8 DE JUNHO
“No mesmo desejo de brilhar além dos montes” Jô Tauil __________________________ Vou derramando sonhos pelas frias fontes, Como quem busca, em céus de seda e de luar, A estrela impossível que nasceu para amar. Levo nos olhos a névoa das madrugadas, E nas mãos, rosas de esperanças perfumadas; Mas cada rosa traz um espinho escondido, Como um amor que vive e morre em seu gemido. Ando perdida entre quimeras e lembranças, Vestindo a sombra delicada das distâncias; E, ainda assim, guardo no peito uma canção Que faz do pranto um rio de iluminação. Se o mundo é breve, como a flor que o vento leva, Que importa a noite, o frio, a dor, a treva? Há dentro de mim um clarão sempre aceso, Um sonho dourado, inquieto e indefeso. E quando a vida fechar seus velhos portões, Abrirei asas sobre todas as paixões; Pois quem amou com a alma inteira e sem receio Faz do infinito o derradeiro devaneio. Marilândia

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