sábado, 16 de maio de 2026

19 DE FEVEREIRO

Queimo as cartas que escrevi ontem, Rasgo os sonhos que já não me servem, Enquanto as horas mortas em cinzas se convertem… E o vento leva o que o amor contém. Desfaço o leito onde o pranto dorme, Apago os nomes gravados na memória, Que importa a dor, que importa a velha história, Se a alma ainda pulsa e se transforma? Sou eu — sozinha — diante do horizonte, Com mãos abertas e o peito nu de mágoas, Bebendo a vida como quem bebe as parábolas. Quem tem a sede profunda de uma fonte. Que venha tudo — o sol, a chuva, o vento! Que venham noites cruas e manhãs! Sou feita de relíquias e de talismãs… De cada fim nasce um novo alento. Refaço-me do barro e da saudade, Das cinzas ergo altiva a minha chama… Recomeçar é o mais belo melodrama De quem ainda sangra, mas não proclama. Marilândia

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