sábado, 16 de maio de 2026

20 de abril

Jô Tauil ______________________ Teço de dor o meu bordado cristalino, Colho da noite o seu segredo repentino E danço nua com a melancolia. Bebo o silêncio como quem sabia Que o amor é chama e é peregrino, Que o coração, selvagem e divino, Sangra de luz e ainda assim sorria. Sou feita de tormenta e de anseio, De bocas que não beijo e que receio, De asas que não voam mas que existem. Faço da mágoa o mais belo poema, Da solidão o meu eterno tema, E dos meus mortos aqueles que me assistem. Aproveito a vida — e ela me chama, Aproveito o verso — e ele me inflama, Aproveito a dor — e dela faço fama, Aproveito o amor que se derrama. Sou poeta. Sou mulher. Sou chama. E só existo porque o verso me proclama. Marilândia

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