domingo, 17 de maio de 2026

1 de abril

“Sonhos mortos, lavados e levados com sutileza” Jô Tauil ___________________________ Como pétalas que o vento arranca sem piedade, Fui tecendo de sombra e de beleza Os véus dourados da minha mocidade. Quis amar o impossível, quis ser toda — Ser o mar, ser a luz, ser o infinito — Mas a vida fechou-se porta a porta E restou-me este fundo de granito. Sou mulher e sou noite e sou lamento, Sou a voz que se perde no horizonte, Carrego nos pulsos o peso do tormento E bebo a própria dor como uma fonte. Que importa se os sonhos se desfizeram? Ainda tenho este peito que arde e chora, Ainda sangram as flores que morreram Nesta alma que o mundo nunca aflora. Morri tantas vezes que já sei morrer — E ainda assim, teimosa, volto à vida, Pois sou feita do anseio de viver E da dor mais perfeita e mais querida. Marilândia

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