sábado, 18 de julho de 2026

COSTURANDO 15 DE JULHO

Jô Tauil _______________________ Fiz do meu peito um sacrário de ilusões perdidas. Pedi ao mar que aprendesse a não mais naufragar, E às noites sem luar, que se vestissem de vidas. Quis colher astros nas árvores do destino, E beber na ausência o vinho da afeição. Mas o amor, esse mendigo peregrino, Deixou cinzas perfumando o coração. Ai de mim, que sonhei jardins sobre o deserto, E fiz do pranto um rosário de luar! Nunca percebi que o mais distante afeto Jamais se curva ao desejo de ficar. Hoje caminho entre sombras e saudades, Com as mãos vazias de promessas e de flor. Mas ainda acendo estrelas nas tempestades, Porque morrer de esperança é viver de amor. Se um dia Deus me perguntar por que sofri assim, Direi, sem mágoa, de joelhos aos Seus pés: — Eu apenas quis fazer do infinito o meu jardim… E amei com um coração maior do que a vida me fez. Marilândia

COSTURANDO 16 DE JULHO

Jô Tauil ______________________ Há contas exatas, mas não há desatino. E eu prefiro a vertigem ao cálculo frio, O abismo dourado onde teu nome é destino. Que importa se a razão me chama in_sensata Se é tua ausência quem governa o meu viver? Toda a prudência é cinza que se desfaz Quando teus olhos me ensinam a renascer. Amei-te sem mapas, sem astros, sem porto, Como ama o mar a lua in_alcançável, Como a rosa oferece o perfume ao vento Sem perguntar se o instante é durável. Se amar é perder-se, bendita a derrota, Pois só quem se perde encontra a eternidade. Meu coração fez do im_possível morada, E da saudade, um templo de claridade. Que a vida sorria dos meus desvarios: Nunca o amor coube nas mãos da razão. Ele é chama, é prece, é lágrima e delírio, E só vive inteiro no in_finito do coração. Marilândia

COSTURANDO 18 DE JULHO

Jô Tauil ______________________ Ardendo como astros que ninguém pode alcançar. Tua voz é o vinho que minha alma tanto ama, E em teus silêncios volto sempre a naufragar. Trazes nos olhos a noite e a madrugada, Misturando o infinito ao perfume da ilusão… Cada carícia é uma estrela desfolhada, Caindo, lenta, sobre o meu pobre coração. Se amar é perder-se, perdi-me por inteiro, Sem receio do abismo ou da dor que há de vir, Pois quem bebe do amor bebe um céu verdadeiro, Mesmo sabendo que também pode morrer. Somos dois vendavais beijando a mesma aurora, Dois rios sem margens buscando o mesmo mar… E o tempo, ciumento, nos separa hora a hora, Mas não consegue o nosso incêndio apagar. Que venha a saudade com seu manto de neblina, Ainda assim teu nome será minha oração, Porque o amor, quando é eterno, não termina: Transforma-se em eternidade dentro do coração. Marilândia

terça-feira, 14 de julho de 2026

COSTURANDO POESIA DIA 14 DE JULHO

"O amor colore nosso espaço com eróticas fantasias..." Jô Tauil _______________________________________ E veste a tarde em sedas de rubi e de luar... Nos teus olhos desfolham-se as mais doces alegrias, Como rosas que aprenderam, enfim, a suspirar. Teu sorriso é um jardim onde o meu sonho floresce, E a tua voz, uma harpa que embriaga o coração... Cada beijo é uma estrela que na minh'alma amanhece, Acendendo eternidades na fugaz contemplação. Somos dois peregrinos da mais secreta quimera, Dois perfumes confundidos na essência de uma flor... O tempo curva a fronte diante da primavera Que desabrocha in_finita sob o império do amor. Se o destino nos dispersa nas estradas do in_finito, Levarei teu nome escrito nas paredes do meu ser, Porque amar é transformar cada lágrima em um rito, Onde a dor aprende, humilde, a renascer e a viver. E, quando a noite estender seu negro e manso véu, Buscarei tua presença nas estrelas do silêncio, Pois teu amor fez da Terra um delicado céu, E da minha pobre alma o mais sagrado sacrário sombrio. Marilândia

segunda-feira, 13 de julho de 2026

COSTURANDO 13 DE JULHO

“E que viver não passa de preparação” Jô Tauil _____________________ Para um jardim que o tempo não desfolha, Onde a saudade perde a sua mão, E a dor, enfim, em doce luz se banha. Trago no peito um céu de despedidas, E um mar de sonhos que não naufragou… As esperanças, tantas vezes feridas, São aves que o infinito libertou. Se a noite veste o mundo de tristeza, Acendo estrelas com o meu sofrer; Pois cada lágrima, em sua delicadeza, É uma semente oculta do viver. Não temo o fim, mas a beleza ausente De um coração que nunca soube amar… Prefiro a chama breve e transparente Ao gelo eterno de não se entregar. Quando eu partir, que o vento me conduza À paz que sempre procurei alcançar, Pois toda alma que o Amor eterniza Nasce outra vez… apenas para amar. Marilândia

domingo, 12 de julho de 2026

COSTURANDO DIA 12 DE JULHO

Jô Tauil __________________________ Mas em meu peito a tarde veste um lilás de agonia… Há sinos a dobrar por esquecidos verões, E um crepúsculo antigo desfalece em nostalgia. Trago nas mãos o pó das ilusões desfeitas, Como quem colhe cinzas onde esperava flores… As horas, lentamente, em procissões perfeitas, Vão sepultando os sonhos sob mantos de dores. Ó Amor, peregrino das estradas do im_possível Por que pousaste em mim tuas asas de luar? Fizeste do meu peito um sacrário in_visível E partiste, deixando apenas o teu faiscar… Agora beijo a noite como se fosse irmã, E converso com astros de olhar silencioso… Cada estrela me empresta um pouco da manhã, Que não chega jamais ao meu jardim saudoso. Contudo, se um dia voltares, docemente, Encontrarás em mim a mesma flor rendida: A que morreu mil vezes, mas guardou, paciente, A estranha eternidade de quem amou a vida. Marilândia

sábado, 11 de julho de 2026

COSTURANDO 11 DE JULHO

Jô Tauil ________________________ Das cinzas frias das tardes vencidas, como quem veste o silêncio de estrelas e faz do pranto um jardim de partidas. Erguia-nos a esperança, delicada, qual lírio branco beijando o luar; e a alma, de saudade iluminada, aprendia novamente a sonhar. Se a vida nos rasgava as vestes puras, bordávamos constelações na dor; fazíamos das noites mais escuras um relicário aceso pelo amor. Porque há destinos feitos de renascimentos, como aves que desafiam o infinito; e os ventos, com seus ásperos lamentos, não calam o coração quando é bendito. Sempre… Sempre nos erguia! E, afinal, até a ausência se curvava à luz; pois quem ama transforma o temporal na eterna primavera que seduz. Marilândia