COSTURANDO DIA 25 MAIO
“Do reino que minha serenata queria inaugurar” nasciam luas de cetim sobre o teu nome, e a noite, em véus de sombra e de luar, bebia o sal secreto dos meus sonhos. Havia lírios mortos em meu peito, e um perfume de adeus pelas varandas; teus olhos eram fonte e eram deserto, meus passos, aves trêmulas e brandas. Eu te esperei nas torres do silêncio, com rosas negras presas nos cabelos, enquanto o vento, em lúgubre cadência, despetalava estrelas pelos dedos. Amar-te foi um vinho dolorido, taça febril de febres e agonias; meu coração, palácio consumido, ardia em ouro, incenso e maresias. Mas tu passaste, sombra entre ciprestes, sem recolher meu canto adormecido; e eu fiquei — flor de névoa entre tempestes — viúva eterna de um amor não vivido.5

0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial