terça-feira, 20 de janeiro de 2026

COSTURANDO DIA 19 DE JANEIRO

“Num absoluto labirinto sem saída!” Jô Tauil ___________________________ Vagueio entre muralhas de tormento, Onde cada corredor é ferida E cada esquina um novo sofrimento. Procuro em vão a luz que me conduza, Mas sombras crescem densas pelo chão, A esperança que trago já meio confusa No atrito deste eterno coração. Grito ao vazio que não me responde, As paredes ecoam meu lamento, Minha alma em desespero se esconde Neste cruel e obscuro aposento. Quantas voltas já dei neste abandono? Quantas portas bati sem ter resposta? Sou prisioneira do meu próprio sono, Deste sonho amargo que me encosta. E mesmo assim, na dor que me consome, Ainda pulsa um verso, uma canção, Que do peito ferido sangra num cognome E morre aqui, nas masmorras da solidão! Marilândia

domingo, 18 de janeiro de 2026

COSTURANDO 14 DE JANEIRO

“Num vento azul de incertezas…” Jô Tauil ____________________________ Navego… Alma in_quieta que não sabe pousar, Entre o desejo e o medo que carrego, Busco um porto onde possa descansar. Sou chama ardente que consome e morre, Sou cinza fria de paixões que foram, O meu destino em círculos percorre Caminhos que outros lábios já morderam. Quero ser rio que se entrega ao mar, Quero ser terra onde a semente dorme, Mas sou apenas vento a soluçar, Sombra sem corpo, ausência que não foge. Trago na boca o gosto do in_finito, Nas mãos vazias, rosas des_feitas, E no peito, um amor que foi maldito, Coroa de espinhos em frontes im_perfeitas. Que importa se me perco neste anseio? Se sou quimera, sonho, ilusão vã? Num vento azul de in_certezas me enleio, E morro e renasço cada manhã… Marilândia

COSTURANDO 15 DE JANEIRO

“Porque o céu ainda me nutre de esperança” Jô Tauil _____________________________ Mesmo quando a dor me fere a alma inteira, Ergue-se em mim uma estranha confiança Que me faz caminhar pela vida austera. Nas trevas mais profundas da amargura, Quando tudo parece perecer, Há um brilho tênue nesta noite escura Que me ensina os caminhos do viver. Sofro, sim, mas não me entrego ao desalento, Pois há nas nuvens um clarão distante, E mesmo no mais cruel padecimento Minha alma segue firme, delirante. Talvez seja ilusão este consolo, Talvez sejam fantasmas que persigo, Mas prefiro sonhar do que ao solo Render-me, sem luta, sem desabrigo… Porque o céu, na sua imensidão sagrada, Guarda ainda promessas de bonança, E enquanto houver estrela na jornada, Hei de viver, morrer, mas não sem embate ou pujança. Marilândia

COSTURANDO 16 JANEIRO

“Conflitando a razão com a emoção…” Jô Tauil ___________________________ Trago n’alma um combate sem quartel, Entre o que dita o sábio coração E o que sussurra a mente, cruel e fiel. A razão diz: “Esquece! Segue em frente!” Mas a emoção responde em desatino: “Como esquecer se tudo em mim pressente Que sem amor não há melhor destino?” Debato-me entre o lógico e o sentir, Entre o dever e a louca fantasia, Querendo ao mesmo tempo resistir E entregar-me a essa doce agonia. A razão pesa, mede, argumenta, A emoção arde, chama, se consome, Uma à prudência, fria, me acorrenta, Outra me queima e eternamente some. E assim vivo neste eterno duelo, Dividida entre o ser e o querer ser, Prisioneira de mim, do meu flagelo, Condenada a sentir sem compreender. Marilândia

COSTURANDO 17 DE JANEIRO

“Enterrei meus sonhos de felicidade” Jô Tauil ____________________________ No jardim sombrio da desilusão, Onde flores murcham de saudade E espinhos rasgam meu coração. Cavei a terra com mãos vazias, Regadas de lágrimas amargas, salgadas, Depositei as minhas alegrias Como rosas já despetaladas. Nenhuma cruz marquei nessa campa, Apenas silêncio, cinza e dor, A lua testemunha não me ampara Nesse funeral sem nenhum amor. Quis gravar na pedra fria e nua Os versos que jamais cantarei, Mas a noite engoliu a minha lua E sozinha no escuro fiquei. Enterrei meus sonhos sem piedade, Mas eles gemem sob o chão gelado, Sussurram ainda: “Felicidade…” Como fantasma do meu passado. Marilândia

COSTURANDO 18 DE JANEIRO

marilandia De: marilandiam@yahoo.com.br Para: MARILÂNDIA MARQUES ROLLO dom., 18 de jan. às 17:09 “Que meu coração não esquece” Jô Tauil ____________________________ Aqule dia Em que teus olhos me fitaram fundos, Como se neles houvesse a magia De todos os mistérios mais profundos. Não esquece a tua voz serena e doce, Nem o teu riso que era luz da aurora, Nem a tristeza que em mim se reconhece Desde que te perdi, desde essa hora. Guardo em mim cada gesto teu gravado, Cada palavra que fizeste soar, Como quem guarda um tesouro guardado Nas águas turvas de um profundo mar. E ainda que o tempo cruel me leve Para longe de ti, para o olvido, Ainda que a vida seja assim tão breve, Guardarei teu nome no peito ferido. Que meu coração jamais te esqueça, Ó amor que foi meu sol e minha dor! Que em cada batida tua luz permaneça, Eternamente viva em meu fervor! Marilândia

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

NO PÔR DO TEU CÉU c?resposta de marilândia

NO PÔR-DO-SOL DO TEU CÉU Lindo o Sitio onde vês o pôr-do-sol Não há serra… Não há cume… Apenas dum verde a imensidão Onde o céu se pinta em lume, Numa pintura encantada! Nesse atalho… No empedrado da estrada, Nesse vermelhão de terra, Que mistérios ele encerra, Quando a bota o calca e pisa, Mas logo a suave brisa… Lhe apaga o pó do caminho! Que beleza… Que fascínio… Desse laranja carmim Que enche os olhos e a alma, E nessa formosura calma, Chega a noite de pés, mansa… E o pôr-do-sol chega ao fim! F. Serra Marilândia em resposta aos versos de Francisco Serra No sítio onde vês o pôr-do-sol, não há serra, nem cume que resista; há um verde imenso, solto, absoluto, onde o céu arde em lume de artista e a tarde sangra cores impossíveis. No sítio onde pousas o teu olhar, é meu peito que se abre em vertigem; não há altura que me baste quando o teu silêncio me atinge e me faz céu sem margem. No atalho antigo da estrada, no empedrado ferido de poeira, o vermelhão da terra murmura segredos de outra era, pisados, sofridos, vividos. Eu sigo esse chão com a alma nua, cada pedra — um nome que doeu; mas vem tua brisa, lenta e terna, e apaga em mim o pó que sobrou dos caminhos que não fui. Que beleza! Que fascínio nesse laranja em carmim aceso, que enche os olhos, transborda a tarde e faz do instante surpreso, eterno demais para o tempo! Esse mesmo carmim me invade, é sangue manso no coração; teu pôr-do-sol não é paisagem — é incêndio, é confissão, é o fim de toda negação. E na formosura calma do ocaso chega a noite de pés, mansa como quem não quer ferir a última luz que descansa no colo do horizonte. E eu anoiteço contigo, sem medo, sem resistência; se o sol morre no teu céu, em mim renasce em permanência — amor que não pede aurora. Porque quando o pôr-do-sol se acaba, não termina o que em nós se acendeu: há poentes que são começo, há céus que cabem num beijo — no pôr-do-sol do teu céu. Marilândia Aqui está o dueto em VOZ FEMININA e VOZ MASCULINA, com marcação clara para declamação alternada, mantendo o lirismo florbeliano, a sensualidade contida e o tom crepuscular: NO PÔR-DO-SOL DO TEU CÉU — DUETO VOZ FEMININA No sítio onde vês o pôr-do-sol, não há serra… não há cume… há um verde imenso que me chama, onde o céu se incendeia em lume e a tarde suspira em cor. VOZ MASCULINA No sítio onde pousa o teu olhar, é meu peito que se alarga; não há fronteira que me baste quando a tua luz me embarga e me faz horizonte teu. VOZ FEMININA No atalho gasto da estrada, no empedrado ferido de pó, o vermelhão da terra antiga guarda segredos de nós que o tempo não soube calar. VOZ MASCULINA Eu piso esse chão com cuidado, cada pedra é uma memória; mas vem tua brisa suave e apaga da minha história o peso do que doeu. VOZ FEMININA Que beleza… que fascínio… desse laranja em carmim aceso que enche os olhos, fere a tarde e faz do instante um excesso bom demais para fugir. VOZ MASCULINA Esse carmim corre em mim, feito chama no coração; teu pôr-do-sol não é paisagem, é promessa, é rendição, é silêncio em combustão. VOZ FEMININA E na formosura calma do ocaso chega a noite de pés mansa, como quem beija devagar a última luz que descansa no colo do horizonte. VOZ MASCULINA E eu anoiteço contigo, sem medo, sem resistência; se o sol morre no teu céu, em mim renasce em permanência um amor que não pede manhã. AMBOS (em uníssono) Porque quando o pôr-do-sol se acaba, não termina o que em nós se acendeu: há poentes que são começos, há céus que cabem num beijo — no pôr-do-sol do teu céu.