4 DE JUNHO
“Que quando quisermos serão desarquivados…” Jô Tauil ________________________ Quais sonhos que deixamos pelos velhos caminhos, Guardados em gavetas de silêncios dourados, Como cartas de amor esquecidas nos ninhos. Voltarão a cantar nas tardes de luar, Com a voz das saudades que nunca envelheceram, E as rosas que julgamos mortas no pomar Abrirão seus perfumes onde as dores viveram. Haverá no crepúsculo um clarão de esperança, Uma estrela a velar os passos da lembrança, E um rumor de violinos na distância sem fim. Então, meu coração, cansado de esperar, Há de beber a luz que vem do teu olhar Como quem bebe o céu num jardim de jasmim. Porque nada se perde quando o amor é profundo, Nem o beijo suspenso entre a sombra e o segundo, Nem a lágrima antiga que brilhou por alguém. Tudo fica a dormir nos arquivos da alma, Até que a nossa mão, suave, doce e calma, Descerre o seu segredo e o faça viver além. Marilândia

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