17 de abril
______________________ Vaguei por labirintos que ninguém mais percorreu, Carregando nos ombros toda a minha perdição, Num mundo que sorriu — e depois me esqueceu. Sou feita de silêncio e de noites sem estrela, De mãos que se estendem e não tocam ninguém, De uma alma que grita dentro de uma janela Fechada para a vida e para o que ela contém. Que importa se o amor passou como a brisa fria? Que importa se os meus olhos já não sabem chorar? Eu sou toda a saudade, toda a melancolia, Uma vela que teima em não se apagar. Fui rainha de um reino que não tinha fronteira, Mendiga de um afeto que jamais encontrei, Andei por esta vida como quem não a espera, E perdi-me em mim mesma — e assim fiquei. Desabitada, sim — mas cheia de quem fui, De sonhos que morreram antes de florescer, Sou tudo quanto amei e tudo quanto fugi: Uma mulher que aprendeu a sobreviver sem viver. Marilândia

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