23 DE JANEIRO 2026
Jô Tauil ______________________________ Contra o vidro frágil do meu peito em dor, E os dias passarão como sombras ligeiras Levando nos seus braços o que resta de amor. Serei a que caminha pelas sendas desertas Colhendo nos espinhos o sangue do sofrer, Com mãos vazias, sempre, e as feridas abertas Buscando o impossível que não há de volver. Minha alma é um jardim de rosas já murchadas Onde o vento espalha pétalas sem perdão, São cinzas as canções que foram murmuradas No altar silencioso da minha solidão. E hei de erguer-me altiva mesmo na agonia, Vestida de luar e de melancolia, Bebendo até ao fim o cálice do pranto, Sabendo que sou rainha no meu desencanto… Que trago no meu seio uma chama infinita Ainda que a vida inteira me negue e me excita, Serei sempre a mulher de sonhos constelada, A eterna, a sedenta, a nunca saciada. Marilândia

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