MAIO 2026
Jô Tauil _________________________ E o silêncio veio, frio, como lâmina a ferir. Fui rainha de um reino que aprendi a construir, E agora sou apenas sombra — vã, translucente. Busquei em cada verso um amor que fosse ardente, Mas o que encontrei foi cinza, pó, e um longo abrir De portas que dão para o nada — e ao partir, Descobri que a dor também é estranhamente quente. Fui mulher de todos os ventos, de toda a angústia nua, Carrego nas mãos abertas a ferida da lua E nos lábios, o gosto amargo de ter sonhado demais. Que me importa o mundo se o mundo não me pertence? Sou chama que arde sozinha, que treme, que fenece. Minha essência evaporou — e transbordou cinza e paz. Marilândia

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