2 de outubro
“Embora cegos, nos encontraríamos pelo tato!” Jô Tauil _________________________ Pelo ardor das mãos buscando-se em segredo, Pelo silêncio ardente de um abraço, Pelo coração vencendo todo medo. Reconhecer-te-ia no perfume da noite, Na febre doce que a pele denuncia, No estremecer de um beijo sem palavras, Na tua sombra, quando a minha se perdia. E, mesmo que o mundo nos negasse, Haveria um caminho entre nós dois, Feito de sonhos que jamais se cansam, De eternidades inventadas depois. Eu saberia o teu nome sem ouvi-lo, Pelo rumor da alma ao te pressentir, E amaria, sem ver, o teu sorriso, Como quem nasce apenas para te seguir. Pois há amores que os olhos não alcançam, Nem a distância consegue destruir: São mãos que, no escuro, ainda se encontram, E almas que se reconhecem ao intuir. Marilândia

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