terça-feira, 8 de setembro de 2026

5 de setembro

“Só nas minhas mãos não trouxe nada!” Jô Tauil ______________________ Trouxe no peito um mundo de ilusões, E uma saudade, em lágrimas banhada, A percorrer silêncios e canções. Trouxe o perfume de uma madrugada, E o fogo adormecido das paixões, Trouxe uma estrela em mim já apagada, E a sombra triste de antigas emoções. Deixei na estrada os sonhos que sonhava, As flores que colhi pelo caminho, E o beijo que jamais me encontrou. Só minha alma, cansada, ainda guardava Um resto de esperança, tão sozinho, Do amor que o próprio tempo sepultou. E quando a noite me beijou a face, Pedi-lhe apenas paz para o meu ser; Que o último desejo se calasse, E a dor aprendesse enfim a morrer. Mas fui embora… sem levar você. E descobri: era tudo o que eu queria ter. Marilândia

7 de setembro

“Cessando o inverno da minha metade” Jô Tauil _______________________ Veio a primavera beijar-me devagar, E eu, perdida em tanta saudade, Aprendi novamente a esperar. Havia sombras dormindo em meu peito, E lágrimas presas na solidão, Mas o amor, com seu jeito imperfeito, Trouxe flores à minha escuridão. Dei ao tempo as dores que guardei, Como quem entrega cinzas ao mar, E das ruínas que tanto chorei Nasceu um novo jeito de amar. Já não procuro o que foi perdido, Nem imploro ao passado um perdão, Pois todo sonho que foi ferido Também deixou luz no coração. Cessando o inverno, renasço inteira, Metade mulher, metade poesia, E descubro que a alma verdadeira Faz da própria noite o nascer do dia. Marilândia

6 de setembro

“Roubando da efemeridade momentos de eternidade” Jô Tauil ________________________ Vou semeando estrelas na sombra do meu caminho, E guardo em cada lágrima uma saudade, Como quem guarda um amor junto ao peito, sozinho. Há noites em que a alma, silenciosa, Procura no in_finito aquilo que perdeu, E encontra uma esperança dolorosa Nas cinzas de um sonho que não morreu. A vida passa breve, in_quieta e fria, Como ave que não aceita permanecer, Mas eu roubo ao tempo um pouco de poesia Para que o coração não tenha de morrer. Amo tudo aquilo que se torna im_possível, Os beijos que o destino não deixou nascer, E essa loucura doce, in_compreensível De querer para sempre o que vai des_aparecer. Se tudo é pó, se tudo o vento leva, Que fique ao menos este ardente sentimento: Pois enquanto a minha alma ainda sonha e se eleva, Transformo um breve instante em e_terno momento. Marilândia

COSTURANDO DIA 8 SETEMBRO

"Em outro lugar, um coração que valha ouro" Jô Tauil _______________________________________ Há de entender o pranto que em mim mora, E há de chegar, sem medo, ao meu tesouro, Quando esta alma cansada já não chora. Há de trazer nas mãos ternura e abrigo, E nos olhos a paz que tanto espero, Há de saber ser sonho e ser amigo, E amar-me como às vezes eu não quero. Não pedirei promessas nem juras vãs, Nem luas prateadas sobre o mar, Somente um coração das coisas sãs, Que saiba permanecer sem me deixar. Porque amar é mais que um doce instante, É ser presença quando a dor demora, É ter na alma um sol perseverante, Quando a esperança em silêncio vai embora. E se esse amor me encontrar por fim, Que venha sem alarde, sem rumor... Talvez o céu tenha guardado para mim Aquele ente que ainda trará todo o ardor. Marilândia

sábado, 5 de setembro de 2026

DIA 1 DE SETEMBRO

“E as lágrimas de água doce que o rio nos lavou.” Jô Tauil ____________________________ Misturaram-se aos beijos que o desejo nos roubou. Na febre dos teus braços, perdi-me sem temor, E a noite fez-se eterna no incêndio deste amor. Teu corpo junto ao meu era chama e tentação, E a lua, testemunha, guardava a nossa paixão. Em cada beijo teu, eu renascia inteira, Como flor que se entrega à luz da primavera. Teu olhar percorria meus segredos, devagar, E minhas mãos buscavam teu corpo para amar. Ah! Se o tempo pudesse deter-se nesse instante, Seria e_terno o sonho desse amor delirante. Teus lábios ainda vivem na memória dos meus, Como um doce pecado abençoado pelos céus. E quando a madrugada nos rouba do prazer, Fica em minha pele a vontade de te ter. Se o rio levou nossas lágrimas para o mar, Não levou o desejo que insiste em me chamar. Pois há amores que a distância não consegue apagar, E há beijos que, mesmo ausentes, continuam a queimar. Marilândia

dia 3 de setembro

“E as lágrimas de água doce que o rio nos lavou.” Jô Tauil ____________________________ Misturaram-se aos beijos que o desejo nos roubou. Na febre dos teus braços, perdi-me sem temor, E a noite fez-se eterna no incêndio deste amor. Teu corpo junto ao meu era chama e tentação, E a lua, testemunha, guardava a nossa paixão. Em cada beijo teu, eu renascia inteira, Como flor que se entrega à luz da primavera. Teu olhar percorria meus segredos, devagar, E minhas mãos buscavam teu corpo para amar. Ah! Se o tempo pudesse deter-se nesse instante, Seria e_terno o sonho desse amor delirante. Teus lábios ainda vivem na memória dos meus, Como um doce pecado abençoado pelos céus. E quando a madrugada nos rouba do prazer, Fica em minha pele a vontade de te ter. Se o rio levou nossas lágrimas para o mar, Não levou o desejo que insiste em me chamar. Pois há amores que a distância não consegue apagar, E há beijos que, mesmo ausentes, continuam a queimar. Marilândia

COSTURANDO DIA 2

“Ao pisar na terra vago sozinho, e à toa” Jô Tauil ______________________ Com os olhos perdidos na distância, Busco no céu a estrela que ressoa Na imensa solidão da minha infância. Caminho sem destino, alma cansada, Levando em mim um sonho adormecido, E a cada passo, triste e desolada, Procuro o amor que nunca foi perdido. Há flores pelo chão, mas não as vejo, Há cantos de esperança pelo ar, E eu sigo, acorrentada ao meu desejo, Sem saber onde o meu sonho vai parar. Talvez o amor me espere além do tempo, Num lugar onde a dor não tenha voz, Onde o coração, liberto do lamento, Encontre finalmente o brilho de nós. E quando a noite beijar meu caminho, Hei de encontrar, no silêncio profundo, A mão de um amor que, mansamente, Me faça pertencer de novo ao mundo. Marilândia