31 DE MAIO
“Vira fumaça e promessa aguardada” Jô Tauil ________________________ O sonho que guardei no coração, Tão frágil como a luz da madrugada Que foge antes da primeira oração. Fui eu quem quis acreditar demais, Fui eu quem deu ao vento o que era meu, E agora busco em cinzas o que há De tudo aquilo que um dia floresceu. Ah, que loucura a de se amar assim! Entregue, toda, sem guardar um véu, Sem perguntar se tinha lá um fim Esse caminho que nos dois perdeu. Sou a mulher que aguarda e que padece, Que bebe o fel e chama o fel de mel, Que chora quando a noite a envolve e cresce E ainda sorri ao sol mais cruel. Mas sou também a chama que não morre, O grito mudo que o silêncio abriga, A alma que desaba e se socorre No verso eterno que a si mesma intriga. Marilândia

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