sexta-feira, 15 de maio de 2026

26 DE MARÇO 2026

Jô Tauil ______________________ E ficou a noite, funda, a transbordar de escuridão, Nem um rastro de luz, nem uma consolação, Só o eco do que foi, do que o silêncio devorou. Fui chama, fui calor, fui toda vibração, Ardia como quem ama e nunca se entregou, Mas a vida, essa senhora, tudo me roubou, E deixou só cinza fria no lugar do coração. Que é feito do teu nome que eu gravei no vento? Que é feito do teu rosto, do teu vulto lento Que eu seguia nos caminhos onde a sombra mora? Sou a flor que não floriu, sou o verso incompleto, Sou o grito engolido, sou o último segredo, Sou a chama que se apaga — e que ninguém chora. Resta-me este silêncio que me cobre toda, E uma saudade estranha, triste, que me devora, Como se eu fosse sempre a festa e nunca a hora, Como se o mundo inteiro me esquecesse semimorta. Marilândia

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