21 de março 2026
___________________________ Que me ferem sem sangue, sem rumor, São as horas por ti não esperadas, O silêncio vestido de rancor. Sou a chama que morre abandonada, O jardim que ninguém mais quer colher, A palavra no ar — desabitada — E o nome que esqueceste de dizer. Que adianta ser bela, ser ardente, Se o teu olhar me passa indiferente Como vento que ignora a própria flor? Sou rainha de um reino que não existe, Mendiga de um amor que só persiste No fundo pobre e vão do meu clamor. Cada dia que passa é uma ferida, Cada noite um punhal que entra devagar, E eu, sempre eu — tão louca, tão perdida — A amar quem nunca soube me olhar. Arde em mim essa chama divina: Ser toda dor — e ainda assim, menina. Marilândia

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