29 DE MAIO
“Aceitando os frutos verdes que colhemos” Jô Tauil ___________________________ Como quem beija espinhos por amor, seguimos pela estrada onde colhemos as rosas sem perfume e sem fulgor. Teus olhos têm névoas de outono, e os meus, luas cansadas de esperar; há um sino triste em cada sonho tocando eternamente sobre o mar. Aceitamos a dor como se fosse um vinho antigo em taças de cristal, e o beijo que nasce da nossa fome morre em nossa boca, desigual. Às vezes penso: amar é ter nas mãos um pássaro ferido a estremecer, é querer transformar em primavera o inverno que insiste em florescer. Mas mesmo entre ruínas e silêncios, eu guardo a tua sombra em meu jardim; pois há frutos amargos que alimentam a alma que nasce para o sem-fim. E se a vida nos dá tão pouca aurora, fazemos do crepúsculo um altar; aceitando os frutos verdes da hora, aprendemos chorando a nos amar. Marilândia

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