21 DE ABRIL
Jô Tauil ________________________ Carrego o mundo inteiro numa dor, Sou a alma que grita e que inquieta, Assemelha-se ao espinho fundo, não a flor. Vivo presa em mim como uma fera, Que ruge e sangra e não se cala mais, Fui criada para a primavera E nasci apenas entre os glaciais. Que importa que me chamem de vencida? Eu sou a chama que não quer se apagar, Sou a mulher que quis viver sua vida E teve de morrer para sonhar. Beijo a lua e abraço o vento frio, Falo com as estrelas minha angústia, Tenho nos versos todo o meu desvio, Toda a minh’alma torta, louca e austera. E quando a noite cobre o meu tormento, Escrevo ainda — com o peito em brasa — Pois a poesia é meu único alento, E a loucura, minha única casa. Marilândia

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