COSTURANDO 26 de junho
“Recebendo o verniz das coisas raras” Jô Tauil ________________________ Vesti de luz as mágoas que escondi. Fiz dos espinhos róseas tiaras, E em cada dor um gemido que correspondi… Meu peito aprendeu o idioma das estrelas, Que só os corações amantes podem ler; Bebi o orvalho azul das primaveras belas, Como quem nasce outra vez para reviver. Sei que o tempo desfolha as ilusões, Mas não alcança o aroma dos afetos; Há eternidades dormindo nas paixões, Entre suspiros lânguidos e secretos. Trago nas mãos a brancura das alvoradas, E nos olhos o céu de um sonho aceso; Minhas saudades são pombas encantadas Buscando o teu jardim, sempre indefeso. Se um dia eu partir na névoa do poente, Não chores o silêncio do meu adeus: Ficarei como um perfume permanente, Na auréola da eternidades que Deus semeou. Marilândia

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