9 DE FEVEREIRO
Vivem segredos que o peito guarda a sete chaves, As palavras morrem antes de nascer, tão suaves, E a alma sangra em versos que ninguém mais vê… No fundo dos meus olhos há um mar de desenganos, Onde naufragam sonhos que nem cheguei a sonhar, E as lágrimas que choro são do que não pude amar, Das flores que murcharam nos jardins dos meus enganos. Eu trago em mim a dor de todas as despedidas, O gosto amargo e doce de paixões que não vivi, Sou feita de silêncios, de tudo o que não disse, enfim, De todas as loucuras que guardei des_conhecidas. Minha boca cala aquilo que meu coração grita, E nas noites sem lua, quando o mundo adormece, Minha alma nua dança e chora e se estremece, Com a música secreta que dentro de mim toca… Se pudesse dizer tudo quanto em mim arde, Se a voz fosse tão funda quanto é fundo o meu penar, Talvez o mundo inteiro parasse para me escutar, Mas o silêncio é eterno, e a palavra talvez retarde. E assim vou pela vida, num perpétuo desconsolo, Calando o que me mata, morrendo devagar, Entre sombras e lágrimas que ninguém há de encontrar… Marilândia

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