22 DE ABRIL
“E procuro ver beleza onde ela não existe” Jô Tauil __________________________ No rosto cinza da cidadela que adormece, No olhar vazio de quem passa e some, Na ferida aberta que dói e que não cessa. Sou aquela que beija a pedra do caminho, Que abraça o espinho antes de colher a rosa, Que faz do silêncio um cântico mais belo, E chama de luz a sombra mais sombria e fria. Procuro o sublime no vulgar e no banal, No pó que se levanta quando o vento passa, Na lágrima salgada que o desgosto traça, No amor que se desfaz como um cristal. Sou feita de miragens e de ansiedade, De sonhos que se partem antes do amanhecer, Mas teimo em ver a graça no que vai morrer, E chamo de eterno o que é só saudade. E assim caminho, louca, bela e perdida, Tecendo luz nas horas mais escuras, Porque a beleza mora nas fissuras — E eu sou a fissura. Eu sou a vida. Marilândia

0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial