domingo, 4 de outubro de 2026

COSTURANDO POESIA 4 DE OUTUBRO

"Ainda penso que eles anunciam a tua chegada..." Jô Tauil __________________________________ Eis que sinos soluçam na torre da saudade, E a noite abre, trêmula, a janela encantada, Para ouvir teus passos na imensa eternidade. Ainda penso em ti, quando a lua, apaixonada, Derrama sobre os campos sua luz de claridade; E a brisa, ao tocar-me, tão leve e perfumada, Parece trazer teu beijo, em segredo, à minha idade. Quem sabe vens um dia, ao cair da madrugada, Quando o céu se fizer de silêncio e solidão; E encontrarás meu peito, à tua espera, em chama, Guardando, intacto, o sonho de uma antiga paixão. Se vieres, não perguntes por que esperei calada: Há amores que florescem na sombra da ilusão; Há nomes que o destino escreve à mão dourada, E ficam para sempre gravados no coração. E se não vieres nunca, oh, minha doce amada, Ainda hei de encontrar-te na voz da poesia; Pois há quem viva longe e seja, na alma, morada, E há quem parta da vida sem partir da fantasia. Marilândia Eis que sinos do silêncio, em doce agonia... E a noite se veste de antiga alvorada, Para ouvir teu nome na minha poesia. Ainda guardo o perfume da estrada, Onde a saudade floresce, vadia, E a lua, de prata, cansada e calada, Me conta segredos que eu não sabia. Talvez venhas tarde, quando a madrugada Tiver nos cabelos a cor da distância, E eu, já perdida de tanto esperar, Te encontre no sonho de uma esperança. Se vieres, amor, não digas mais nada: Deixa que os olhos confessem o ardor; Que o tempo se curve à nossa passagem, E a vida se renda ao antigo esplendor. Porque há no meu peito uma eterna morada, Onde o teu nome ainda vive de amor.

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