28 DE MAIO
“Hoje cato de mim caco a caco” Jô Tauil _______________________ recolho os meus pedaços pelo chão, sou eu mesma o espelho que eu destaco e a mão que apanha a própria destruição. Fui inteira uma vez — talvez num sonho — antes de me perder em tanto amor, agora sou este torpe abandono, este canto partido e sem calor. Procuro-me nos olhos que me viram, nas bocas que um dia me chamaram bela, nas vozes que me amaram e partiram levando cada sílaba da cancela. Mas junto os cacos, coso-os com os dedos, faço de mim uma outra donzela guardo nos olhos os últimos segredos e sou, partida, a mais inteira dela. Marilândia

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