Esse amor terá a bênção do fim de verão, Quando o sol se despede num beijo dourado, E a tarde derrama, na palma da mão, O último sonho de um céu apaixonado. Há flores que morrem de tanta paixão, Há sonhos que dormem num peito magoado, Mas tu floresceste na minha solidão, Como um lírio branco num campo encantado. Quero amar-te além do que a vida consente, Com a febre dos astros, a sede da fonte, Com a loucura que mora em minha alma ardente! E perder-me contigo na luz do horizonte, Onde o tempo se ajoelha, humilde e silente, E o amor nos transforma em chama de um monte. Se o outono vier com seus ventos de dor, Hei de guardar-te no peito, em segredo, Como a última rosa que guarda o calor, Como um doce pecado que vence o medo. E quando o verão adormecer no poente, Hei de beijar-te, comovida e inocente, Pois até no fim nasce eterno o amor!
OS LÍRIOS MORREM À TARDE
"A POESIA EXPRESSA IDEIAS E EMOÇÕES, MAS NUNCA DE MANEIRA CLARA, PARA , ATRAVÉS DO MISTÉRIO E DO ENIGMA, ATIVAR A IMAGINAÇÃO DO LEITOR."

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