29 DE MARÇO
——————————————— Perdi o fio que me prendia ao mundo, E agora flutuo num silêncio profundo Como quem nunca soube o que quis nem o que foi. Sou a névoa que passa e não se vê, O eco de uma voz que ninguém ouve, A chuva que cai fina e que não move Nem a folha que dorme à beira do não-sei. Cansei de tanto amar o que não fica, De guardar nas mãos o que é só vento, De transformar em verso cada tormento E chamar de beleza o que me sufoca. Há noites em que sou todas as noites, Em que sou toda a dor que já existiu, Em que o meu coração, que tanto abriu, Fecha-se em si, cheio dos seus açoites. Talvez eu seja apenas o cansaço De uma alma que quis demais e não soube, Que em cada adeus que veio e que não coube Ficou um pouco menos — traço a traço. Marilândia

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