18 DE MARÇO
Jô Tauil ___________________________ Volto a ti como a noite volta ao luar, Com a sede antiga dos meus olhos mornos E com a dor que só tu sabes curar. Fiz de mim cinza, fiz de mim silêncio, Rasguei a alma como se rasga um véu, E ainda assim, nesse regresso intenso, Teu nome é o único que sobe ao céu. Que maldição é esta que me prende A um amor que queima e não aquece? Que sortilégio é o que me suspende Entre o que foi e o que nunca acontece? Sou a mulher que volta e que se perde, Que morre em flor e nasce noutra dor, Que chora o pão do amor quando ele é o cerne E o chora mais quando já não tem sabor. Mas volta, volta — que eu sou toda tua, Sou teu tormento e sou teu porto-abrigo, Sou a sombra febril que te segue nua, Nesse amor desassossegado que carrego comigo. Marilândia

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