quinta-feira, 11 de junho de 2026

3 DE JUNHO

“ E nossas bocas se reconheçam — “cromo-somos” Jô Tauil _____________________ Fios da herança , pigmentos e destinos, tintas que sangram nos pergaminhos finos de dois corpos que se aconchegam e tecem. Sou feita do teu nome que me atravessa, do azul que há nos teus olhos, peregrino, és tu o tom mais fundo, mais divino, que a minha alma há tanto tempo vê promessa. Reconheço-te no vermelho do entardecer, no ocre que cobre as pedras do caminho — somos cor que anseia por se dissolver. Tuas mãos, pincel do meu viver, traçam na minha pele o seu carinho, e juntos somos um só amanhecer. Ah, mas o amor é assim — tão breve e tanto! Como a aquarela que a chuva desfaz, corremos juntos para o mesmo pranto, buscando a cor que o tempo nunca traz. E nossas bocas se reconheçam — até que a última cor em nós se faça. Marilândia

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