sexta-feira, 15 de maio de 2026

COSTURANDO 21 DE FEVEREIRO

Jô Tauil ________________________ Sou o perfume eterno de uma flor que já morreu, O eco de uma voz que o vento dispersou e não voltou, A sombra de um amor que nunca se completou. Sou feita de silêncios e de noites estreladas, De beijos não colhidos e de mãos desamparadas, Carrego nos meus olhos todo o pranto do universo, E no peito, um jardim de angústia — meu verso. Que importa se me perco neste mar sem horizonte? Que importa se a minha alma é uma ferida aberta? Sou princesa e mendiga, sou rainha e sou serva, Sou a dor que se inflama e a cinza que se reserva. Quisera ser o sol que a tudo aquece e ilumina, Mas sou apenas brasa sob a noite cristalina, Centelha que se apaga antes de tocar a aurora, Mulher que ama demais e que por isso sempre chora. Ah, vida, que és tu senão esta chama que vacila? Que és tu senão a sombra daquilo que nos falta? Corola de claridade numa chama apagada — Sou tudo e nada, nada — e nesse nada, não mais que desolada. Marilândia

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