csturando dia 29
Vivendo o teto da Terra como se fosse o Céu, Aprendi a beijar o impossível de joelhos; Fiz do barro um altar, do pranto um véu, E das sombras colhi os mais divinos espelhos. Minha alma, ave errante, sem destino, Buscou estrelas onde havia solidão; E fez do teu amor o doce hino Que incendiava em silêncio o coração. Bebi luar nas taças da saudade, Vesti de lírios a cruel melancolia; Dei à dor a suprema eternidade, Como quem faz da noite a luz do dia. Se amar é morrer, morro cantando, Num êxtase de rosas e de cruz; Vou pelos teus caminhos desfolhando Os sonhos que inventaram minha luz. E quando o tempo me fechar as mãos vazias, Hei de florir nas cinzas da lembrança; Pois quem fez da Terra morada de alegrias Já descobriu no amor a eterna esperança. Marilândia

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