sábado, 16 de maio de 2026

6 DE MAIO

Jô Tauil _______________________ Navego entre palavras que ninguém sabe ler, Sou o verso perdido que teima em nascer E morre antes da aurora, distante de mim. Que barco sou eu, feita de sombra e de mel, Que parte sem destino e parte sem saber Se o mar que me sustenta me há de beber Ou deixar meu naufrágio em paz no fundo do céu. Há dentro de mim noites que nunca tiveram luar, Há dentro de mim gritos que nunca souberam gritar, Há sede de um amor que não cabe em nenhum olhar. E sou assim — ardente, sozinha e serena — A rainha de um reino que é feito de pena, Imperatriz de dor, de sonho e de mar. Fui feita de ânsias que o vento não guarda, De beijos que o tempo não soube guardar, De versos que ardem e nunca se calam — Presa entre ânsias que o tempo não sabe apagar. Marilândia

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