sábado, 16 de maio de 2026

8 DE MAIO

Jô Tauil ______________________ Só silêncio maduro entre as flores abertas, E a alma que sonhou com eternidades Acorda entre janelas sempre incertas. Fui ao jardim buscar o que era meu, Mas as rosas sangravam devagar, E tudo o que em mim um dia floresceu Voltou ao chão, sem nome, sem lugar. Sou feita de verões que nunca vêm, De outonos prometidos e partidos, De mãos que procuraram sempre alguém E só tocaram ventos esquecidos. Que vale a luz se a luz não me aquece? Que vale o amor se o amor não me vê? A primavera passa, a vida embranquece E eu fico — sempre eu — à espera dum porquê… Há uma dor que não tem estação, Que floresce no inverno e no calor, É a dor de ser inteira numa prisão, De ser demasiada para a dor.​​​​​​​​​​​​​​​​ Marilândia

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