sexta-feira, 15 de maio de 2026

20 DE FEVEREIRO

Jô Tauil ________________________ Era preciso que eu me despisse da alma, Que rasgasse por dentro aquela calma Fingida, e o meu silêncio com tanto assombro… Era preciso ser a que se afronta Com o espelho cruel, sem qualquer vivalma, A que chora sozinha e não se acalma, A que arde e não sabe o que desponta… Que eu fosse nua — não de carne apenas — Mas nua de ilusões, de cenas vãs, De tudo quanto finge e não se entrega. E tu viesses assim, cheio de penas, Mas o encontro não veio — ficou suspenso Entre o que eu quis dizer e o que calei, Entre a mulher que fui e a que inventei, Perdida nesse abismo negro e tão intenso. Marilândia

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