22 DE FEVEREIRO
____________________________ Que beija a própria ferida e chama a dor de poema, Que encontra na clausura a mais perfeita das moradas E quer de volta as correntes que já tinham se despedaçado. Sou feita de contradições e medos disfarçados, De noites que me vencem e de dias mal passados, De um amor que me consome como brasa em carne viva, De um beijo que me mata e ao mesmo tempo me cativa. Minha alma é uma chama que queima quem a toca, Meu coração um verso que treme e que sufoca, Sou a rainha presa no palácio do tormento, A princesa que encontra beleza no lamento. Ofereço minha sede ao deserto que me nega, Abro os braços ao vendaval que me carrega, Pois sou feita desta estranha e louca pertinência De amar mais aquilo que me causa a penitência. Sou livre e encarcerada, sou cinza e sou labareda, Sou o grito que não soa, sou a flor que ninguém veda, Escrava de mim mesma —soberana do meu pranto — Alforriada em corpo, mas acorrentada num recanto. Marilândia

0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial