da saudade, um templo de claridade. Que a vida sorria dos meus desvarios: Nunca o amor coube nas mãos da razão. Ele é chama, é prece, é lágrima e delírio, E só vive inteiro no in_finito do coração. Marilândia

COSTURANDO 18 DE JULHO

Jô Tauil ______________________ Ardendo como astros que ninguém pode alcançar. Tua voz é o vinho que minha alma tanto ama, E em teus silêncios volto sempre a naufragar. Trazes nos olhos a noite e a madrugada, Misturando o infinito ao perfume da ilusão… Cada carícia é uma estrela desfolhada, Caindo, lenta, sobre o meu pobre coração. Se amar é perder-se, perdi-me por inteiro, Sem receio do abismo ou da dor que há de vir, Pois quem bebe do amor bebe um céu verdadeiro, Mesmo sabendo que também pode morrer. Somos dois vendavais beijando a mesma aurora, Dois rios sem margens buscando o mesmo mar… E o tempo, ciumento, nos separa hora a hora, Mas não consegue o nosso incêndio apagar. Que venha a saudade com seu manto de neblina, Ainda assim teu nome será minha oração, Porque o amor, quando é eterno, não termina: Transforma-se em eternidade dentro do coração. Marilândia

terça-feira, 14 de julho de 2026

COSTURANDO POESIA DIA 14 DE JULHO

"O amor colore nosso espaço com eróticas fantasias..." Jô Tauil _______________________________________ E veste a tarde em sedas de rubi e de luar... Nos teus olhos desfolham-se as mais doces alegrias, Como rosas que aprenderam, enfim, a suspirar. Teu sorriso é um jardim onde o meu sonho floresce, E a tua voz, uma harpa que embriaga o coração... Cada beijo é uma estrela que na minh'alma amanhece, Acendendo eternidades na fugaz contemplação. Somos dois peregrinos da mais secreta quimera, Dois perfumes confundidos na essência de uma flor... O tempo curva a fronte diante da primavera Que desabrocha in_finita sob o império do amor. Se o destino nos dispersa nas estradas do in_finito, Levarei teu nome escrito nas paredes do meu ser, Porque amar é transformar cada lágrima em um rito, Onde a dor aprende, humilde, a renascer e a viver. E, quando a noite estender seu negro e manso véu, Buscarei tua presença nas estrelas do silêncio, Pois teu amor fez da Terra um delicado céu, E da minha pobre alma o mais sagrado sacrário sombrio. Marilândia