MARÇO 2026
Jô Tauil ____________________________ Eis que a alma, quando quer, rompe as grades do mal — assim como a rosa, entre pedras, triunfal, abre seu perfume ao mundo inalterável. Fui sombra, fui chuva, fui noite interminável, carreguei nos pulsos o peso sideral; mas hoje desperto — nua,clara, auroral — para um amor que a dor torna inesquecível. Ah, Deus! Que fiz de mim nessas horas perdidas? Chorei — e cada lágrima, ao cair, acendida, virou luz nos caminhos que eu não via mais. Creio que há graça oculta nas feridas, que a beleza mais alta é a mais sofrida, e que a alma que sangrou encontra enfim a paz. Sou feita de desejo e de abandono, de sonhos que morreram num outono e voltaram em flor no amanhecer — Porém, sei:a dor que me curvou ao chão foi apenas a mão que, com perdão, me ensinou a existir em vez de padecer. Marilândia

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