5 DE JUNHO
“Ainda que essa espera não passe de quimera.” Jô Tauil ________________________ Guardo-a em meu peito como a mais doce flor; É sonho que me embala à luz da primavera, É sombra perfumada a murmurar amor. Nas tardes sem destino em que a saudade chora, Escuto os teus passos no silêncio do além; E a alma, que te busca e te deseja agora, Faz dos astros distantes caminhos para o bem. Talvez nunca regresses dos jardins encantados Onde os anjos adormecem sobre lírios de luar; Mas os meus pobres olhos, de prantos orvalhados, Continuam, noite adentro, a tua imagem chamar. Porque amar é seguir por estradas impossíveis, Colhendo rosas brancas entre espinhos fatais; É transformar ausências em presenças sensíveis, E encontrar infinitos nos instantes mais banais. Por isso espero ainda, entre névoas e cansaços, Como espera a sereia pelo canto do mar; E levo o teu fantasma preso aos meus abraços, Como quem leva um sonho que não quer despertar. Se a quimera é mentira, bendita seja então: Pois vive dela apenas meu pobre coração. Marilândia

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